Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Como é difícil ser pesquisador no Brasil


Recebi, no dia 26/09 mensagem eletrônica de uma colega pesquisadora colombiana sobre um edital de cooperação internacional da CAPES para projetos comuns. A parte colombiana do edital já está on-line e traz todos os anexos necessários à compreensão do projeto, bem como o detalhamento necessário, conforme pode ser visto aqui. O prazo final para o envio de propostas se encerra no dia 31 de outubro e, até onde entendi, permite que a aplicação seja solicitada por pesquisadores de qualquer um dos países participantes. 

Clique para ampliar -
Print Screen realizado em  01/10/2012
1ª tentativa: o portal
Ao tentar fazer a minha parte da "lição de casa", ou seja, buscar informações locais sobre as exigências para que um pesquisador brasileiro possa apresentar o pedido, fui surpreendido pela ausência de informação no portal da CAPES, que  apenas exibia uma placa dizendo "Em negociação", como pode ser visto no print screen ao lado.
Como é possível que um programa de cooperação já esteja vigente e publicamente divulgado por um dos parceiros e "em negociação" com o outro? Na vã esperança de ser somente um problema de atualização da informação no portal, busquei mais informações. 

2ª tentativa: contatos de outros setores da CAPES
Primeiro tentei ver se a coordenação de área do Comitê de Ciências Sociais Aplicadas 1 (comitê no qual se encontram os programas de Ciência da Informação) sabia de algo, mesmo não se tratando de algo diretamente relacionado à sua esfera de atuação. Nada feito a informação não fora compartilhada com os comitês.

3ª tentativa: contato telefônico frustrado com a coordenação internacional
O passo seguinte, por sugestão do próprio comitê de área, foi tentar um contato telefônico com a coordenação internacional da CAPES. A tarefa foi mais árdua do que parecia, já que não há link específico para o contactar o setor na página (como é que fica a questão do acesso à informação?). Resolvi telefonar para o número indicado no "fale conosco". Depois de ouvir um extensa gravação sobre as opções que eu deveria teclar para seguir adiante, consegui ser atendido. Para que eu simplesmente pudesse perguntar qual era o número telefônico da área internacional tive que dar nome completo e CPF. Após conseguir que o atendente compreendesse a solicitação fui informado que o assunto era de competência da CAPES e não do INEP! Isso mesmo: a partir no número disponibilizado no portal da CAPES para atendimento, fui parar em outro órgão do MEC. 

4ª tentativa: contato telefônico com a coordenação internacional - parte 1
Ao menos consegui ser redirecionado para a CAPES, sem ter que realizar outro telefonema. Novamente fui atendido por uma pessoa que não tinha muita ideia sobre minha solicitação, mas que para poder ouvi-la teve que, antes, anotar, novamente, todos meus dados; desta vez com indicação de minha data de nascimento. 

5ª tentativa: contato telefônico com a coordenação internacional - parte 2
Aquele primeiro atendimento na CAPES (o segundo do dia) subitamente foi transferido para outra pessoa, a quem tive que, novamente, explicar que eu apenas queria informações sobre o programa de cooperação com a Colômbia, o Colciências. Desta vez meus dados requiridos foram profissão e número de telefone. Ao menos consegui obter o número do setor de cooperação internacional

6ª tentativa: contato telefônico com a coordenação internacional - finalmente!
Nessa nova ligação consegui ser atendido, finalmente, na área internacional, e sem ter que indicar nenhum dado pessoal. Após expor a questão e aguardar um pouco obtive a resposta de que a pessoa responsável pelo convênio estava de férias e que sua chefe estava inacessível em uma reunião. Mesmo assim a pessoa com que falei foi bastante solícita e me disse que até a próxima semana a informação estaria disponível e que eu "não deveria me preocupar". 

