Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sugestão de atividade de reflexão coletiva


Bruno, Edson e Elaine sugerem que tod@s busquem pensar sobre as questões extraídas do capítulo 01 de Tomanik (ver post aqui), devendo, cada um, ao menos:
a) postar uma reflexão nos comments abaixo;
b) tecer alguma consideração que complemente alguma observação do colega.
obs: ao contrário da atividade anterior, não há uma ordem pré-estabelecida para colocar reflexão ou comentar pontos de vista do colega; a estrutura da atividade é livre.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Estândares para publicação de textos acadêmicos


Tomanik, um dos mais ilustres colaboradores deste blog, comentou uma vez ("O Olhar no Espelho", cap 2) que, muitas vezes se confunde erroneamente metodologia com um conjunto de regras de apresentação. Infelizmente, essa parece ser a regra vigente no Brasil, na absoluta maioria das monografias universitárias, cuja análise pela banca costuma se deter apenas nos elementos formais. Os elementos formais, sem dúvida, são importantes (como já indicamos em alguns posts anteriores), mas somente se o conteúdo for bom. Seguir bem as normas da ABNT não dá nenhuma garantia da qualidade do trabalho.

O que muita gente sequer suspeita é que a ABNT tampouco é um padrão universal, mesmo sendo utilizada pelas boas revistas científicas brasileiras; boas, de acordo com os nossos critérios nacionais, diga-se de passagem. No mundo acadêmico internacional, a ABNT não existe como padrão de qualidade; ou seja, as revistas científicas tidas como internacionalmente boas, pelo resto do mundo, não usam a ABNT. Isso é algo que pode representar um dilema para alguns editores brasileiros, pois, se quiserem elaborar um material nacionalmente aceito devem, quase como que uma obrigação religiosa, usar a ABNT. Por outro lado, se buscarem aceitação com pares internacionais, em relação de igualdade acadêmica, esse padrão não serve. Um dos estândares mais utilizados no mundo científico é a APA, sigla que se refere à Associação Americana de Psicologia, cujas regras de apresentação formal de textos estão presentes por toda parte; exceto no Brasil.

A ABNT é uma norma paga, restrita a quem compra o direito de acessá-la. O jeitinho brasileiro sempre providenciou cópias pirata dela, desde o tempos das fotocópias borradas, porém todas essas cópias, de saída, já nasceram fora das regras dos direitos de reprodução. Com base nessa restrição, proliferam no Brasil textos que ensinam a usar a norma, muitas vezes com a indevida roupagem de manual de metodologia, reforçando a impressão equivocada aludida por Tomanik.

 A APA, pelo contrário, é vendida somente para quem quer adquirir o manual completo. O próprio site disponibiliza tutoriais bastante completos e cheio de exemplos, tornando o "estilo" (o nome correto é APA Style, sem a carga impositiva do termo "norma") bastante acessível e, mais importante ainda, com contorle sobre o material de formação de novos usuários. Não há nenhum impedimento para que outros autores produzam seu próprios manuais, os quais terão, sem dúvida, uma ressonância muito limitada já que o existe material on-line "oficial" gratuito. É provável também que quem efetivamente queira comprar um manual opte por adquirir o produto "oficial". Supõe-se que com o estreitamento de um mercado editorial dedicado ao uso do estândar, os autores estadunidenses não produzam tantos textos disfarçados de metodológicos sem o serem de fato. 

No Brasil, a encruzilhada torna-se mais complicada no momento atual, no qual muitas revistas, de olho na expansão para/com a América Latina, não apenas estão aceitando textos em castelhano, como, em alguns casos, tentando publicar volumes inteiros no idioma de Cervantes. A questão é como "obrigar" que o autor hispano-americano use a ABNT. Nos outros países latino-americanos, cada vez mais a APA vem sendo adotada como o padrão de publicação local, mesmo com o risco de se tornar dependente de definições externas. Alguns críticos poderão argumentar, com alguma razão, que a adoção de um estândar estrangeiro (a APA representa uma associação profissional de um país, não sendo um estândar internacional) poderia nos colocar em uma situação análoga a alguns países, que por não terem uma economia sólida, se renderam a adoção do dólar como moeda local, ampliando os problemas de dependência econômica dos EUA.

Não se trata de defender este ou aquele estândar, porém de ter conhecimento da existência de outros -- e a APA é apenas mais um entre vários outros -- e saber que as normas nacionais são absolutamente limitadas ao território (conforme indica o adjetivo "brasileiro", da sigla ABNT). Na ausência de um estândar a ser criado, pela ainda inexistente associação latino-americana dedicada ao tema, essa opção permite uma melhor circulação científica, em nível mundial, daquilo que produzimos deste lado do atlântico e permite que a produção bibliográfica de nossos países possa estar mais integrada. A questão não é de dominação, porém de integração e circulação do conhecimento científico.

Para quem quiser melhor conhecer o recurso, a página da APA Style (aqui) é uma boa opção; lá é possível aceder a um tutorial gratuito (aqui) ou a um blog dedicado ao tema (aqui). Quem tiver dificuldades com o inglês pode se valer das boas opções existentes em castelhano. A comunidade RedDOLAC, dedicada à integração de experiencias e tecnologias didáticas, sediada no Peru, divulgou recentemente (ver aqui) apostila feita no Equador sobre como aplicar a APA em publicações acadêmicas (baixar do blog "Yo Profesor" aqui). As editoras científicas colombianas certificadas pelo governo de lá utilizam a APA. Um extrato de um curso feito na Colombia sobre a APA, publicado no México, está disponível em um site da Universidad Nacional Experimental del Táchira, Venezuela (aqui). Insistir em um modelo "normativo" nacional pode parecer teimosia, ou, até mesmo, piada:

