Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

Mostrando postagens com marcador Produção intelectual. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Produção intelectual. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

McTese Feliz! (Supersizing)

Fonte: http://ragamuffinsoul.com/
Recebi um excelente artigo do amigo Fernando Franca publicado na revista Pragmatismo Político (AQUI). Em julho deste ano a revista em questão discutiu um tema relevante, abordado vários momentos aqui neste blog: a doença da normalidade que assola a produção de conhecimentos acadêmicos. 

Podemos imaginar Peter Higgs, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2013, num mundo acadêmico envolto pelo fantasma do "produza ou pereça"? Onde estão as ideias originais que necessitam de tempo de maturação para aprimoramento? Com sistemas de avaliação cada vez mais focados em produtividade a "normose" acadêmica faz como vítima o próprio conhecimento. Randy Schekman, Prêmio Nobel de Medicina deste ano, argumenta que a pressa intensifica a improbabilidade de opção por trabalhos mais relevantes em detrimento da perseguição aos campos científicos da moda. Schekman vai além ao afirmar que devemos evitar de avaliar o mérito acadêmico pela produção de artigos.

Os ex-ganhadores de Nobel Prizes destacam que a qualidade das pesquisas são influenciadas diretamente pela meritocracia produtivista dos sistemas de avaliação de pesquisadores e pelos professores dos programas de pós-graduação que impedem os discentes de percorrer caminhos mais incômodos. Esse sistema os transforma em meros burocratas da produção de replicações científicas. A exigência de produção é um estímulo retroalimentador do status quo, reforçando a mensagem subliminar de que fugir ao normal é perigoso. Em outras palavras, os pesquisadores não devem trocar o certo pelo duvidoso, não sendo incentivados a tomar caminhos mais arriscados.

Ao que parece, a meritocracia produtivista traz as ilusões de progresso e eficiência que não podem nunca se realizar. Isso porque a própria burocracia se tornou uma força modeladora inescapável, orientando as ações dos acadêmicos. Os meios se tornaram fins. E agora somos burocratas avessos aos riscos e às mudanças.

Isso me faz lembrar as palavras do pensador Milton Santos, também utilizado por este blog: até quando escolheremos o produtivismo estéril por simples legitimação profissional?

Vale a pena a leitura do texto e também uma boa dose de discussão.

Rodrigo Ávila

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Redes de conhecimento intelectual


A história intelectual é fundamental para que possamos melhor compreender as correntes, as redes de relacionamento e os autores protagonistas (pesquisadores, cientistas, filósofos. escritores etc.). Isso serve para qualquer área do conhecimento, porém, como tendência da formação das bases filosóficas de uma sociedade, a produção relacionada às Humanidades torna-se um objeto de estudo preferencial. 

No Brasil, Helenice Rodrigues da Silva foi quem traçou as bases atuais para esse tipo de estudo. Em homenagem à sua prematura saída de cena no ano passado (ver post aqui), a revista "Vozes, pretérito & devir" acaba de publicar um volume especial dedicado ao tema.

O editorial do fascículo, escrito por Francisco Atanásio, assim apresenta a homenageada: 
Helenice Rodrigues da Silva foi professora adjunta do programa de graduação e pós-graduação em história pela Universidade Federal do Paraná. Dentre as diversas atividades intelectuais em que esteve ligada, fez parte do conselho editorial da Revista “Vozes, Pretérito e Devir”. Dentre as sugestões propostas para o periódico, idealizou um dossiê voltado ao pensamento intelectual vinculado ao exercício historiográfico, o qual consequentemente deu origem ao atual dossiê. Muito dessa proposta está associada à própria formação da historiadora, que viveu há mais de duas décadas na França, onde obteve os títulos de mestre e doutora ("doctorat d'État ") pela Université de Paris X-Nanterre, pós-doutorado pelo Institut d'Histoire du Temps Présent, além de atuar como pesquisadora pelos Centre National de la Recherche Scientzfique e École de Hautes Études en Sciences Sociales. Em tais ambientes pode conviver, compartilhar e aprender com intelectuais como P. Bourdieu, M. de Certeau, M. Foucault, Jacques Becker, F. Dosse, entre outros. Parte substantiva de seus estudos foram dedicados à compreensão das dimensões epistemológicas do pensamento intelectual no mundo ocidental, especialmente o pensamento engajado dos intelectuais franceses no século XX. No dia 09 de maio de 2012 Helenice veio a falecer em virtude de complicações decorrentes de um acidente vascular cerebral.
Aceda ao volume especial "Intelectuais, historiografia e literatura" aqui.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A ciência nua e crua