O episódio é bem preocupante sim !
Ora se um edital tem cerca de 36 dias de prazo (de 25/09 a 31/10, segundo o portal colombiano) e apenas disponibiliza sua informação básica por um tempo menor (ainda não sabemos quanto), obviamente que o tempo de preparação do projeto e da documentação fica bastante comprometido, principalmente porque sequer há sinalização de quais serão as possibilidades e requisitos para fazer a submissão pelo lado brasileiro. Em se tratando de um projeto internacional de cooperação o prazo é algo bastante crítico já que envolve tomada de decisões e ajustes institucionais que não competem apenas aos pesquisadores interessados. O passo inicial seria poder ter pleno conhecimento do que é o edital, quais projetos pode abarcar, quais não pode, quais os requisitos dos participantes, dos coordenadores e qual é a documentação necessária. Para o momento, no caso em questão, os pesquisadores (de dois países, de três diferentes instituições) estão em stand by, extremamente preocupados com os prazos e o acesso à informação. 

O pesquisador que assina esta nota está, ainda, muito preocupado com a maneira com a qual o acesso às informações é trabalhado em nosso país, comprometendo o avanço da ciência brasileira. Acesso à informação, no âmbito do portal da CAPES, não deveria se resumir a uma logomarca com link à página da CGU referente à nova lei e à divulgação (ou não) de salários de funcionários. O acesso à informaçãoem questão relaciona-se principalmente à divulgação clara e precisa de informações relativas às atividades-fim da agência a qualquer pesquisador interessado, independente de CPF, confirmação de nome, endereço etc. Deveria ainda propiciar um contato direto com o setor responsável sem ter que obrigar o interessado a passar por uma bateria de guichês telefônicos. Custa muito colocar no portal TODOS os ramais e telefones da agência? Isso não seria também uma política de acesso à informação? Por que consigo ter acesso aos dados salariais de funcionários, mas não consigo localizar os telefones dos diferentes setores de um órgão público? Por que consigo ter acesso ao portal brasileiro da transparência mas só consigo ter informações precisas sobre um projeto CAPES em um portal estrangeiro? 

Em tempo: na bateria de guichês telefônicos pela qual passei, meus dados pessoais foram anotados diversas vezes, sem que eu fosse informado sobre qual seria o uso e o porquê da exigência. Em nenhum momento fiquei sabendo mais do que o prenome de quem me atendeu. Será que, por uma questão de reciprocidade e de compreensão da dimensão do que é prestar um serviço público, eu não deveria ter sido também informado do nome completo e matrícula das pessoas com as quais falei?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Já que o Moodle continua fora do ar...

"Cego surdo e moodle" - Editado por André Lopez
Reproduções  não comerciais desta imagem são permitidas desde que citada a fonte. 
Há mais de um mês o "campus virtual" da UnB, que hospeda a plataforma Moodle, está fora do ar. Taí uma grande lição para o pessoal que lida com segurança da informação. Afinal a primeira letra do acrônimo DICA, refere-se à disponibilidade da informação. Tenho sido pessoalmente reticente ao uso da plataforma Moodle para minhas atividades didáticas, muito em função de não me disponibilizar a sair da minha zona de conforto de conhecimento tecnológico, reconheço, e em parte porque tal situação hoje representa um avanço às ferramentas didáticas tradicionais. Tenho, como é sabido de muitos, investido muitos esforços nos blogs como ferramenta de ensino-aprendizagem, o que tem permitido atender à contento minhas necessidades docentes, com um razoável nível de inovação e com um bom nível de retorno discente quanto ao cumprimento e superação dos objetivos das disciplinas universitárias (ver aqui, por exemplo, artigo sobre a experiencia no ensino de graduação do curso de Arquivologia).

Paralelamente às minhas idiossincrasias está no ar uma pesquisa que pretende analisar comparativamente algumas das funcionalidades das ferramentas didáticas mais populares aqui. Participe! O ensino universitário de qualidade só terá a ganhar!

Em termos práticos devo encerrar a análise dos projetos finais dos alunos do curso de especialização em Gestão de Segurança da Informação, turma 2011-12, que foi realizado majoritariamente em ambiente Moodle. Apesar de minha "implicância" com a ferramenta, optei por trabalhar de um modo híbrido, com algumas atividades e debates neste blog e o depósito dos primeiros trabalhos no ambiente Moodle. Deste modo o debate seria aberto e transparente e os projetos restritos para minha avaliação, ficando lá, supostamente em segurança, como registro do que foi realizado. Ledo engano. Desde o começo do ano tenho recebido e-mails de alunos indicando que o ambiente do curso em tela está inacessível. A informação "oficial" confirma isso, em função de reformas no laboratório que o hospeda, sem prazo definido para o retorno.