Copiado de "Boa Dica"





domingo, 9 de março de 2014

Eduardo Tomanik é o novo colaborador do blog MCI

Copiado do Blog "Pesquisa-Ação", que cujas discussões devem muito ao Tomanik
Eduardo Agusto Tomanik, se auto descreveu em seu lattes assim: Licenciado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Mestre em Psicologia Comunitária pela Universidade Federal da Paraíba e Doutor em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi professor associado da Universidade Estadual de Maringá, atuando no Curso de Graduação em Psicologia e nos Programas de Pós-Graduação em Administração, Enfermagem e Psicologia (Mestrados) e Ecologia (Mestrado e Doutorado). Tem experiência nas áreas de Metodologia Científica e de Psicologia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: Representações Sociais, ambiente e processos sociais. Aposentou-se em outubro de 2011. Atualmente é Professor Voluntário do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual de Maringá, desenvolvendo estudos e orientando trabalhos na área da Psicologia Social das Emoções

1ª ed 1994
O resumo não faz jus a sua particular combinação de qualidades, que é capaz de unir o profissionalismo e a seriedade acadêmica, com perspicácia e inteligencia ímpar, além de ótimo senso de humor e simplicidade. Sua influencia está mais do que presente no blog MCI, desde o início. Uma simples busca pelo argumento "Tomanik" na caixa de pesquisa remeterá para ao menos 30 posts (cerca de 16% dos atuais 194 publicados). Muitos são referencias de aula, com indicações e atividades relacionadas ao seu livro "O olhar no espelho", que foi o texto-base das 13 turmas de "Metodologia" que ministrei desde de 2007 (em vários níveis de pós-graduação, no Brasil e no exterior). Outros são atividades de simulação à elaboração de projetos que idealizamos juntos, com a fictícia APQP (está indexada nas tags como "Grupo/Instituição"). Alguns são menções às suas ideias e/ou à sua pessoa em algumas reflexões que fiz. As mais interessantes, no entanto, são as referencias embutidas em reflexões de alunos que colaboraram com este blog, por tornar patente o processo crítico na formação de novos pesquisadores, dando especial destaque às ideias de nosso mais novo ilustre colaborador. Outra boa forma de verificar a influencia positiva de Tomanik na formação de jovens pós-graduandos em CI é perpassar pelos blogs discentes, derivados do blog MCI.
2ª ed, 2004 e
2ª tiragem, 2009

Conheci Tomanik em 2002, quando tive a feliz oportunidade de coordenar a Editora da Universidade Estadual de Maringá (Eduem), onde trabalhei diretamente com ele no conselho editorial. Acabei, por acaso, como "revisor geral" de seu livro, quando fizemos a segunda edição, em 2004, e foi quando começamos a conversar mais sobre a pesquisa científica e seus métodos. De lá para cá, a troca de ideias nunca cessou, seja presencialmente (quando nossas viagens e agendas coincidem), seja virtualmente (e-mails, chats, postagens e comentários em blogs). Nas idas e vindas da vida acabamos nos reaproximando mais quando decidi mudar um pouco o rumo deste espaço virtual, após acontecimentos descritos aqui, aqui & aqui.

Sua contribuição será em uma regularidade mensal não-estrita, em um primeiro momento, focada em temas relacionados às falhas e tropeços de redação. Bem humorado e sagaz como é, sugeriu que fizéssemos um "puxadinho" para ele aqui no blog MCI com uma imagem para lá de modesta (ver aqui). No seu primeiro post, programado para a semana que vem, o puxadinho terá muito mais classe; aguardem.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Ciencia e sociedade - novo livro


Não conheço a obra, ainda, mas conheço ao autor, com quem trabalhei algum tempo na Câmara de Pesquisa e Pós-graduação, da UnB, onde conheci alguns de seus bons posicionamentos sobre ciência, universidade e sociedade. Uma rápida leitura na apresentação da obra, me faz acreditar que seja um material bastante interessante para aprofundar muitas das discussões que são levadas nas disciplinas da pós, estimuladas pelo livro de Eduardo Tomanik, e pelos textos de Newton Freire Maia, Milton Santos, entre outros. O texto da 4º capa anota o seguinte:
"Um diálogo entre a Sociologia e a Filosofia da Ciência: é o envolvente convite que este livro faz. Com linguagem clara e coesa, o tema vibrante – a relação entre Ciência, Verdade e Sociedade − torna-se acessível a público bem amplo, incluindo não especialistas. A reflexão vai além do pensamento acadêmico, especialmente na segunda parte do livro, quando examina o que se considera ser, em sociedades democráticas, a “Ciência bem-articulada” no contexto atual do desenvolvimento científico-tecnológico. Pontua-se, então, a realidade brasileira, mediada pela credencial da sólida experiência do autor em sua profícua dedicação ao tema. O texto propõe o imperativo de se avançar para além da marcação de posições ideológicas, atitude característica do momento que ficou conhecido como a “Guerra das Ciências”. Entende que a ideia da Ciência com “conteúdo social” não suprime seu caráter objetivo, para o que se apoia em substanciais contribuições identificadas no confronto entre “realistas” e “não ealistas”, na Filosofia da Ciência. Ainda mais, insiste na vitalidade de se discutirem as novas responsabilidades que pesam sobre a Ciência e a Tecnologia contemporâneas, neste mundo crescentemente inquieto e muito promissor. Com o propósito de colaborar com a inclusão, no debate, desta outra perspectiva, a Fabrefactum apresenta, aos leitores, Ciência, Verdade e Sociedade: contribuições para um diálogo entre a sociologia e a filosofia da ciência, em sua série “Ciência, Tecnologia e Sociedade”.
Pedidos físicos e/ou downloads virtuais podem ser feitos aqui ou aqui.
TRIGUEIRO, Michelangelo Giotto Santoro. Ciência, verdade e sociedade. Belo Horizonte: Fabrefactum, 2012. (Coleção Ciência Tecnologia e Sociedade).

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Por que fazemos ciência?