O que separa a simples indagação, ingênua, de uma criança - sobre, por exemplo, por que existe dia e noite -, de uma verdadeira pesquisa "científica"? Uma listagem das diferenças contemplaria inumeráveis itens; dentre eles, alguns relacionados à institucionalização da produção do conhecimento e à legitimação institucional do modo de produzir tal conhecimento. É isso mesmo, trata-se de legitimação dos métodos e de instituições legitimadoras de tais métodos e resultados; esse últimos, nessa acepção, importam muito pouco. A boa instituição é aquela que produz excelentes indicadores de, por exemplo, artigos publicados. Quem os lê e qual a qualidade dos mesmos são questões irrelevantes. Tentando solucionar esse problema, outros indicadores foram criados: por exemplo, sobre o impacto e as citações feitas aos textos. Novamente, ao invés de trabalhar com os objetos concretos, continua-se a lidar com simulacros do real, espectros do conhecimento, a ponto de, como sói acontecer nas instituições e práticas científicas, a representação passar a ser mais importante do que seu referido, em um círculo vicioso de reificação. 

A grande questão parece não ser a prática da substituição em si, porém o discurso falacioso, vazio e hipócrita de pesquisadores supostamente comprometidos com a produção de conhecimento científico social e historicamente relevante, mas que, na verdade, apenas se comprometem com suas verbas, as estatísticas e a legitimação de tal cenário por seus pares. Aos poucos que se esforçam para não jogar esse jogo, mesmo estando à mesa, geralmente restam três caminhos: o conformismo alienado, a resistência em trincheiras e a desistência honrosa. Um simples olhar para alguns colegas e espaços administrativos de qualquer universidade é suficiente para caracterizar o primeiro tipo. As trincheiras isoladas, a cada dia, graças às redes sociais e às TIC, conseguem começar a incomodar, porém, ainda de modo muito limitado em termos de escala. Muitos dos posts difundidos neste blog podem servir como ilustração de algumas dessas práticas de resistência, seja por eles mesmos, seja por situações e textos neles abordados. 

O post de hoje visa trazer à baila o recente protesto/denúncia feito por um estudante de doutorado que, após se cansar das práticas hipócritas e autolegitimadoras da academia, optou por largar o curso, escrevendo uma carta de desistência que permite discutir muitos aspectos interessantes sobre o fazer ciência, além de desnudar, despudoradamente, alguns mantos intocáveis da "academia". Sua carta, que é quase um ensaio (mas não seria aceita para publicação por nenhuma revista "tradicional", por não ter uma seção "metodologia") traz, além da introdução, as seguintes partes: (i) "Academia: não é ciência é um empreendimento"; (ii) "Academia: “Trabalhe duro, jovem Padawan, para que algum dia você também possa dirigir seu próprio laboratório"; (iii) "Academia: a mentalidade da cabeça"; (iv) "Academia: onde a originalidade te destruirá"; (v) "Academia: o buraco negro do oportunismo na pesquisa"; (vi) "Academia: estatísticas a granel"; (vii) "Academia: a terra selvagem dos egos gigantes"; (viii) "Academia: o maior truque jamais realizado foi convencer o mundo sobre sua necessidade".

