Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Redes de conhecimento intelectual


A história intelectual é fundamental para que possamos melhor compreender as correntes, as redes de relacionamento e os autores protagonistas (pesquisadores, cientistas, filósofos. escritores etc.). Isso serve para qualquer área do conhecimento, porém, como tendência da formação das bases filosóficas de uma sociedade, a produção relacionada às Humanidades torna-se um objeto de estudo preferencial. 

No Brasil, Helenice Rodrigues da Silva foi quem traçou as bases atuais para esse tipo de estudo. Em homenagem à sua prematura saída de cena no ano passado (ver post aqui), a revista "Vozes, pretérito & devir" acaba de publicar um volume especial dedicado ao tema.

O editorial do fascículo, escrito por Francisco Atanásio, assim apresenta a homenageada: 
Helenice Rodrigues da Silva foi professora adjunta do programa de graduação e pós-graduação em história pela Universidade Federal do Paraná. Dentre as diversas atividades intelectuais em que esteve ligada, fez parte do conselho editorial da Revista “Vozes, Pretérito e Devir”. Dentre as sugestões propostas para o periódico, idealizou um dossiê voltado ao pensamento intelectual vinculado ao exercício historiográfico, o qual consequentemente deu origem ao atual dossiê. Muito dessa proposta está associada à própria formação da historiadora, que viveu há mais de duas décadas na França, onde obteve os títulos de mestre e doutora ("doctorat d'État ") pela Université de Paris X-Nanterre, pós-doutorado pelo Institut d'Histoire du Temps Présent, além de atuar como pesquisadora pelos Centre National de la Recherche Scientzfique e École de Hautes Études en Sciences Sociales. Em tais ambientes pode conviver, compartilhar e aprender com intelectuais como P. Bourdieu, M. de Certeau, M. Foucault, Jacques Becker, F. Dosse, entre outros. Parte substantiva de seus estudos foram dedicados à compreensão das dimensões epistemológicas do pensamento intelectual no mundo ocidental, especialmente o pensamento engajado dos intelectuais franceses no século XX. No dia 09 de maio de 2012 Helenice veio a falecer em virtude de complicações decorrentes de um acidente vascular cerebral.
Aceda ao volume especial "Intelectuais, historiografia e literatura" aqui.

domingo, 12 de maio de 2013

Em memória de Helenice Rodrigues da Silva

Uma das características da diplomática é o estudo dos procedimentos formulares típicos de determinados documentos, que incluem bem saber qual é o tipo, a ordem, a disposição e o comportamento da informação. Esse obituário, de saída, será diplomaticamente imperfeito. Nada sei das primeiras fases da vida de Helenice. Sei apenas que era mineira e isso transparecia em sua doçura e eterna simpatia. O gosto por boas e agradáveis conversas de fim de tarde, absolutamente descomprometidas ‑ sempre acompanhadas por suco, chá ou café e, obviamente, alguma coisa doce, como um bolo ou um pão ‑ revelavam, como manifestações fenotípicas, sua mineiridade... Tais gostos caíram como um luva, imagino, quando foi viver na França, onde trabalhou com vários intelectuais destacados, dentre os quais o mais emblemático para mim: Michel de Certeau. Com exceção de um ou outro comentário, um ou outro episódio por ela contado em algum chá da tarde, muito pouco sei sobre sua vida na França e os motivos que a fizeram voltar ao Brasil.

Conheci Helenice quando regressou ao Brasil, depois de mais de duas décadas, e tentava encontrar seu espaço profissional no país. Saiu da França como pesquisadora associada do CNRS e passou uma temporada no Brasil como professora visitante em diversas universidades, entre elas Unicamp, UNESP e USP. Nesta última, tive o privilegio de ser ouvinte em um curso sobre história intelectual, por ela ministrado em 1997. Um dos desdobramentos práticos desse contato foi a criação de um Grupo de Trabalho, junto ao simpósio Anpuh (Belo Horizonte, 1997), sobre o pensamento relacional em Cassirer, Panofsky e Bourdieu. As reflexões nesse grupo, antes e depois da Anpuh, me levaram a publicar um artigo cujas bases conceituais vieram a constituir a linha teórica dorsal de minha tese de doutorado.