Alguns alunos estão se prontificando a enviar os projetos para meu e-mail. Parece uma opção válida se não fosse um verdadeiro contrassenso a alguns princípios básicos de segurança (abrir vulnerabilidade na minha máquina ao baixar anexos de uma turma inteira), depondo contra a capacidade que supostamente a UnB e a faculdade responsável deveriam ter por fazer a tão alardeada inovação didática do Moodle funcionar efetivamente. A alternativa "quebra-galho" gera ainda uma segunda ordem de problema no nível didático que é a minha incapacidade de cotejar diferentes versões dos projetos e analisar os avanços de cada aluno, posto que os produtos da primeira etapa estão perfeitamente de acordo com o final do mencionado acrônimo: ICA (íntegros, confidencias, autênticos), porém não disponíveis. 

O acordo com os alunos era manter as primeiras notas (que não sei quais são, pois estão lá bem guardadinhas) e analisar os avanços dos projetos finais para quem desejasse aumentar a nota. 

Dada a situação, a alternativa que utilizarei para o recebimento dos projetos finais de GSI é a seguinte:
a) não receberei projetos por e-mail; eles deverão ser colocados em alguma nuvem (isso vale também para quem já me mandou, porque senão o controle fica muito mais complicado);
b) o projeto anterior também deverá estar na nuvem, juntamente com meu comentário, caso eles tenham sido recuperados/copiados;
c) quem se lembrar da nota que obteve deve, por favor, indicar tal informação, lembrando que não adianta querer "dar uma de esperto", pois vou olhar ambos os projetos e sei reconhecer um eventual "upgrade" na nota inicial;
d) o campo comment abaixo deverá ser usado para indicação das urls do material virtual;
e) o prazo fica sendo 27/fev;
f) gostaria imensamente que a pesquisa mencionada acima fosse respondida aqui.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

E-books: e a pesquisa como é que fica?

Copiado de Susanbca
Não há pesquisador que discorde acerca da importância das fontes de informação para a pequisa científica. Por excelência, tais fontes costumavam ser de natureza bibliográfica e gerenciadas (isto é: armazenadas, classificadas, organizadas acessadas etc.) em uma instituição construída para tais finalidades. Os OPACs, ou catálogos on-line, paulatinamente, foram modificando as atividades dos elementos humanos da relação pesquisador-acervo. O contato direto entre cientista e bibliotecário foi, pouco-a-pouco, sendo intermediada, e até mesmo substituída pelas TICs. O fenômeno agora começa a modificar também o ponto final do acesso do pesquisador; não mais o livro, porém o e-book; não mais a biblioteca, porém repositórios e catálogos de e-books. O profissional da informação, elemento primordial na catalogação (física ou on-line) também começa a deixar de ser essencial para a organização do acesso. Folksonomia, interação 3.0, wikis, social bookmarking etc. são alguns exemplos colaborativos nos quais os próprios interessados finais passam a organizar (ao menos em parte) a informação o modo de recuperação da mesma e, muitas vezes, o próprio acesso. Obviamente não se trata de decretar a extinção de um sistema complexo de guarda e disseminação de informação, já que há muitas coisas que ainda dependem exclusivamente do livro físico, porém de tentar entender a sua inexorável transformação em algo muito mais dinâmico. Veja aqui, post de Rodney Eloy, bibliotecário, sobre o tema.

As práticas bibliográficas da pesquisa científica também modificam-se bastante. Recordo-me do meu tempo de estudante de graduação, no curso de História da USP, no qual boas bibliografias sobre determinados temas eram "disputadas a tapa", para a elaboração dos trabalhos finais. Havia professores que marcavam entrevistas para analisar o levantamento bibliográfico que havíamos feito para selecionar materiais a serem utilizados no trabalho final. A realização de um levantamento desses levava várias sessões de algumas horas em diferentes bibliotecas para: a) pesquisar no catálogo e selecionar obras de interesse potencial; b) solicitar a obra ao atendente (não tínhamos acesso direto); c) esperar 5, 10, 15 min. pela obra ou pela informação de que ela não estava disponível (emprestada, reservada ou, muito comum, extraviada); d) analisar brevemente a obra e conferir se ela estaria no rol de interesse da pesquisa. No frigir dos ovos, a consulta a um simples livro, apenas para analisar sua pertinência na pesquisa, poderia levar até 30mim. Não é por acaso que nessa época (anos 1980) proliferam trabalhos de base bibliográfica bastante similar. A profusão de fotocópias dos materiais objetivavam garantir o acesso àquela informação em uma segunda oportunidade, eliminado a via-Crúcis mencionada.