A discussão sobre se é mais fácil fugir do que lutar escapa ao âmbito desse blog. O interesse recai sobre o texto apresentado e sua argumentação e não sobre a decisão pessoal tomada. 

Aceda ao texto original aqui e lembre-se, durante a leitura, da escola de bruxaria tão bem retratada pela autora de Harry Potter, cuja inspiração é, em boa parte, oriunda dos muros da academia.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Novo grupo de pesquisa.



O recém formado grupo de pesquisa R.E.G.I.I.M.E.N.T.O., da Universidade de Brasília, tem o professor Claudio Gottschalg Duque como líder. O campo de investigação científica se concentra nas Ciências Sociais Aplicadas e Ciência da Informação. 

O objetivo deste grupo é pesquisar o estado da Arte da Arquitetura da Informação, Linguística Computacional, Ontologias e Multimodalidade, identificando as vantagens e desvantagens do ponto de vista de aplicação prática de teorias destas áreas e propor a utilização conjunta de conhecimento, tanto no desenvolvimento/adaptação de material acadêmico/de ensino especificamente, mas não limitado a, tais como produtos interativos virtuais e educacional/de ensino, tais como livros digitais, a educação virtual. 

O Grupo já produziu um livro que se encontra atualmente no II (em português) e III (em inglês) volumes, bem como vários artigos em periódicos e eventos de diferentes áreas do conhecimento humano (basicamente, Ciência da Informação, Ciência da Computação e Pedagogia). 

Conheça a página oficial no diretório do CNPq aqui

domingo, 12 de maio de 2013

Em memória de Helenice Rodrigues da Silva

Uma das características da diplomática é o estudo dos procedimentos formulares típicos de determinados documentos, que incluem bem saber qual é o tipo, a ordem, a disposição e o comportamento da informação. Esse obituário, de saída, será diplomaticamente imperfeito. Nada sei das primeiras fases da vida de Helenice. Sei apenas que era mineira e isso transparecia em sua doçura e eterna simpatia. O gosto por boas e agradáveis conversas de fim de tarde, absolutamente descomprometidas ‑ sempre acompanhadas por suco, chá ou café e, obviamente, alguma coisa doce, como um bolo ou um pão ‑ revelavam, como manifestações fenotípicas, sua mineiridade... Tais gostos caíram como um luva, imagino, quando foi viver na França, onde trabalhou com vários intelectuais destacados, dentre os quais o mais emblemático para mim: Michel de Certeau. Com exceção de um ou outro comentário, um ou outro episódio por ela contado em algum chá da tarde, muito pouco sei sobre sua vida na França e os motivos que a fizeram voltar ao Brasil.

Conheci Helenice quando regressou ao Brasil, depois de mais de duas décadas, e tentava encontrar seu espaço profissional no país. Saiu da França como pesquisadora associada do CNRS e passou uma temporada no Brasil como professora visitante em diversas universidades, entre elas Unicamp, UNESP e USP. Nesta última, tive o privilegio de ser ouvinte em um curso sobre história intelectual, por ela ministrado em 1997. Um dos desdobramentos práticos desse contato foi a criação de um Grupo de Trabalho, junto ao simpósio Anpuh (Belo Horizonte, 1997), sobre o pensamento relacional em Cassirer, Panofsky e Bourdieu. As reflexões nesse grupo, antes e depois da Anpuh, me levaram a publicar um artigo cujas bases conceituais vieram a constituir a linha teórica dorsal de minha tese de doutorado.

Aprendi com Helenice duas coisas fundamentais para a formação e a prática de qualquer pesquisador: a primeira é que conhecer a história do pensamento filosófico e das escolas é algo vital para saber onde se pisa e com quais autores e conceitos se está lidando. A segunda é que as bases teóricas devem ser uniformes, isto é, referem-se a uma dada percepção de um objeto e, portanto, devem trabalhar com autores complementários; ou seja, há autores que não devem ser misturados, ainda que todos tenham abordagens importantes e úteis para a compreensão de um dado problema. Quando compreendi isso, pude continuar a me aprofundar na combinação Panofsky-Gombrich, para melhor estudar fenômenos relacionados à imagem (porta de entrada para meu objeto de pesquisa: os documentos fotográficos), deixando de lado, sem arrependimentos, os instigantes textos de Sartre, Gilbert Durand, Merleau-Ponty (e outros) sobre imagem e imaginário.