Copiado de Wikipedia
Para que serve a ciência, afinal? Muitas pessoas acham que é para melhorar a sociedade e o mundo. Outras argumentam que o juízo de valor sempre é questionável, pois o que é melhor para alguém pode não ser melhor para outrem. Há quem diga que serve para dominar o mundo e alterar a realidade... No universo acadêmico a abordagem de cunho empiricista muitas vezes apregoa que o limite da pesquisa científica, ao menos no âmbito de projetos de mestrado e doutorado, está relacionado à compreensão de um fenômeno. Os defensores do relativismo e da crítica humanizadora, por vezes admitem, e até assumidamente procuram, a transformação de uma dada realidade a partir da compreensão de um fenômeno, podendo, inclusive, buscar a modificação do próprio fenômeno, em algumas situações. 

Eduardo Tomanik tem uma frase bastante interessante sobre a postura transformadora que a pesquisa científica pode vir a ter: "a realidade é sempre mais complexa do que podemos perceber; por isso pesquisamos. Ela é sempre diferente do que gostaríamos que fosse; por isso tentamos modificá-la.”.  E você, jovem pesquisador de Ciência da Informação, como se posiciona a respeito dessa questão? Como essa preocupação está evidenciada (se é que está) no seu projeto ou na formalização de sua pesquisa? 

Utilize o campo comment, abaixo, para indicar a url do seu blog onde esse ponto é discutido. Caso você não possua um blog, opine diretamente nesse mesmo campo.

O prazo, para os alunos do DINTER encerra-se às 8hs:14min do dia 02/julho/2012, horário de Brasília.

Os alunos de mestrado da UnB têm até às 13hs:59min do dia 05/julho/2012, horário de Brasília para postarem a resposta.

Não esqueçam de se identificar (nome e código).!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O papel social da pesquisa científica

Copiado de De Rerum Natura

O papel social da pesquisa científica

Caroline Lopes Durce &  Caroline Maria Beasley
(mestrandas do PPGCINF-UnB)

Tomanik e Milton Santos trazem em suas obras, a preocupação a respeito do uso das Ciências como meio de controle social. Para eles, as Ciências Sociais deve se colocar em oposição a essa corrente, e sim permitir que a sociedade conheça e perceba a realidade em que está inserida. 

Milton Santos, em seu trabalho “As humanidades, o Brasil, hoje: dez pontos para um debate”, diz que o grande desafio das Humanidades é discernir a verdadeira estrutura do Mundo. Para o autor, o “problema crucial é que a ciência, tributária da técnica e do mercado, cada vez mais se submete a princípios perversos de organização”, o que empobrece a pesquisa. 

Esse uso da ciência, abordado pelo autor, de maneira a servir ao Poder (Estado e Mercado) desvirtua o sentido de se fazer ciência, tornando às Humanidades “tributárias e não propriamente críticas”. Para o autor, as Ciências Humanas, nesse contexto permanecem em um segundo plano, já que não conseguem ter a dinâmica de resultados imediatos das Ciências Exatas. Ele defende que as Humanidades devem, mais do que nunca, fazer cumprir o seu papel, para terminar com a lógica de dominação por interesses econômicos. 

Tomanik, por sua vez, aponta que, enquanto as Ciências Sociais se mantiverem a sombra do modelo empírico proposto pelas Ciências Naturais, aquelas serão simplistas em seus objetivos e métodos. O autor afirma que a visão empirista de ciência; que prega sua objetividade, naturalidade e neutralidade; deve dar lugar a uma humanização da ciência, onde a não-neutralidade e os aspectos ideológicos são considerados possíveis. Essa humanização abre a possibilidade que os objetivos das ciências evoluam da descrição e controle para a compreensão e a transformação. Para ele, “o conhecimento científico só terá sentido se puder, de alguma maneira, ser reapropriado pela comunidade ou indivíduo a que se refere, e checado por eles, em suas práticas”. 

A nosso ver, os dois autores chamam a atenção para o papel das Ciências Sociais como contraponto no uso das Ciências para a dominação de um pensamento das classes dominantes. O cientista não pode adotar uma postura ingênua em suas opções de pesquisa. Ele deve compreender seu papel na transformação da sociedade, embora esse não seja seu fim imediato, tal como colocado por Tomanik: “Não se propõem mais [as Ciências Sociais] a conhecer para controlar, mas compreender para participar.” 

Referências:
  • SANTOS, Milton. As Humanidades, o Brasil, hoje: dez pontos para um debate. In: HUMANIDADES, pesquisa, universidade. São Paulo: Comissão de Pesquisa/FFLCH-USP, 1996. p.9-13. 
  • TOMANIK, Eduardo Augusto. O que é ciência? : a ciência no discurso dos cientistas. In: ______. O olhar no espelho: “conversas” sobre a pesquisa em Ciências Sociais. 2. ed. rev. Maringá: Eduem, 2004. Cap. 3, p. 55-113.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ganhe um livro para analisar o Projeto Memória Ferroviária


O intuito deste post não é apenas apresentar uma boa inciativa de "webzação" de projeto, mas dar continuidade as práticas que sempre nortearam este blog, ou seja, ser um espaço plural de discussão de pesquisas, como pode ser visto nos inúmeros projetos discentes aqui linkados. 

O coordenador do Projeto Memória Ferroviária (PMF) me perguntou sobre algumas sugestões que eu poderia dar ao ambiente virtual do seu projeto. O "resumo da ópera" do que escrevi a ele está ligado ao fato de meu olhar ser focado com a perspectiva bloggeira, que gostaria de ver mais dinamicidade, interação, colaboração etc. Será que toda pesquisa tem mesmo que apresentar tais características quando vai à web? De qualquer modo já está mais do que na hora de a academia começar a usar&abusar da web para divulgar pesquisas.