No mestrado aprendi a consultar dicionários terminológicos, revistas e resenhas para melhor delimitar o universo a ser pesquisado. Mas, em termos gerais, a sistemática era a mesma, porém menos sofrida. As transformações no sistema, aos poucos foram facilitando os passos indicados acima. Um melhor controle da catalogação, do acervo e do acesso, possibilitados por antigas TICs passou permitir o acesso direto. Um sistema mais eficiente reduziu a questão do extravio, além de permitir consolidar informações sobre a existência/disponibilidade da obra em outras unidades do mesmo sistema. De qualquer modo, como uma boa fonte de pesquisa precisa, geralmente, ser acessada várias vezes, habituei-me, então, a manter comigo a informação original na íntegra; seja por meio de fichamentos (há técnicas importantes para isso), compra dos livros em sebo, compra dos livros novos (quando não encontrados em sebos) e fotocópias (quando não encontrada a obra para compra). Tudo isso consumia um tempo de pesquisa considerável. Tempo que não era perdido, pois criava-se o hábito de buscar coisas diferentes e de cotejar autores, conceitos edições, traduções etc.

À época do doutorado os sistemas OPAC das bibliotecas da USP foram de alta utilidade, pois, somados ao uso de buscadores na web para arrolar autores e obras de potencial interesse, permitia otimizar as idas às bibliotecas, chegando lá com as anotações precisas da referência e do acesso das obras desejadas; quase um "pick and go". Gastava-se bem menos tempo para chegar à informação, porém perdia-se muito do processo de analisar e tomar contato com outras obras não tão diretamente ligadas ao foco da pesquisa. 

Hoje a pesquisa bibliográfica assume uma outra faceta, apesar de ainda ser pautada nos mesmos passos. Parece desnecessário arrolar como os e-books e o acesso direto às fontes de informação otimizam e facilitam o processo. Como há profusão de materiais disponíveis on-line, há uma tendência natural a desprezar, ou não consultar, aquilo que demandará um deslocamento físico a uma biblioteca. O antigo fichamento, no qual (se feito corretamente) poderia permitir a localização rápida de determinadas passagens na obra que estivessem relacionadas a determinados conceitos é substituído por buscadores de termos e por anotações virtuais à margem dos textos. O acesso automático às determinadas partes do texto vem acompanhado de uma evidente superficialidade na segunda leitura (ou ausência dela). Em nome do pragmatismo e da eficiência perde-se parte do processo de maturação da leitura do texto. Não lemos mais textos completos porém excertos eficientemente acessados e replicados. O antigo exercício da citação sempre era acompanhado por uma atividade de cópia, caractere a caractere, do texto original. Esse processo, inevitavelmente levava à reflexão do que estava sendo copiado e à busca de passagens sucintas de alto significado.  Hoje é cada vez mais comum o exercício do recorta-e-cola apenas para "encher linguiça", sem uma necessária reflexão. 

A automação do acesso aos textos científicos representa uma enorme (gigantesca mesmo) eficiência nas práticas de pesquisa dos migrantes digitais, mas, e essa me parece ser a grande questão de fundo dos dias atuais, quais os impactos que trará para os jovens pesquisadores, nativos digitais? Uma geração não habituada à reflexão crítica das fontes (para ela wikipaedia, sites de jornalismo, revistas têm o mesmo valor se propiciarem a resposta desejada), não-habituada à frustração de dedicar horas para uma fonte que se revela não adequada (o hábito de "googlar" e ir clicando nos primeiros retornos de busca e descartar imediatamente os que aparentam não ter serventia). Mencionado por Eloy, Umberto Eco, fascinado pelo i-Pad, que lhe poupou esforços de mula de não ter que carregar 20 livros, certamente sabe realizar a crítica interna e externa dos documentos, apregoada por Langlois e Seignobos em 1898, sem cair na armadilha da neutralidade positivista, mas será que os novos pesquisadores, que estarão sendo forjados no universo da informação sem suporte físico aparente saberá?