Pouco tempo depois, me contou que havia sido aprovada em um concurso para a federal do Paraná, onde vivia às turras com a “burrocracia” universitária brasileira. Enfrentou problemas para que os títulos obtidos na França (que haviam sido aceitos para efeitos de aprovação), também fossem considerados para sua alocação na carreira. Sempre tentou viver em Curitiba como se estivesse em uma cidade européia. É verdade que o clima frio, somado a alguns espaços culturais da cidade, pode ajudar nessa ilusão, se não houver muita exigência quanto à similaridade. 

Sempre mantivemos, mesmo à distância, algum tipo de contato. Em 2001 pude, novamente, considerar-me privilegiado, por tê-la, em minha banca de doutoramento. Em 2003, participei da banca de mestrado de uma orientanda de Helenice, em Curitiba. Na véspera, fomos jantar em um restaurante muito agradável, razoavelmente vazio, mas para o qual ela, obviamente, como boa “francesa”, já havia feito uma reserva. Depois da banca, como era de se esperar, fomos tomar um café à moda europeia. Em 2005 mudei-me para Brasília, aumentando a distância e diminuindo a frequência do contato, que ficou limitado a alguns poucos e-mails. Em fevereiro de 2012, ela me convidou para participar de um importante evento que estava organizando com seu grupo de pesquisa. Ao chegar lá, soube por sua melhor amiga, Germaine, que pouco tempo antes ela enfrentara seriíssimos problemas de saúde (um coágulo cerebral) e quase havia morrido. 

O evento, a Jornada de Estudos Interdisciplinares e Transnacionais “Circulação das Ideias e Reconfiguração dos Saberes”, trazia como eixo temático a “mundialização do conhecimento: circulação de conceitos e de paradigmas teórico-metodológicos; a virtualização dos saberes” (o blog ainda está no ar em: http://historiaintelectualufpr.blogspot.com/). As apresentações e debates foram de altíssimo nível, recuperando a importância da realização deste tipo de evento no Brasil. Aqui, quer pela pressão desmedida para a produção de indicadores de produtividade, quer por provincianismo, cada vez mais, os eventos científicos, mesmo que modestos, são criados com denominações ambiciosas (congresso, workshop internacional etc.). A simplicidade de Helenice jamais combinaria com algo pomposo. Para as jornadas vieram pesquisadores internacionais de primeira linha, que se revelaram também excelentes pessoas e ótimos companheiros de viagem. Nessas jornadas fiquei amigo de Márcia Consolim (que, assim como Helenice, é brasileira mas pensa em francês), Francisco Pinedo (da Universidad de Talca, com quem me encontrei, ainda esse ano, no Chile) e Patrick Bégrand (pesquisador francês, plenamente proficiente em espanhol), que me deu a horrível notícia, nesta sexta-feira cinzenta, do falecimento de nossa querida amiga.

Além de sua produção intelectual (o Lattes ainda está disponível online em http://lattes.cnpq.br/8329635075312925), o legado de Helenice é imenso, sobretudo a sua contribuição no desbravamento de um campo pouco explorado no Brasil: a história intelectual – que aborda, também, a compreensão da formação histórica das ideias de uma sociedade e os modos de agir oriundos de tal entendimento; ou seja, permite que analisemos as bases que inspiraram os atores históricos e as transformações sociais. Em um mundo acadêmico cada vez mais compartimentado, cartesianamente definido por normas, standarts e rankings (ISO, ABNT, Qualis etc.), é necessário que não se perca a compreensão de que os fenômenos são históricos e feitos por pessoas e que a produção intelectual de algumas delas tem efeitos absolutamente transformadores.