Sugestão de atividade: criticar construtivamente o site PMF, usando o ambiente dos comments, abaixo, para isso. 
  • Prêmio: a melhor análise, se tivermos um mínimo de 10 participações, concorrerá a um exemplar do livro "O olhar no espelho" de Eduardo Tomanik, bibliografia obrigatória para os alunos de Metodologia do Mestrado do PPGCINF/UnB em 2012. 
  • Prazo para concorrer ao livro: 23/12/2011
  • Julgamento: Prof. Eduardo Romero de Oliveira (coordenador do PMF)
  • Entrega do prêmio: no PPGCINF-UnB, para os residentes em Brasília; a combinar para os demais.
ATENÇÃO:  atividade OBRIGATÓRIA para os alunos do GSI/FT-Redes.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A importância da linguagem em pesquisas científicas

Copiado de Help with Technical and Scientific Writing
Por Janaína Bezerra
(mestranda do PPGCINF-UnB

No decorrer da disciplina, quando utilizamos como base o texto de Tomanik (2004) foram realmente novas “conversas” sobre as pesquisas sociais, porém não é o meu objetivo aqui falar de todas essas novas descobertas e conversas, mas tão somente salientar a importância da linguagem em pesquisas sociais. A escolha dessa temática não se deve ao fato  desta ser mais ou menos importante que os demais temas estudados, pois acredito que o cientista ao elaborar uma pesquisa científica dever estar atento a todos os requisitos que envolvem a elaboração de uma pesquisa científica.
Um dos motivos pelos os quais escolhi essa temática se deve ao fato de que achei muito interessante a importância e o cuidado que devemos ter ao elaborar uma pesquisa científica para que se torne compreensível, claro e objetivo o que estamos falando, afinal de contas temos que ter em mente que a pesquisa não ficará restrita a nossa gaveta ou biblioteca particular, mas que ela será vista, criticada e discutida por nossos pares (comunidade científica) e demais interessados e, portanto,por isso ela deverá ser clara, compreensível e objetiva, não é mesmo? Mas como fazer isso?
Não pretendo aqui ser uma manual de primeiros socorros, mesmo porque estou longe de ser o médico, talvez, no máximo ,o indivíduo que a partir de algumas observações liga para o serviço de emergência. Então, vamos lá!
Uma das primeiras observações a partir do texto de Tomanik (2004) que me chamou a atenção foi “Nossa vida em sociedade depende fundamentalmente de nossa capacidade de produzir e enviar, receber e compreender mensagens das mais diversas naturezas” (TOMANIK, 2004, p. 116). Desde que nascemos estamos diariamente em um contínuo processo de compreender e ser compreendido, exercendo e nos aperfeiçoando na capacidade, se não arte, de comunicação de informações e mensagens e, com a pesquisa científica, não seria diferente, mas seria da mesma forma o processo de linguagem? Não, claro, isso pode parecer óbvio, não é mesmo? Mas como deve ser essa linguagem? Aí está o “pulo do gato” e Tomanik (2004) nos brinda com reflexões interessantíssimas o autor afirma que esta linguagem dever ser resultado de uma reflexão mais aprofundada sobre os termos que estamos utilizando e respeito da construção da frase e, ainda,  nos informa que esta dever ser “mais estável, mais fria e “disciplinada”, para garantir a qualidade de sua comunicação, normalmente baseada em informações mais claras e precisas do que as da comunicações cotidiana” (TOMANIK, 2004, p.116) ou seja, devemos evitar expressões e termos mais coloquiais, gírias e sermos mais objetivos, claros e organizados naquilo que pretendemos informar. 
Outro ponto a ser discutido, e, que, facilita a clareza e a objetividade da linguagem científica, é  sintetizar os conceitos, ou seja, devemos nos utilizar de conceitos que não tenham muitos significados ou que dêem margem  a muitas e diferentes interpretações. Clareza, objetividade e precisão, lembram?
Até aí tudo bem? Ótimo, porque tem mais pontos que precisam ser discutidos e, agora, vamos voltar nossa atenção para outro ponto interessante a ser discutido que são os juízos de valor muitas vezes empregados em textos científicos. Mas o que são conceitos, juízos e juízos de valor? Ora, se tentarmos definir o que é uma universidade, provavelmente, diremos que é um ambiente pluridisciplinar para a formação de profissionais de nível superior, etc. agora quando definimos o que é uma boa universidade já estamos emitindo um juízo, ou seja, “o juízo, portanto, é uma relação entre conceitos” (RUDIO, 1981 apud TOMANIK, 2004, p. 120) e ainda, segundo Tomanik (2004, p. 120)” o juízo é uma relação entre conceitos que exprime muito mais uma convicção de quem o emite, do que uma efetiva característica do fenômeno a que se refere” . Então, qual a importância saber o que é conceito e o que é juízo para a ciência? Ora, porque segundo o autor do texto estudado é:

“A tarefa da ciência, portanto, é muito mais de tentar tornar claro, sempre que possível o que é conceito e o que é, ou pode ser juízo, do que se propor a eliminar total e definitivamente, os juízos do seu discurso”. ( TOMANIK, 2004, p. 121)

Duas reflexões são importantes no momento de elaboração do texto científico: Para quem se escreve e para que se escreve? A partir das repostas a esses questionamentos fica mais fácil a identificação de nosso leitor, assim como a escolha dos termos e conceitos que serão utilizados, a estrutura (discurso) enfim a linguagem que será utilizada para que o texto fique claro, compreensível, objetivo e não se torne monótono ou confuso para a leitura.
Seguem algumas reflexões extraídas da leitura do texto de Tomanik (2004, p. 127-132) que deverão ser observadas no momento de elaboração do texto científico.