Aprendi com Helenice duas coisas fundamentais para a formação e a prática de qualquer pesquisador: a primeira é que conhecer a história do pensamento filosófico e das escolas é algo vital para saber onde se pisa e com quais autores e conceitos se está lidando. A segunda é que as bases teóricas devem ser uniformes, isto é, referem-se a uma dada percepção de um objeto e, portanto, devem trabalhar com autores complementários; ou seja, há autores que não devem ser misturados, ainda que todos tenham abordagens importantes e úteis para a compreensão de um dado problema. Quando compreendi isso, pude continuar a me aprofundar na combinação Panofsky-Gombrich, para melhor estudar fenômenos relacionados à imagem (porta de entrada para meu objeto de pesquisa: os documentos fotográficos), deixando de lado, sem arrependimentos, os instigantes textos de Sartre, Gilbert Durand, Merleau-Ponty (e outros) sobre imagem e imaginário.

Pouco tempo depois, me contou que havia sido aprovada em um concurso para a federal do Paraná, onde vivia às turras com a “burrocracia” universitária brasileira. Enfrentou problemas para que os títulos obtidos na França (que haviam sido aceitos para efeitos de aprovação), também fossem considerados para sua alocação na carreira. Sempre tentou viver em Curitiba como se estivesse em uma cidade européia. É verdade que o clima frio, somado a alguns espaços culturais da cidade, pode ajudar nessa ilusão, se não houver muita exigência quanto à similaridade. 

Sempre mantivemos, mesmo à distância, algum tipo de contato. Em 2001 pude, novamente, considerar-me privilegiado, por tê-la, em minha banca de doutoramento. Em 2003, participei da banca de mestrado de uma orientanda de Helenice, em Curitiba. Na véspera, fomos jantar em um restaurante muito agradável, razoavelmente vazio, mas para o qual ela, obviamente, como boa “francesa”, já havia feito uma reserva. Depois da banca, como era de se esperar, fomos tomar um café à moda europeia. Em 2005 mudei-me para Brasília, aumentando a distância e diminuindo a frequência do contato, que ficou limitado a alguns poucos e-mails. Em fevereiro de 2012, ela me convidou para participar de um importante evento que estava organizando com seu grupo de pesquisa. Ao chegar lá, soube por sua melhor amiga, Germaine, que pouco tempo antes ela enfrentara seriíssimos problemas de saúde (um coágulo cerebral) e quase havia morrido. 

O evento, a Jornada de Estudos Interdisciplinares e Transnacionais “Circulação das Ideias e Reconfiguração dos Saberes”, trazia como eixo temático a “mundialização do conhecimento: circulação de conceitos e de paradigmas teórico-metodológicos; a virtualização dos saberes” (o blog ainda está no ar em: http://historiaintelectualufpr.blogspot.com/). As apresentações e debates foram de altíssimo nível, recuperando a importância da realização deste tipo de evento no Brasil. Aqui, quer pela pressão desmedida para a produção de indicadores de produtividade, quer por provincianismo, cada vez mais, os eventos científicos, mesmo que modestos, são criados com denominações ambiciosas (congresso, workshop internacional etc.). A simplicidade de Helenice jamais combinaria com algo pomposo. Para as jornadas vieram pesquisadores internacionais de primeira linha, que se revelaram também excelentes pessoas e ótimos companheiros de viagem. Nessas jornadas fiquei amigo de Márcia Consolim (que, assim como Helenice, é brasileira mas pensa em francês), Francisco Pinedo (da Universidad de Talca, com quem me encontrei, ainda esse ano, no Chile) e Patrick Bégrand (pesquisador francês, plenamente proficiente em espanhol), que me deu a horrível notícia, nesta sexta-feira cinzenta, do falecimento de nossa querida amiga.

Além de sua produção intelectual (o Lattes ainda está disponível online em http://lattes.cnpq.br/8329635075312925), o legado de Helenice é imenso, sobretudo a sua contribuição no desbravamento de um campo pouco explorado no Brasil: a história intelectual – que aborda, também, a compreensão da formação histórica das ideias de uma sociedade e os modos de agir oriundos de tal entendimento; ou seja, permite que analisemos as bases que inspiraram os atores históricos e as transformações sociais. Em um mundo acadêmico cada vez mais compartimentado, cartesianamente definido por normas, standarts e rankings (ISO, ABNT, Qualis etc.), é necessário que não se perca a compreensão de que os fenômenos são históricos e feitos por pessoas e que a produção intelectual de algumas delas tem efeitos absolutamente transformadores.