A Jornada me proporcionou, além dos bons frutos acadêmicos, além das ótimas amizades ali iniciadas, a única foto que tiramos juntos, logo após o jantar de encerramento do evento. Ficam comigo a lembrança da amiga querida e uma imensa saudade.

foto: Patrick Bégrand - 23/08/2012
Madrid, 10 de maio de 2013

terça-feira, 12 de junho de 2012

O que é Qualis?

Adaptado de Cinefalopatas
A pergunta parece tola para aqueles que respiram cotidianamente a pós-graduação brasileira, mas, em conversas, com muitos colegas, percebi que há muito desconhecimento no ar.

O Qualis é um sistema de rankeamento da publicação de artigos dos professores e alunos de pós-graduação brasileira e, supostamente, abrange TODAS as revistas onde publicamos, em qualquer área do conhecimento (coisa de louco...).

O sistema atual tem 7 estratos:
  • A1 - para periódicos de excelência internacional reconhecidos como relevantes no Brasil (pode haver periódicos nacionais na lista desde que tenham alcance internacional) 
  • A2- para periódicos de excelência reconhecidos como relevantes no Brasil (é um nível realmente muito bom para se publicar) 
  • B1 - B2 - B3 = em ordem decrescente de "qualidade" para o "resto" dos periódicos
  • B4 e B5 = periódicos bem mais inferiores no sistema de avaliação 
  • C = é periódico só na definição técnica, mas tem por atribuição avaliativa valor=zero 
O sistema é para avaliação de programas de pós e não de pessoas. Apesar dos elaboradores do serem contrários à utilização do para a análise currículos pessoais essa prática vem sendo cada vez mais utilizada. Por ser destinado a programas os Qualis de uma revista ou de outra podem variar entre as áreas. Por exemplo a revista História, Ciências, Saúde-Manguinhos é B1 em Saúde Coletiva, porém, na área do programa ao qual eu estou vinculado (Ciências Sociais Aplicadas 1) ela é apenas B2. Ou seja, se eu, por acaso, publicasse um artigo nela, ele teria muito menor pontuação (para meu programa) do que se eu publicasse na revista Ciência da Informação, que é A2 na minha área e apenas B5 na área de História. 

Há uma regra de proporção que limita a quantidade dos que podem ser A1, A2 e B1, para, teoricamente, evitar que uma área acabe por nivelar por baixo sua produção e considerar quase que a totalidade de seus veículos como superiores à media. A aplicação de tal regra, no sistema atual também é vista como formalisticamente estagnadora do desenvolvimento dos programas, conforme defende João Pereira Leite em editorial da Revista Brasileira de Psiquiatria (veja aqui). Pelas definições, a soma de A1+A2 não pode se maior do que 25% dos periódicos nos quais cada área publica. Isso significa que nunca uma área poderá estar majoritariamente publicando em revistas de excelência, o que é corroborado pela outras duas regras de "qualificação":
  • a quantidade de periódicos em A1 tem que ser inferior à quantidade de periódicos elencados em A2; 
  • a soma de A1+A2+B1 não pode ser superior a somatória de todos os outros periódicos das demais categorias; ou seja não é possível que nenhuma área publique mais do que metade de seus artigos em revistas muito boas e/ou excelentes.
Maiores detalhes estão na página da CAPES (ver aqui), na qual há o link para a consulta dos periódicos na base de dados Qualis (não roda no Chrome, apenas no Firefox e no Internet Explorer).