  • “Jamais escreva para você mesmo”
  • “A avaliação do texto deve ser feita por membros do grupo a qual ele se destina (...) o autor não é um bom crítico de sua obra”
  • “Tenho que ter certeza que conheço os termos que emprego, que as palavras que utilizo não são apenas enfeites, aparência de conhecimento”
  • “Tenho que ter um cuidado todo especial com a clareza das frases que elaboro, além de não utilizar conceitos que não domino, especialmente, entre aqueles próprios de minha área”
  • “(...) a mudança de uma palavra na definição de um conceito pode alterar substancialmente seu significado”
  • “ A preocupação com a clareza, porém, pode evitar a elaboração de textos pretensiosos e fúteis, em que a pobreza de conteúdo procura se ocultar sob a forma de um discurso rebuscado e hermético” 

             Escrever um texto científico é uma tarefa nada fácil, a melhor maneira de fazer é exercitando e pondo em prática. E então, vamos por em prática?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sobre o Conhecimento Científico

copiado de Galeria de Raoultrifan
Thiago Moraes (mestrando do PPGCINF-UnB)

Nas discussões em sala de aula sobre “o que é Ciência” e o “como fazer Ciência” nos deparamos com questionamentos sobre a natureza do conhecimento científico. Esta, muitas vezes é erroneamente apresentada como existente em um senso comum, onde um conjunto de regras pré-estabelecidas seriam suficientes para nortear todo o processo científico. Há, porém, uma série de fatores que influenciam esse processo e vêm por alterar a sua fundamentação. Com o objetivo de elucidar algumas dessas reflexões, exponho algumas opiniões extraídas dos textos de Tomanik (2004) e Furlan (2003). Este último autor, elaborou um artigo em que apresentou teorias que polarizaram as discussões da filosofia da ciência nas últimas décadas e serão comentadas a seguir. 

Por muito tempo, o conhecimento científico esteve suportado pelo Conceito de Indução, em que a Ciência poderia ser certa e segura, se interferências que distorcem seu verdadeiro sentido fossem eliminadas. Francis Bacon (1561-1626), autor conhecido como fundador do empirismo defendeu essa idéia nas obras que compôs em sua vida. Ao afirmar que o método científico era um método baseado em observação, que deveria ser rigorosa e isenta de preconceitos, Bacon acreditava que existiam regras precisas para a construção da ciência da natureza. 

A primeira crítica ao empirismo veio com David Hume (1711-1766) que atacou o princípio de causalidade, que é o raciocínio experimental pelo qual do presente se conclui o futuro (Ex: a água colocada no fogo vai ferver, a barra de metal aquecida vai se dilatar, amanhã fará dia etc.). Hume afirma que muitas vezes afirmarmos mais do que vemos, e assim deixamos de conduzir uma experiência imediata para fundamentar os fenômenos observados. Esse posicionamento de Hume não nega o empirismo. Ele apenas expõe uma visão de ceticismo: explicar psicologicamente a crença de um fenômeno no princípio de causalidade é recusar todo valor a esse princípio. Do particular (ocorrências datadas e situadas) não se pode inferir com necessidade o universal, que é o que interessa à ciência na elaboração das leis da experiência. 

Na época Contemporânea, Popper (1959, 1999) veio com uma crítica ao princípio da indução, afirmando que esta é um mito, não apenas do ponto de vista lógico, mas da prática científica. Popper diz que não se espera a repetição ou a sucessão de eventos para, então, indutivamente, chegar a conclusões sobre os problemas. Salta-se para hipóteses arriscadas que são testadas depois passo a passo. Dessa forma, o método indutivo estaria na origem das teorias científicas, ignorando a importância da presença de hipóteses e teorias para a organização da experimentação. 

Popper defende a metodologia falsificadora da ciência, passando a exigir que toda teoria com pretensãode cientificidade possibilite a dedução de proposições que, se ocorrerem, a falsifique, ou, que proíbao aparecimento de certos fatos, sendo tanto melhor quanto mais proíbe, ou maior seu conteúdo empírico. Dessa forma, enxerga que a ciência consiste de conjecturas ou enunciados universais na solução dos problemas, e a partir deles faz-se a dedução da ocorrência de fatos que, caso não ocorram, contradizem o enunciado geral, falsificando a teoria proposta. 

A falsificação de uma teoria, porém, não invalida esta de imediata. Para Popper existe a possibilidade de criação de hipóteses auxiliares, na tentativa de se salvar uma teoria, mas as alterações devem levar à previsão de fatos novos (falseáveis) e não ao enfraquecimento da estrutura lógica da teoria. 

Outro autor que critica o princípio da indução, mas de forma mais branda é Hempel (1981) que chama a atenção para o fato de que, sem a criação de hipóteses, o método indutivo não pode ser operante, isto é, que ele depende de hipóteses que discriminam elementos relevantes para o problema, para então verificá-las indutivamente. 

Popper salienta dois aspectos no desenvolvimento da ciência: a) conjecturas teóricas arriscadas b) refinação de teorias estabelecidas. Chalmers (1993), defensor da visão criticista de Popper, afirma que não se aprende, ou se aprende muito pouco, com conjecturas cautelosas, porque estas mais confirmam o conhecimento atual do que possibilitam avanços significativos nas teorias; elas são sempre conservadoras. Conjecturas arriscadas, ao contrário, rompem com a maneira comum de pensar, e por isso, quando confirmadas, representam avanços significativos. 

Outro autor considerado marco na filosofia/história da ciência foi Thomas Khun (1992). Em sua obra, a Estrutura das Revoluções Científicas, apresenta um relato histórico do desenvolvimento da ciência. Sua obra é considerada uma crítica à visão popperiana, não no sentido de atacar diretamente as visões deste autor, mas porque Kuhn incentiva uma visão acrítica do cientista. Este autor popularizou o termo “paradigma” que representa o pressuposto comum de uma comunidade científica, que envolve determinada concepção de mundo e um conjunto de regras de procedimentos de pesquisa. Em síntese, o paradigma é a base comum de acordo da comunidade científica, a partir da qual se desenvolvem suas pesquisas e a discussão de suas questões, e é o que Kuhn chama de teoria, no sentido amplo do termo, para enfatizar que a ciência normal não a toma como foco, isto é, não está interessada em discuti-la, mas em resolver quebra-cabeças que são questões presentes no desenvolvimento da aplicação do paradigma à realidade. 

Kuhn defende que o cotidiano da prática científica está voltado para atividades “corriqueiras” de solução de quebra-cabeças no interior do paradigma. Assim, discorda da visão de Popper, que privilegia os momentos de ruptura da ciência. Para Kuhn, é comum a presença de anomalias na comparação de uma teoria científica com a realidade, interpretadas ora como um problema de quebra-cabeças, isto é, solucionáveis no interior do próprio paradigma, ora simplesmente ignoradas. Portanto, não existem experimentos cruciais no desenvolvimento da ciência. 