A Jornada me proporcionou, além dos bons frutos acadêmicos, além das ótimas amizades ali iniciadas, a única foto que tiramos juntos, logo após o jantar de encerramento do evento. Ficam comigo a lembrança da amiga querida e uma imensa saudade.

foto: Patrick Bégrand - 23/08/2012
Madrid, 10 de maio de 2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Entrevista sobre metodologia de pesquisa

Recentemente dei uma entrevista para o curso de especialização em Gestão de Segurança da Informação e Comunicações que acredito que tem muita relação com o que venho desenvolvendo em aula e aqui neste blog.


Na versão anterior do mesmo curso que havia ficado responsável pela disciplina não presencial, para a qual foram elaborados um vídeo de apresentação (com áudio muito ruim) e um manual para desenvolvimento à distância de projeto de pesquisa:

     

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Bases empíricas e conceituais em teses de CI

Seguindo o esquema da ciranda-cirandinha, a atividade desta semana também será feita com interação de comentários dos participantes. O objetivo é saber diferenciar quais são as bases empíricas e quais são as bases conceituais utilizadas em testes relacionadas à Ciência da Informação. O primeiro participante,  Francisco Luziaro, deverá baixar a minha tese de doutorado (http://eprints.rclis.org/12862/) e identificar nela:
a) quais as bases conceituais utilizadas;
b) quais as bases empíricas utilizadas;
c) quais foram os métodos de pesquisa empregados para o trabalho com a base empírica.

O participante seguinte deverá:
a) comentar o entendimento do colega que o antecedeu;
b) escolher nova tese, que esteja disponível on-line e indicar a url da mesma;
c) quais as bases conceituais utilizadas;
d)) quais as bases empíricas utilizadas;
e)) quais foram os métodos de pesquisa empregados para o trabalho com a base empírica.
A mesma sistemática deverá se repetir até a noite do dia 24/04, 4ªf, quando, às 22:00, Luizaro comentará a respeito da análise do último colega, encerrando, assim, a atividade.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Base teórica

Copiado de PC Windows Fail
A base teórica é um elemento fundamental para a sustentação de qualquer pesquisa científica. É o que permite que um pesquisador seja capaz de situar seu problema e suas inquietações no âmbito das áreas de saber onde estão inseridas. No caso atual seria definir, por exemplo, os vínculos entre as pesquisa atuais dos pos-graduandos e a Ciência da Informação. A compreensão de qualquer fenômeno parte do próprio entendimento sobre a conceituação dele, que é definida, de modos distintos, por cada área do conhecimento e por cada tendência teórica dentro das áreas. A base teórica também é responsável por definir o foco com qual se formulará hipóteses para melhor entender a situação problema de cada pesquisa.

Para concluir a avaliação do item "a)" do programa TODOS os alunos deverão realizar duas atividades:
  1. indicação resumida e sintética das principais transformações ocorridas no projeto de pesquisa, após a conclusão desta disciplina (pode ser na forma de banner virtual, para quem já formatou um);
  2. <> definição da base teórica que embasa e continuará embasando a pesquisa atual (01 página, máximo e mínimo).
Tais itens deverão trazer a identificação do aluno e do curso de origem ("mestrado UnB" ou "DINTER UnB-UFES").  

A avaliação de tais itens será feita pela profa. Sofia, que receberá os trabalhos por e-mail. 

Além da avaliação, os alunos ainda deverão postar as atividades referidas neste blog (ou as urls, no caso de estarem disponíveis em outros lugares virtuais, como blogs de pesquisa), como forma de estimular o debate e a troca de informação em nossa comunidade.

O prazo para conclusão encerra-se às 09h:29min do dia 16/07/2012, horário de Brasília.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

E-books: e a pesquisa como é que fica?

Copiado de Susanbca
Não há pesquisador que discorde acerca da importância das fontes de informação para a pequisa científica. Por excelência, tais fontes costumavam ser de natureza bibliográfica e gerenciadas (isto é: armazenadas, classificadas, organizadas acessadas etc.) em uma instituição construída para tais finalidades. Os OPACs, ou catálogos on-line, paulatinamente, foram modificando as atividades dos elementos humanos da relação pesquisador-acervo. O contato direto entre cientista e bibliotecário foi, pouco-a-pouco, sendo intermediada, e até mesmo substituída pelas TICs. O fenômeno agora começa a modificar também o ponto final do acesso do pesquisador; não mais o livro, porém o e-book; não mais a biblioteca, porém repositórios e catálogos de e-books. O profissional da informação, elemento primordial na catalogação (física ou on-line) também começa a deixar de ser essencial para a organização do acesso. Folksonomia, interação 3.0, wikis, social bookmarking etc. são alguns exemplos colaborativos nos quais os próprios interessados finais passam a organizar (ao menos em parte) a informação o modo de recuperação da mesma e, muitas vezes, o próprio acesso. Obviamente não se trata de decretar a extinção de um sistema complexo de guarda e disseminação de informação, já que há muitas coisas que ainda dependem exclusivamente do livro físico, porém de tentar entender a sua inexorável transformação em algo muito mais dinâmico. Veja aqui, post de Rodney Eloy, bibliotecário, sobre o tema.