Leia aqui outro post publicado neste blog sobre o Qualis.

sábado, 28 de janeiro de 2012

A volta da caça às bruxas ameaça o desenvolvimento científico

Copiado de "Megaupload"
Em 1940 os Estados Unidos iniciaram uma "cruzada" anti-comunista, encabeçada pelo senador McCarthy, que transformou-se em uma verdadeira caça às bruxas, com episódios lamentáveis de delação, perseguição e danos irreparáveis à produção artística, intelectual e científica. Hoje unanimidades mundiais, Chaplin e Orson Welles foram colocado em listas negras. Não se trata de defender este ou aquele projeto político, porém de analisar criticamente como a legitimação de procedimentos de exceção generalizados e aplicados indiscriminadamente acaba por ser muito mais danoso do que os efeitos do que se tentava combater.

Marx, no 18 Brumário, já alertava que a história acontece como tragédia e depois se repete como farsa. Hoje um conjunto de instrumentos legais, cujo acrônimo é SOPA, recentemente aprovados permitem que o governo estadunidense feche os sites que desejar com base em denuncias hospedagem de material "pirateado". Notem bem a semelhança assustadora que continua haver em episódios distantes no tempo mais de 70 anos: a denúncia é suficiente para desencadear ações punitivas. Em mais de 70 anos, não! Em mais de 300 anos se formos considerar que na época da inquisição algum "denunciado" dificilmente escapava da punição, não importando quais fossem os fatos. 

Copiado de "Log (WTF?)"
O fechamento recente do site do Megaupload é, infelizmente, o prenúncio de ações mais drásticas e danosas que irão comprometer seriamente a liberdade de expressão e o desenvolvimento de pesquisas ao redor do mundo. A questão principal é a responsabilização do site por ações consideradas ilegais por qualquer um dos seus participantes. Por exemplo, por conta do fechamento do Megaupload, trabalhos finais de curso de meus alunos de graduação não mais estão disponíveis ao público. Não apenas a liberdade de expressão foi vilipendiada, mas a ampla circulação de ideias foi totalmente comprometida. A lógica da SOPA é mais ou menos a seguinte: se o seu vizinho é suspeito de ser criminoso, você e todos os demais moradores do seu prédio ficarão em prisão domiciliar por tempo indeterminado, sem comunicação com o resto do mundo. A grande questão é que apesar da SOPA ter vigência somente nos EUA é lá que estão hospedados a maioria do arquivos.

A simplicidade do cartunista argentino Quino com sua personagem Mafalda bem ilustra a irônica e trágica situação atual.
Copiado de "Factoría Olaf"