Lakatos (1979) defende este posicionamento de Kuhn e propõe, em substituição ao critério popperiano de falseabilidade, a idéia de programas de investigação como metodologia das teorias científicas, que consiste em um núcleo teórico que deve orientar as pesquisas futuras para o seu desenvolvimento. Esse direcionamento é indicativo e proibitivo ao mesmo tempo, pois dirige as pesquisas no sentido de aplicação da teoria à realidade, conduzindo, se o programa tem êxito, à descoberta de fatos novos e ao desenvolvimento de teorias auxiliares. Porém, ela proíbe o questionamento do núcleo básico da teoria, por este representar a tenacidade do programa, sua persistência, a despeito das anomalias ou incongruências com a experiência. Em outras palavras, a teoria não é falsificável no núcleo básico, está protegida por um cinturão de hipóteses auxiliares, "que tem de suportar o impacto dos testes e ir se ajustando e reajustando,ou mesmo ser completamente substituído, para defender o núcleo assim fortalecido" (Lakatos&Musgrae, 1979) 

Mas a visão de Lakatos não é diametralmente oposta à de Popper, e ele defende algumas opiniões deste autor. Assim, também acredita na idéia de um progresso determinado por avaliações racionais na solução de seus problemas e na substituição de teorias. A distinção entre programas progressivos e degenerativos é um indicador de avaliação. 

Ao contrário do que se possa pensar, essas distinções de pensamento não derrubam a validade das metodologias científicas. Em seu artigo, Furlan enfatiza que há pontos comuns entre Popper e Lakatos e Kuhn. “Um dos principais é o de que enunciados de percepção dependem de teoria.” (Furlan 2003). Apesar desta visão ser enfatizada mais por Kuhn, Popper também acredita nisso ao dizer que não há experiência pura, uma vez que toda ela é organizada por questões, expectativas e teorias; o autor reconhece, inclusive, o importante papel dos mitos na organização da experiência de mundo, quando nãoera possível partir de teorias mais elaboradas sobre a realidade. 

Chalmer (1993) comenta que, para Popper e Lakatos, "a história do desenvolvimento interno de uma ciência será 'a história da ciência descorporificada'". Por ciência descorporificada, se entende o conhecimento objetivo, que transcende o sujeito que o possui. 

É criticada assim, a possibilidade de uma linguagem neutra na observação, o mito de que a experiência dos sentidos é fixa e neutra. Essa opinião também é defendida por Hume. 

Esta revolução do conhecimento científico é importante para percebermos que a visão empiricista da ciência não é mais suficiente para se fazer ciência: novas filosofias devem ser aceitas, principalmente no que concerne as ciências sociais. 

Em um próximo texto, discutirei a não-neutralidade da ciência, no sentido que as formações socioculturais do pesquisador são capazes de influenciar a elaboração do conhecimento científico. 

Referências: 
TOMANIK, E. A. O que é a ciência? A ciência no discurso dos cientistas. In: ____. O olhar no espelho: conversas sobre a pesquisa em ciências sociais. 2. ed. rev. Maringá: Eduem, 2004. p. 55-114. 
FURLAN, R.Uma revisão/discussão sobre a filosofia da ciência. FFLCRP – Universidade de São Paulo, 2003. 
MUNDO DOS FILÓSOFOS. Francis Bacon. Disponível em: <http://www.mundodosfilosofos.com.br/bacon.htm> Acesso em: Junho de 2011 
MUNDO DOS FILÓSOFOS. David Hume. Disponível em: <http://www.mundodosfilosofos.com.br/hume.htm> Acesso em: Junho de 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O conhecimento científico é...

Copiado de Science Progress
Uma das atividades que realizamos na aula do dia 16 foi identificar características do conhecimento científico utilizando Quadro 1 do Tomanik (cap. 3) como base. O processo consistiu em votação simbólica. Os 22 participantes (21 alunos + professor André) levantavam o dedo para expressar se Sim ou se Não existe tal característica. O resultado foi o seguinte:


Enquanto não existe consenso de característica do conhecimento científico nas citações dos autores analisados por Tomanik, 8 das 26 foram unânimes na contagem realizada. Elitista, fenomenológico e cumpre uma missão foram exemplos de características possíveis expostas em sala de aula. Das que deram empate (favoráveis = contrários): acumulativo; e claro preciso; constante. Os menos consensuais foram: certo e/ou previsível; falível; geral. Das características analisadas por Tomanik, critico a opção certo e/ou previsível pois gera dúvida na interpretação lógica.  

Vale observar que o processo de votação não foi nominal, eu não informava o total de votos ao final da contagem, a forma de informar as características para os votantes variou no decorrer do processo e a forma de contagem dos votos também, inicialmente foram contatos os favoráveis (sim) e os contrários (não). A partir da quarta característica, a contagem foi feita dos contrários a característica e considerado favoráveis os que não se manifestavam.

Processo de votação não é fácil.


Por Frederico Palma

sábado, 25 de junho de 2011

Atividades para a aula dia 30 de junho 2011

Formas e Linguagem da comunicação científica.

Prezados alunos da Disciplina Metodologia em Ciência da Informação, professora Sofia e professor André, encaminho os textos, indicados abaixo, que são parte da aula sobre formas e linguagem da comunicação científica do dia 30 de junho a qual terei a oportunidade de compartilhar com vocês bons momentos de reflexão. Os textos devem ser lidos para debate e análise em aula. O plano de aula com os slides também segue aqui para que vocês possam compartilhar dos objetivos e dos conteúdos compartilhados em sala de aula. Saudações, Eduardo.