As práticas bibliográficas da pesquisa científica também modificam-se bastante. Recordo-me do meu tempo de estudante de graduação, no curso de História da USP, no qual boas bibliografias sobre determinados temas eram "disputadas a tapa", para a elaboração dos trabalhos finais. Havia professores que marcavam entrevistas para analisar o levantamento bibliográfico que havíamos feito para selecionar materiais a serem utilizados no trabalho final. A realização de um levantamento desses levava várias sessões de algumas horas em diferentes bibliotecas para: a) pesquisar no catálogo e selecionar obras de interesse potencial; b) solicitar a obra ao atendente (não tínhamos acesso direto); c) esperar 5, 10, 15 min. pela obra ou pela informação de que ela não estava disponível (emprestada, reservada ou, muito comum, extraviada); d) analisar brevemente a obra e conferir se ela estaria no rol de interesse da pesquisa. No frigir dos ovos, a consulta a um simples livro, apenas para analisar sua pertinência na pesquisa, poderia levar até 30mim. Não é por acaso que nessa época (anos 1980) proliferam trabalhos de base bibliográfica bastante similar. A profusão de fotocópias dos materiais objetivavam garantir o acesso àquela informação em uma segunda oportunidade, eliminado a via-Crúcis mencionada.

No mestrado aprendi a consultar dicionários terminológicos, revistas e resenhas para melhor delimitar o universo a ser pesquisado. Mas, em termos gerais, a sistemática era a mesma, porém menos sofrida. As transformações no sistema, aos poucos foram facilitando os passos indicados acima. Um melhor controle da catalogação, do acervo e do acesso, possibilitados por antigas TICs passou permitir o acesso direto. Um sistema mais eficiente reduziu a questão do extravio, além de permitir consolidar informações sobre a existência/disponibilidade da obra em outras unidades do mesmo sistema. De qualquer modo, como uma boa fonte de pesquisa precisa, geralmente, ser acessada várias vezes, habituei-me, então, a manter comigo a informação original na íntegra; seja por meio de fichamentos (há técnicas importantes para isso), compra dos livros em sebo, compra dos livros novos (quando não encontrados em sebos) e fotocópias (quando não encontrada a obra para compra). Tudo isso consumia um tempo de pesquisa considerável. Tempo que não era perdido, pois criava-se o hábito de buscar coisas diferentes e de cotejar autores, conceitos edições, traduções etc.

À época do doutorado os sistemas OPAC das bibliotecas da USP foram de alta utilidade, pois, somados ao uso de buscadores na web para arrolar autores e obras de potencial interesse, permitia otimizar as idas às bibliotecas, chegando lá com as anotações precisas da referência e do acesso das obras desejadas; quase um "pick and go". Gastava-se bem menos tempo para chegar à informação, porém perdia-se muito do processo de analisar e tomar contato com outras obras não tão diretamente ligadas ao foco da pesquisa. 

Hoje a pesquisa bibliográfica assume uma outra faceta, apesar de ainda ser pautada nos mesmos passos. Parece desnecessário arrolar como os e-books e o acesso direto às fontes de informação otimizam e facilitam o processo. Como há profusão de materiais disponíveis on-line, há uma tendência natural a desprezar, ou não consultar, aquilo que demandará um deslocamento físico a uma biblioteca. O antigo fichamento, no qual (se feito corretamente) poderia permitir a localização rápida de determinadas passagens na obra que estivessem relacionadas a determinados conceitos é substituído por buscadores de termos e por anotações virtuais à margem dos textos. O acesso automático às determinadas partes do texto vem acompanhado de uma evidente superficialidade na segunda leitura (ou ausência dela). Em nome do pragmatismo e da eficiência perde-se parte do processo de maturação da leitura do texto. Não lemos mais textos completos porém excertos eficientemente acessados e replicados. O antigo exercício da citação sempre era acompanhado por uma atividade de cópia, caractere a caractere, do texto original. Esse processo, inevitavelmente levava à reflexão do que estava sendo copiado e à busca de passagens sucintas de alto significado.  Hoje é cada vez mais comum o exercício do recorta-e-cola apenas para "encher linguiça", sem uma necessária reflexão. 