Em tempo: além de escavar em minha memória a obra "Introdução aos estudos históricos" de Langlois e Seignobos, paro o exemplo do parágrafo acima, recorri a cópia xerox que tenho dela (a última edição brasileira data de 1946). Será que o nativo digital que queira consultá-la, mesmo que só por curiosidade, irá encontrá-la na web (não achei nenhuma versão on-line em língua portuguesa)? Ou apenas matará a curiosidade por meio das inúmeras "explicações" sobre o método positivista, facilmente encontráveis em um simples "googlar". Está lançado o desafio! 

As bases metodológicas sobre a organização de fontes empíricas para a pesquisa em história estão lançadas naquela obra, de mais de um século. A heurística, caracterizada como a busca de documentos para a História, terá importantes desdobramentos nas demais áreas das humanidades e traz conceitos fundamentais que serão apropriados parcialmente pelas ciências sociais aplicadas. Quantos são os arquivistas formados hoje que passam a ter um visão meramente panorâmica e preconceituosa sobre o positivismo histórico (o tópico é recorrente nas ementas de "Introdução à História", disciplina típica da graduação em Arquivologia) que jamais leram na íntegra (mesmo que traduzidos) textos de Langlois, Seignobos, Comte, Ranke etc.? Quantos são os Bibliotecários que, assumidamente ou não, defendem um modelo de pesquisa positivista sem nunca terem ido além dos populares manuais de pesquisa, fartamente disponibilizados na web, sem terem tido o prazer da leitura crítica de um clássico? Sera que os novos cientistas da Informação irão apenas se contentar com manuais sobre práticas de pesquisa ou será que irão se dar ao trabalho de buscar também os clássicos, mesmo que virtualmente inatingíveis?

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Complemento (25/2/2012 - 10:33 am): acabei de ler (aqui) no blog do colega Murilo Cunha, curiosa informação sobre detenta estadunidense que está processando a prisão pela suposta violação de seu direito de ter acesso a uma biblioteca jurídica, que lá foi substituída por um sistema de livros virtuais. A panaceia para muitos parece não ser tão universal, afinal de contas...

sábado, 28 de janeiro de 2012

A volta da caça às bruxas ameaça o desenvolvimento científico

Copiado de "Megaupload"
Em 1940 os Estados Unidos iniciaram uma "cruzada" anti-comunista, encabeçada pelo senador McCarthy, que transformou-se em uma verdadeira caça às bruxas, com episódios lamentáveis de delação, perseguição e danos irreparáveis à produção artística, intelectual e científica. Hoje unanimidades mundiais, Chaplin e Orson Welles foram colocado em listas negras. Não se trata de defender este ou aquele projeto político, porém de analisar criticamente como a legitimação de procedimentos de exceção generalizados e aplicados indiscriminadamente acaba por ser muito mais danoso do que os efeitos do que se tentava combater.

Marx, no 18 Brumário, já alertava que a história acontece como tragédia e depois se repete como farsa. Hoje um conjunto de instrumentos legais, cujo acrônimo é SOPA, recentemente aprovados permitem que o governo estadunidense feche os sites que desejar com base em denuncias hospedagem de material "pirateado". Notem bem a semelhança assustadora que continua haver em episódios distantes no tempo mais de 70 anos: a denúncia é suficiente para desencadear ações punitivas. Em mais de 70 anos, não! Em mais de 300 anos se formos considerar que na época da inquisição algum "denunciado" dificilmente escapava da punição, não importando quais fossem os fatos. 

Copiado de "Log (WTF?)"
O fechamento recente do site do Megaupload é, infelizmente, o prenúncio de ações mais drásticas e danosas que irão comprometer seriamente a liberdade de expressão e o desenvolvimento de pesquisas ao redor do mundo. A questão principal é a responsabilização do site por ações consideradas ilegais por qualquer um dos seus participantes. Por exemplo, por conta do fechamento do Megaupload, trabalhos finais de curso de meus alunos de graduação não mais estão disponíveis ao público. Não apenas a liberdade de expressão foi vilipendiada, mas a ampla circulação de ideias foi totalmente comprometida. A lógica da SOPA é mais ou menos a seguinte: se o seu vizinho é suspeito de ser criminoso, você e todos os demais moradores do seu prédio ficarão em prisão domiciliar por tempo indeterminado, sem comunicação com o resto do mundo. A grande questão é que apesar da SOPA ter vigência somente nos EUA é lá que estão hospedados a maioria do arquivos.