A comunidade 2.0 e 3.0 mundial tem convocado protestos virtuais e sinalizado com boicotes, porém a representatividade da hospedagem de arquivos em servidores estadunidenses é deveras significativa e já está comprometendo seriamente importantes redes científicas de intercambio e construção de informação, conforme denuncia o prof. Dr. Zapopan Martín da Universidade de Sheffield:
"Caros colegas,
O periódico internacional, de acesso aberto e revisado por pares, "Critica Bibliotecologica: Revista de las Ciencias de la Informacion Documental" manifesta apoio aos cidadãos estadunidenses e aos usuários da Internet ao redor do mundo para protestar contra os seguintes atos dos EUA: SOPA (Stop Online Piracy Act), PIPA, e o Research Works Act feitos para dificultar a liberdade de informação na Internet e para dificultar o acesso e uso de informação por instituições mantidas com financiamento público!
Não ao SOPA dos EUA!
Não ao PIPA dos EUA!
Não ao Research Works Act dos EUA!
Não ao ACTA dos EUA!
E NÃO A QUALQUER LEGISLAÇÃO DRACONIANA DOS EUA (OU DE QUALQUER OUTRO PAÍS) QUE UNILATERALMENTE PRETENDA SUBMETER OS CIDADÃOS DO PLANETA A SEREM ESCRAVOS E CONSUMIDORES DE INFORMAÇÃO!!!!!!
JÁ É TEMPO DE OS CIDADÃOS DO PLANETA DESTRAVAR E QUEBRAR, POR QUALQUER MEIO, AS BARREIRAS À INFORMAÇÃO, AO CONHECIMENTO E À SABEDORIA QUE SÃO IMPOSTAS DE MODO IRREAL POR UM PEQUENO GRUPO DE GRANDES LADRÕES CAPITALISTAS E BURGUESES E POR VERDADEIROS PIRATAS DOS EUA, REINO UNIDO, CANADÁ, ITÁLIA, FRANÇA, ALEMANHA, JAPÃO, RÚSSIA E PELA MAIORIA DE SEUS GOVERNOS-FANTOCHES AO REDOR DO MUNDO, QUE EFETIVAMENTE ROUBAM E PIRATEIAM OS RECURSOS NATURAIS  DO PLANETA E AS CRIAÇÕES INTELECTUAIS E CULTURAIS PARA DEPOIS REVENDÊ-LAS AOS CIDADÃOS DO PLANETA A PREÇOS ESTRATOSFÉRICOS!!!!!!!!!!!!!!! 
A TODOS OS SERES HUMANOS QUE TÊM CÉREBROS E REALMENTE QUEREM UTILIZÁ-LOS:  VAMOS NOS SUBLEVAR E PROTESTAR EM CADA CANTO, EM CADA TRINCHEIRA AO REDOR DO PLANETA CONTRA ESSES GRUPELHOS DE LARÁPIOS CÍNICOS, CAPITALISTAS E BURGUESES ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS E TENHAMOS QUE PAGAR PELOS SINAIS DE FUMAÇA QUE IREMOS UTILIZAR PARA NOS COMUNICAR DEPOIS QUE NOSSO PATRIMÔNIO CULTURAL, CIENTÍFICO, TECNOLÓGICO E HUMANISTA FOR CONDENADO ÀS CINZAS PELOS ATUAIS LADRÕES CÍNICOS, CAPITALISTAS E BURGUESES!!!!!!!!!!!!!!!"
O furor do prof. Zapopan talvez seja um pouco exagerado (porém necessário) e reflete bem um risco real e de um processo que já se iniciou e que, certamente, terá consequências bastante perversas para a sociedade da informação no que tange à democratização do saber, seu acesso e construção dinâmica. Aqueles que quiserem melhor acompanhar o debate sobre a liberdade de expressão na Internet podem acessar a página da Electronic Frontier Foundation (EFF) e, em especial o artigo intitulado "Temos todo o direito de estar furiosos o ACTA". Para aqueles que ingenuamente creem que as novas normas dos EUA não lhes dizem respeito fica o antigo (e sempre atual) alerta:
Copiado de "Diplomática e Tipologia Documental - UnB"

sábado, 31 de dezembro de 2011

2012 - abertura da temporada de Lattualização

 - Dona Capes, este ano eu não publiquei, não orientei, não apresentei nada e mal dei aulas; o que devo fazer?
- Apenas indique as aulas dadas em "Atuação Profissional - Vínculos/Atividades",  e não esqueça de clicar no envio das atualizações.
- Só isso? Obrigado.
- Ah,  prometa que no ano que vem você ira´produzir mais.
- Prometido!

Com a virada do ano começa a época de atualização curricular dos pesquisadores brasileiros, atividade obrigatória para todos os que estão ligados a algum programa de pós-graduação. A lógica é informar a grande-irmã CAPES de tudo o que fizemos no anos pregresso. Com base nos Lattes atualizados dos pesquisadores, os programas preenchem um outro formulários, muito maios complexo, com os dados consolidados do coletivo dos professores e alunos. O irônico é que quanto mais produtivo o pesquisador for mais trabalho insano ele terá para "enquadrar" sua produção  nas categorias estanques do formulário. Alguns pesquisadores mais ingênuos perdem tempo precioso para incluir e padronizar palavras-chave (que nunca são acessadas) e setores de aplicação (que são modificados a todo tempo). O ideal de ir atualizando os dados à medida em que a produção vais sendo realizada nem sempre é viável para pesquisadores envolvidos com projetos, orientações e atividades administrativas. A parte positiva de tudo isso é que muitos poderão aproveitar uma parte dos merecidos dias de férias em 2012 e lattesjar o que seja necessário (veja aqui post sobre o significado do neologismo).