A automação do acesso aos textos científicos representa uma enorme (gigantesca mesmo) eficiência nas práticas de pesquisa dos migrantes digitais, mas, e essa me parece ser a grande questão de fundo dos dias atuais, quais os impactos que trará para os jovens pesquisadores, nativos digitais? Uma geração não habituada à reflexão crítica das fontes (para ela wikipaedia, sites de jornalismo, revistas têm o mesmo valor se propiciarem a resposta desejada), não-habituada à frustração de dedicar horas para uma fonte que se revela não adequada (o hábito de "googlar" e ir clicando nos primeiros retornos de busca e descartar imediatamente os que aparentam não ter serventia). Mencionado por Eloy, Umberto Eco, fascinado pelo i-Pad, que lhe poupou esforços de mula de não ter que carregar 20 livros, certamente sabe realizar a crítica interna e externa dos documentos, apregoada por Langlois e Seignobos em 1898, sem cair na armadilha da neutralidade positivista, mas será que os novos pesquisadores, que estarão sendo forjados no universo da informação sem suporte físico aparente saberá?

Em tempo: além de escavar em minha memória a obra "Introdução aos estudos históricos" de Langlois e Seignobos, paro o exemplo do parágrafo acima, recorri a cópia xerox que tenho dela (a última edição brasileira data de 1946). Será que o nativo digital que queira consultá-la, mesmo que só por curiosidade, irá encontrá-la na web (não achei nenhuma versão on-line em língua portuguesa)? Ou apenas matará a curiosidade por meio das inúmeras "explicações" sobre o método positivista, facilmente encontráveis em um simples "googlar". Está lançado o desafio! 

As bases metodológicas sobre a organização de fontes empíricas para a pesquisa em história estão lançadas naquela obra, de mais de um século. A heurística, caracterizada como a busca de documentos para a História, terá importantes desdobramentos nas demais áreas das humanidades e traz conceitos fundamentais que serão apropriados parcialmente pelas ciências sociais aplicadas. Quantos são os arquivistas formados hoje que passam a ter um visão meramente panorâmica e preconceituosa sobre o positivismo histórico (o tópico é recorrente nas ementas de "Introdução à História", disciplina típica da graduação em Arquivologia) que jamais leram na íntegra (mesmo que traduzidos) textos de Langlois, Seignobos, Comte, Ranke etc.? Quantos são os Bibliotecários que, assumidamente ou não, defendem um modelo de pesquisa positivista sem nunca terem ido além dos populares manuais de pesquisa, fartamente disponibilizados na web, sem terem tido o prazer da leitura crítica de um clássico? Sera que os novos cientistas da Informação irão apenas se contentar com manuais sobre práticas de pesquisa ou será que irão se dar ao trabalho de buscar também os clássicos, mesmo que virtualmente inatingíveis?

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Complemento (25/2/2012 - 10:33 am): acabei de ler (aqui) no blog do colega Murilo Cunha, curiosa informação sobre detenta estadunidense que está processando a prisão pela suposta violação de seu direito de ter acesso a uma biblioteca jurídica, que lá foi substituída por um sistema de livros virtuais. A panaceia para muitos parece não ser tão universal, afinal de contas...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O que é Ciência?
tópicos para reflexão.



Após a apresentação dos seminários sobre ciência recomendo que todos os alunos do curso  reflitam sobre as próprias propostas de pesquisa em relação à visão empiricista e em relação à crítica humanizadora, tendo como parâmetro de discussão a análise feita por Eduardo Tomanik no capítulo 3 d'Olhar no Espelho. A título de indução, sugere-se que os interessados anilsem os tópicos elencados abaixo do modo que julgarem mais apropriado: comentário neste post, elaboração de paper, elaboração de postagem no próprio blog, excerto da reflexão teórica da própria pesquisa etc.

CAP 3 - O que é ciência? 
3.1. Visão empiricista:  identificar (ou estabelecer) na proposta sua posição quanto à 
  • a) objetividade/ neutralidade; 
  • b) observação; 
  • c) experimentação; 
  • d) explicação/descrição do fenômeno ou compreensão dos porquês; 
  • e) aplicação/utilidade do conhecimento a ser produzido. 