Plano de Aula aqui
Textos a serem lidos PREVIAMENTE à aula de 30 jun. 2011:

1 JUNGBLUT, Airton Luiz. A heterogenia do mundo on-line: algumas reflexões sobre virtualização, comunicação mediada por computador e ciberespaço. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 10, n. 21, p. 97-121, jan./jun. 2004. Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2011. Link

2 MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. O crescimento da ciência, o comportamento científico e a comunicação científica: algumas reflexões. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 24, n. 1, p. 63-84, jan./jun. 1995. Link

3 PEREIRA, Edmeire Cristina; BUFREM, Leilah Santiago. Fontes de informação especializada: uma prática de ensino-aprendizagem com pesquisa na Universidade Federal do Paraná. Perspectivas da Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 7, n. 2, p. 197-206, jul./dez. 2002. http://www.4shared.com/document/NvEjQHGq/FONTES_INFO_ESPECIALIZADA.html
 
4 TOMANIK, Eduardo Augusto. Sobre a linguagem científica: o discurso das ciências. In: ______. O olhar no espelho: “conversas” sobre a pesquisa em Ciências Sociais. 2. ed. rev. Maringá: Editora da Universidade Estadual de Maringá, 2004. cap. 4, p. [115]-132.  Texto somente impresso.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Novo edital da APQP


Como já é tradicional (vide post aqui), a APQP torna público seu edital relâmpago anual, que praticamente não traz modificações em relação ao ano passado. Como os recursos pleiteáveis são irrestritos, acho que não cabe crítica ao limitadíssimo prazo e à forma de divulgação. Eis as regras:
"A APQP torna pública a abertura do Edital de Seleção de Projetos de Pesquisas sobre Quelônios Portentosos, de acordo com as diretrizes seguintes:

1. Os projetos são restritos à Área das Ciências da Informação.
2. Deverão ser elaborados por grupos de profissionais da área, renomados e notoriamente competentes, integrantes da disciplina de Metodologia de Pesquisa do PPGCINF-UnB.
3. Os projetos deverão ter, no máximo, uma página manuscrita.
4. Os projetos serão apresentados em sessão pública e avaliados, na mesma sessão, pelo Consultor Plenipotenciário Internacional da APQP Professor Doutor André Porto Ancona Lopez.
5. Os projetos selecionados nesta fase serão submetidos à aprovação do Consultor Plenipotenciário Internacional Sênior da APQP Professor Doutor Eduardo Augusto Tomanik.
6. O melhor Projeto receberá financiamento pleno da APQP, sem limite de verbas.
7. O prazo de entrega dos Projetos se esgota hoje, após 46 minutos da divulgação desta informação.
Maiores detalhes podem ser obtidos na url:

domingo, 29 de maio de 2011

Leituras iniciais sobre ciência

Copiado de Bichos Brasil
Fernandez Kenji Inazawa
(Bibliotecário, especialista em Gestão do 
Conhecimento e mestrando no PPGCINF-UnB)

O texto de Newton Maia é uma leitura bem humorada e leve sobre ciência, que foi indicada pelo professor de metodologia. 

O texto fala que nem tudo precisa ser científico para ser verdadeiro, ou até mesmo válido, pois a ciência se ocupa com teorias, e verossimilhanças, e não com verdades. Existem coisas que são verdadeiras, mas que não são consideradas, necessariamente, científicas.

O que distingue a ciência de outros saberes é o método. O importante é ter método para se observar e expressar de uma forma clara o que foi observado. E não podemos esquecer do objetivo, é claro, pois qualquer um, a priori, pode estudar qualquer coisa, mas focar é muito necessário. Einstein observou e expressou a teoria da relatividade pela formulação matemática, método próprio das ciências naturais. As ciências sociais tem outras formas, tão válidas quanto, de observação e apresentação de suas conclusões através de métodos próprios.

Há uma parte interessante sobre a questão controversa entre ciência e religião. Eu lembrei do livro "Vírus da mente", cujo autor diz que as idéias da religião são vírus, por que não podem ser comprovadas pela ciência, que não é beeem assim. O texto de metolodologia toca no assunto de misturar saberes e opiniões diferentes, e propõe um jeito bem legal de olhar para esse problema.

Não é um texto acadêmico, mas uma opinião muito particular de um cientista, com uma linguagem bem descompromissada. Mas é legal.

O texto de Tomanik também é muito bom de ler. E a primeira afirmação que ressalta aos olhos é a explicação do porquê do título "Olhar no espelho", que está relacionado ao preponderante papel do observador nas ciências sociais. O que esse consegue ver é apenas um imagem de si mesmo, uma interpretação da realidade, que por vezes poderá até ser fiel, mas nunca será a própria realidade.

Maia e Tomanik expressam a dificuldade de definir ciência. Contudo, Maia está bem humorado, não se esqueça disso, e propõe uma definição de "terceira categoria". Eu ri muito da gracinha.

Gracinhas à parte, vamos ao que interessa. Tomanik fala que a ciência não é um agrupamento imóvel de teorias e leis; por que ela estudar a realidade, a qual é mutável; por que a tecnologia auxiliar amplia a dinâmica de observar a realidade e de produzir conhecimento; o fato de o que é afirmado hoje, muitas vezes, pode ser desdito amanhã; e por fim, a ciência surge das necessidades flutuantes do homem, e na medida em que estas se alteram, os objetivos da ciência também se alteram.

Tomanik me incomodou um pouco quando abordou sobre a ciência precisar ter aplicação prática, ele diz assim "[...] descobrir soluções de problemas é a função da ciência". Maia e Santos também parecem que sentem o mesmo incômodo que eu. Não concordam com essa visão utilitarista. Mas, Tomanik se contradiz quando fala que o conhecimento da teoria e das formas de investigação próprias da área de formação acadêmica dos futuros profissionais de curso superior é indispensável, ou seja, ele não pode ser somente um técnico com um diploma na mão, pois os desafios do mercado pedem pessoas que saibam "adaptar soluções" de acordo com "cada problema". 