Aproveitando o espírito festivo do fim de ano segue uma piadinha bastante conhecida na net:
Por que Deus nunca chegará a ser pesquisador de produtividade?
1. Só tem uma publicação.
2. Esta publicação não foi escrita originalmente em inglês.
3. A referida publicação não consta do Qualis.
4. Há quem duvide que Sua publicação tenha sido escrita por ele mesmo. Em um exame rápido, nota-se a mão de, pelo menos, 11 colaboradores.
5. Desde Sua (questionada por muitos) criação do mundo não produziu mais nada.
6. Dedicou pouco tempo ao trabalho (apenas 6 dias seguidos).
7. Poucos colaboradores Seus são conhecidos.
8. A comunidade científica tem muita dificuldade em replicar Suas experiências.
9. Seu principal colaborador caiu em desgraça ao desejar iniciar uma linha de pesquisa própria.
10. Nunca pediu autorização aos Comitês de Ética para trabalhar com seres humanos.
11. Quando os Seus resultados não foram satisfatórios, afogou a população.
12. Se alguém não se comporta como havia predito, elimina-o da amostra.
13. Dá poucas aulas e o aluno, para ser aprovado, tem que ler apenas o Seu livro, caracterizando endogenia de idéias.
14. Segundo parece, Seu filho é que ministra Suas aulas.
15. Atua com nepotismo, fazendo com que tratem Seu filho como se fora Ele mesmo.
16. Expulsou os Seus dois primeiros orientandos por aprenderem muito.
17. Não teve aulas e nem fez mestrado com PhDeuses.
18. Nunca submeteu trabalhos à avaliação por pares.
19. Não tem TOEFL.
20. Seu Lattes não pode ser atualizado porque foi encontrada uma divergência de dados com a Receita Federal 
Aqueles que desejarem uma análise mais séria do essa acima sobre algumas distorções da avaliação científica nacional  podem ver nota publicada no jornal da SBPC aqui.

Este Blog deseja a todos seus colaboradores e leitores um
 EXCELENTE 2012
cheio de produções para serem lattesjadas !!!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

E-book sobre produção intelectual



Dentro da perspectiva de livre acesso cujo intuito básico é a democratização da informação para o maior número de pessoas, a Universidade Estadual de Londrina, acaba de disponibilizar aqui e-book  Produção intelectual no ambiente acadêmico.

A obra é composta por seis capítulos que estão distribuídos em duas seções. 
A primeira, intitulada “Reflexões acerca da produção intelectual no ambiente acadêmico”, concentra os capítulos 1, 2 e 3 de autores convidados e articula-se em discussões que permeiam o fazer científico. Os três capítulos iniciais discutem, respectivamente, aspectos relacionados à ética na pesquisa nas relações entre pesquisadores e gestores, questões terminológicas e conceituais que perpassam as categorizações do que
sejam produções intelectuais, científicas ou acadêmicas, e, a busca pelo consenso quanto a um sistema de avaliação do conhecimento produzido no ambiente acadêmico.

A segunda seção denomina-se “Cenários da produção intelectual na Universidade Estadual de Londrina”, representada pelos capítulos 4, 5 e 6, em que são apresentados resultados de pesquisas desenvolvidas conjuntamente por docentes e discentes do Departamento de Ciência da Informação da UEL, como parte do projeto “Gestão da Produção Intelectual da UEL”. Projeto este iniciado em 2007 e que buscou, dentre outras metas, levantar e diagnosticar a produção de conhecimento em algumas áreas da instituição, expressa em diferentes fontes e canais de informação.

CURTY, Renata Gonçalves (org). Produção intelectual no ambiente acadêmico. Londrina: UEL, 2010. ISBN 978-85-7846-072-3, disponível em: http://www.uel.br/pos/mestradoinformacao/pages/e-book.php.