A simplicidade do cartunista argentino Quino com sua personagem Mafalda bem ilustra a irônica e trágica situação atual.
Copiado de "Factoría Olaf"

A comunidade 2.0 e 3.0 mundial tem convocado n protestos virtuais e sinalizado com boicotes, porém a representatividade da hospedagem de arquivos em servidores estadunidenses é deveras significativa e já está comprometendo seriamente importantes redes científicas de intercambio e construção de informação, conforme denuncia o prof. Dr. Zapopan Martín da Universidade de Sheffield:
"Caros colegas,
O periódico internacional, de acesso aberto e revisado por pares, "Critica Bibliotecologica: Revista de las Ciencias de la Informacion Documental" manifesta apoio aos cidadãos estadunidenses e aos usuários da Internet ao redor do mundo para protestar contra os seguintes atos dos EUA: SOPA (Stop Online Piracy Act), PIPA, e o Research Works Act feitos para dificultar a liberdade de informação na Internet e para dificultar o acesso e uso de informação por instituições mantidas com financiamento público!
Não ao SOPA dos EUA!
Não ao PIPA dos EUA!
Não ao Research Works Act dos EUA!
Não ao ACTA dos EUA!
E NÃO A QUALQUER LEGISLAÇÃO DRACONIANA DOS EUA (OU DE QUALQUER OUTRO PAÍS) QUE UNILATERALMENTE PRETENDA SUBMETER OS CIDADÃOS DO PLANETA A SEREM ESCRAVOS E CONSUMIDORES DE INFORMAÇÃO!!!!!!
JÁ É TEMPO DE OS CIDADÃOS DO PLANETA DESTRAVAR E QUEBRAR, POR QUALQUER MEIO, AS BARREIRAS À INFORMAÇÃO, AO CONHECIMENTO E À SABEDORIA QUE SÃO IMPOSTAS DE MODO IRREAL POR UM PEQUENO GRUPO DE GRANDES LADRÕES CAPITALISTAS E BURGUESES E POR VERDADEIROS PIRATAS DOS EUA, REINO UNIDO, CANADÁ, ITÁLIA, FRANÇA, ALEMANHA, JAPÃO, RÚSSIA E PELA MAIORIA DE SEUS GOVERNOS-FANTOCHES AO REDOR DO MUNDO, QUE EFETIVAMENTE ROUBAM E PIRATEIAM OS RECURSOS NATURAIS  DO PLANETA E AS CRIAÇÕES INTELECTUAIS E CULTURAIS PARA DEPOIS REVENDÊ-LAS AOS CIDADÃOS DO PLANETA A PREÇOS ESTRATOSFÉRICOS!!!!!!!!!!!!!!! 
A TODOS OS SERES HUMANOS QUE TÊM CÉREBROS E REALMENTE QUEREM UTILIZÁ-LOS:  VAMOS NOS SUBLEVAR E PROTESTAR EM CADA CANTO, EM CADA TRINCHEIRA AO REDOR DO PLANETA CONTRA ESSES GRUPELHOS DE LARÁPIOS CÍNICOS, CAPITALISTAS E BURGUESES ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS E TENHAMOS QUE PAGAR PELOS SINAIS DE FUMAÇA QUE IREMOS UTILIZAR PARA NOS COMUNICAR DEPOIS QUE NOSSO PATRIMÔNIO CULTURAL, CIENTÍFICO, TECNOLÓGICO E HUMANISTA FOR CONDENADO ÀS CINZAS PELOS ATUAIS LADRÕES CÍNICOS, CAPITALISTAS E BURGUESES!!!!!!!!!!!!!!!"
O furor do prof. Zapopan talvez seja um pouco exagerado (porém necessário) e reflete bem um risco real e de um processo que já se iniciou e que, certamente, terá consequências bastante perversas para a sociedade da informação no que tange à democratização do saber, seu acesso e construção dinâmica. Aqueles que quiserem melhor acompanhar o debate sobre a liberdade de expressão na Internet podem acessar a página da Electronic Frontier Foundation (EFF) e, em especial o artigo intitulado "Temos todo o direito de estar furiosos o ACTA". Para aqueles que ingenuamente creem que as novas normas dos EUA não lhes dizem respeito fica o antigo (e sempre atual) alerta:
Copiado de "Diplomática e Tipologia Documental - UnB"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ganhe um livro para analisar o Projeto Memória Ferroviária