Com relação às ciências humanas, Santos não se esquiva de se posicionar contra o utilitarismo implantado na mente da sociedade quanto à ciência, que pensa que é necessário apenas olhar o presente, mas a tarefa da universidade é conquistar o futuro, é olhar para a frente.
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OBS
  • Uma versão menos coloquial do texto de Kenji pode ser baixada aqui
  • Outro comentário sobre os mesmos textos, por outro autor, pode ser visto aqui.

REFERÊNCIAS: 
  • TOMANIK, Eduardo Augusto. Algumas noções preliminares sobre a ciência: por que pesquisar? In: ____. O olhar no espelho: conversas sobre a pesquisa em ciências sociais. 2. ed. rev. Maringá: Eduem, 2004. p. 13-29. 
  • SANTOS, Mílton Almeida dos. As humanidades, o Brasil, hoje: dez pontos para um debate. In: HUMANIDADES, pesquisa, universidade. São Paulo: Comissão de Pesquisa/FFLCH-USP, 1996. p.9-13. 
  • FREIRE-MAIA, Nilton. O que é ciênciaCadernos do IFAN. Bragança Paulista: USF, nº 16, 1997. p. 51-87.
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Como modo de ampliar a discussão tão bem iniciada pelo Kenji, sugiro que cada um que cada pesquisador reflita sobre os tópicos abaixo, extraídos do livro do Tomanik, tendo como contraponto de discussão o próprio projeto:

CAP 1 - O que é ciência?
1.1. Ciência: Constantes transformações - identificar na proposta:
a) possibilidades de mudança da realidade;
b) possibilidades de novos campos em relação ao avanço científico da área;    
c) possibilidades de críticas;
d) pertinência da proposta em relação às modificações da sociedade.
1.2. Objeto: necessidade de definição - identificar na proposta: 
a) qual é o objeto (tema) principal e quais áreas do saber estão relacionadas? 
b) idem objetos derivados.
1.3. Método: importância a do método para elaboração de novos conhecimentos e vice-versa - identificar na proposta::
a) possibilidades de elaboração de novos conhecimentos.
1.4. Objetivos/Razões: foco nos objetivos gerais, os motivos para se realizar tal pesquisa - identificar na proposta:   
a) grandes objetivos que pretende atingir;    
b) principais motivos para realizar a pesquisa;
c) limites entre o que se quer e o que será feito.
1.5. Dificuldades: nem tudo são rosas, trabalho árduo, com mais fracassos que sucessos - identificar na proposta:   
a) principais entraves;
b) possibilidades de fracasso;
c) competências a serem adquiridas.

A lista acima não é um questionário. Representa apenas um rol de possíveis pontos de reflexão a serem, eventualmente, desenvolvidos (ou não) pelos interessados, sob as mais diversas formas: comentário neste post, elaboração de paper, elaboração de postagem para blog, excerto da reflexão teórica da própria pesquisa, início de artigo etc.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Início da turma 1/2011

copiado do blog "The secret Sun"

Hoje, após alguma indefinição quanto aos alunos especiais a serem aceitos na turma, a disciplina de Metodologia, destinada aos alunos regulares do mestrado em Ciência da Informação da UnB, enfim recomeçou, com uma nova turma. O programa atual está compartilhado com a Profa. Sofia Galvão Baptista, que se encarregará de ajudar ao alunos na consolidação dos projetos iniciais de pesquisa. Em um segundo momento, eu me encarregarei de estimular um processo de análise e discussão conceitual, com vistas à reflexão analítica dos alunos sobre os limites de seus projetos.

Como "aperitivo" desta discussão hoje assistimos ao primeiro episódio do seriado "Arquivo X" para estimular a discussão sobre o enfoque científico e a necessidade de provas para a compreensão de um fato (Dana Scully) em contraposição à uma pré-definição anterior ao fato, direcionadora (e seletiva) da interpretação dos elementos investigados para a sua comprovação (Fox Mulder). O vídeo (episódio piloto, da primeira temporada) leva pouco de menos de 50 minutos. Aqueles que não possuem acesso a ele e quiser rever o exercício podem exercitar o inglês em um versão com som original e legendas em vietnamita que encontrei na web. Para não infringir direitos de divulgação, este blog limita-se a incorporar o link apenas: http://www.viddler.com/explore/kso1/videos/12/

O curso tem o seguinte cronograma preliminar:

Data
nª da aula
Tópico
Responsável
24-mar
1
Abertura
André e Sofia
31-mar
2
1. A Ciência e o conhecimento científico:
Sofia
7-abr
3
2. O Método científico
    a) Conceitos gerais sobre: variável independente/dependente.
14-abr
4
    b) Tipos de pesquisa:
        · experimental
21-abr
FERIADO

28-abr
5
        ·  quantitativo-descritiva;
5-mai
6
        ·  exploratória
12-mai
7
        ·  qualitativa
19-mai
8
Painel geral
André e Sofia
26-mai
9
3. Implicações do "fazer ciência":
André
    a) o que é Ciência?
2-jun
10
    b) diferenças entre problema, método e teoria;
9-jun
11
    c) bases empíricas e conceituais
16-jun
12
    d) o papel social da pesquisa científica;
23-jun
FERIADO

30-jun
13
    e) formas de divulgação científica
7-jul
14
    f) pesquisa em Ciência da Informação como conhecimento e como ação
14-jul
15
Painel geral
André e Sofia


Para a minha parte será usado, como livro-texto, o "Olhar no Espelho" de Eduardo Tomanik. Afim de evitar o exercício de cópias desautorizadas será feito um pedido à editora, que poderá, se houver interesse , ser ampliado para outros interessados daqui de Brasília. Como há a necessidade de fechar lista de interessados, arrecadar $$$, fazer o pedido, aguardar o frete e redistribuir os exemplares a tempo de ler os primeiros capítulos para o dia 26 de maio, é necessário que a manifestação de interesse e confirmação seja feita com brevidade . Favor indicar no campo comment e-mail para contato caso deseje pegar carona no frete da turma. Atenção: os alunos regulares NÂO DEVEM preencher esse campo. Devem entrar direto em contato comigo, por e-mail, conforme foi indicado em sala.