O intuito deste post não é apenas apresentar uma boa inciativa de "webzação" de projeto, mas dar continuidade as práticas que sempre nortearam este blog, ou seja, ser um espaço plural de discussão de pesquisas, como pode ser visto nos inúmeros projetos discentes aqui linkados. 

O coordenador do Projeto Memória Ferroviária (PMF) me perguntou sobre algumas sugestões que eu poderia dar ao ambiente virtual do seu projeto. O "resumo da ópera" do que escrevi a ele está ligado ao fato de meu olhar ser focado com a perspectiva bloggeira, que gostaria de ver mais dinamicidade, interação, colaboração etc. Será que toda pesquisa tem mesmo que apresentar tais características quando vai à web? De qualquer modo já está mais do que na hora de a academia começar a usar&abusar da web para divulgar pesquisas.


Sugestão de atividade: criticar construtivamente o site PMF, usando o ambiente dos comments, abaixo, para isso. 
  • Prêmio: a melhor análise, se tivermos um mínimo de 10 participações, concorrerá a um exemplar do livro "O olhar no espelho" de Eduardo Tomanik, bibliografia obrigatória para os alunos de Metodologia do Mestrado do PPGCINF/UnB em 2012. 
  • Prazo para concorrer ao livro: 23/12/2011
  • Julgamento: Prof. Eduardo Romero de Oliveira (coordenador do PMF)
  • Entrega do prêmio: no PPGCINF-UnB, para os residentes em Brasília; a combinar para os demais.
ATENÇÃO:  atividade OBRIGATÓRIA para os alunos do GSI/FT-Redes.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nova ciranda metodológica

Boy Scout in Gozo - Malta (photo by André Lopez)
Muitos alunos de especialização "sofrem" quando ouvem a palavra PROJETO. Sofrem mais ainda quando ela está associada a uma outra: ENTREGAR. Os alunos de GSI da Engenharia de Redes, do prof. Laerte estão "sofrendo" desse mal. Alguns já fizeram uma versão preliminar e outros (poucos) nem essa. O momento da ENTREGA do PROJETO final se aproxima e este blog, para colaborar, sugere mais uma atividade de troca de opiniões. 

A atividade consiste em:

1. Esperar que a Liliane dê início ao processo, escrevendo no comment a abaixo:
a) um resumo de até 50 palavras;
b) indicação de qual é a base empírica a ser utilizada
c) indicação de possível contribuição à pesquisa em SI
d) indicação de possível aplicação prática

2. Analisar o comment anterior do colega (sem medo de criticar; as críticas devem atingir somente às ideias e não a pessoa).

3. Repetir o procedimento feito pela Liliane em 1.

4. Seguir com os passos 2 e 3.

Atenção!!! 
A atividade é focada para os alunos de GSI, porém é ABERTA a todos os interessados; basta se identificar. Todos podem repetir o ciclo quantas vezes acharem necessário.

domingo, 27 de junho de 2010

Vídeo introdutório sobre metodologia de pesquisa


Apresentação da disciplina de Metodologia de Pesquisa para o curso de especialização em Gestão de Segurança da Informação e Comunicações - UnB. O áudio está ruim e o foco é para a turma que fará a disciplina à distância, porém algumas questões comuns a qualquer pesquisa científica são levantadas.  Alguns dos fluxogramas lá utilizados já foram postados aqui anterioremente:

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Seminário do CIC

  • "Monitoração de Atividades Maliciosas na Internet Brasileira e Análise de Malware"
  • Local: Auditório do Instituto de Quimica/UnB
  • Data 09 de abril às 09:00hs
  • Prof. Antônio Montes Filho