3.2. Crítica humanizadora: identificar (ou estabelecer) na proposta sua posição quanto à 
  • a) aplicação/instrumentalização do conhecimento a ser produzido; 
  • b) interfaces interdisciplinares requeridas e diretrizes metodológicas; 
  • c) percepção do objeto e conceituação do fenômeno 
  • d) visão abrangente, panorâmica ou pontual do objeto?; 
  • e) identificação do sujeito com o objeto/alteridade com o objeto; 
  • f) compreensão dos porquês (≠ explicação/descrição) e implicações na transformação/manutenção da sociedade.

Observações:
  1. A atividade é aberta para alunos e não-alunos.
  2. Os alunos que ainda não leram o capítulo 3 devem ter vergonha da cara e serem mais responsáveis com as atividades mínimas de aula. Além de responder a uma pergunta extra: "O que eu estou fazendo aqui?"

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ranking Web de repositorios


Ranking Web de repositorios:
Edición de Julio de 2010

Isidro F. Aguillo  
HonPhD - Editor del Rankings Web

La segunda edición de 2010 del Ranking Web de Repositorios ha sido publicada coincidiendo con la celebración en Madrid del 5 Congreso de Open Repositories (OR2010). El Ranking está disponible acá.

La principal novedad es el incremento sustancial del número de repositorios analizado y la publicación de los 800 primeros de acuerdo a su presencia y visibilidad web. Además de los ya habituales repositorios temáticos (CiteSeerX, RePEC, Arxiv) encabezando la clasificación, los centros de investigación franceses (CNRS, INRIA, SHS) que utilizan HAL se aupan a las primeras posiciones. En cuanto a los españoles siguen encabezados por UPCommons (29), el Dipòsit Digital de la UAB (42) y Digital CSIC (45) que mantienen sus posiciones a pesar del incremento en la cobertura de repositorios.

A finales de mes se publicará la edición correspondiente de los Rankings de Universidades, Centros de investigación y Hospitales.

Comentarios, sugerencias e información adicional son francamente agradecidas.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Bases conceituais e empíricas

Copiado de New Press Release´s
O foco da aula do dia 17/06 será a discussão sobre as bases conceituais e empíricas, tendo como contraponto o doutoramento de Roberto Miranda (baixe aqui). A discussão sobre as bases conceituais abrange o importante tópico da revisão de literatura, atividade fundamental, muitas vezes feita de modo automático e desvinculado da pesquisa, infelizmente. Qual é o seu "tipo" predileto para a revisão bibliográfica? Leia aqui o excelente artigo de Alda Alves sobre o tema.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Como começar a coletar material científico para uma pesquisa


SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS PARA BUSCA DE MATERIAL INTRODUTÓRIO PARA TRABALHOS CIENTÍFICOS

Jacaono Batista de Lima Júnior *
  1. Estabeleça as palavras-chave de sua pergunta ingênua ou de partida, pois todas as bases de dados indexadas de acesso da Capes trabalham com palavras e termos chaves (realizei curso de uma semana na Capes sobre isso);
  2. as palavras-chave devem ser traduzidas para o inglês;
  3. selecione o local de indexação; inicialmente recomendo o Web of Science pois este é multidisciplinar e trabalha quase que totalmente com os resumos ou títulos;
  4. selecione, através das palavras-chaves (com ou sem o auxílio de termos AND ou OR) os títulos mais relacionados à pergunta proposta (ainda não é para ler o artigo);
  5. se for utilizar filtros, comece pelo OR e depois passe para o AND na pesquisa;
  6. elimine alguns títulos ao realizar uma revisão mais clara de cada um;
  7. agora parta para os resumos, selecione os melhores títulos e, por ordem de qualidade (Qualis da revista, proximidade com o seu tema...) e comece a lê-los, descartando aqueles que, por ventura, não sejam adequados ao trabalho;
  8. salve os resumos selecionados e siga para outro local de indexação (Science Direct, Scopus, entre outros, relacionados a temática de TI, por exemplo, ou outros específicos da sua área, não mais multidisciplinar);
  9. com os resumos e títulos, busque os artigos e parta para a leitura dos mesmos;
  10. descarte os artigos que, por ocasião da sua leitura, não se adequarem ao tema proposto.
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* Capitão do Exército e bacharel em Ciências Militares (AMAN). Professor-tutor da disciplina "Metodologia de Pesquisa" do curso de especialização à distância em Gestão de Segurança da Informação e Comunicações da Universidade de Brasília (UnB) em parceria com o Gabinete de Segurança Institucional  da Presidência da República.

domingo, 21 de março de 2010

Textos para as próximas aulas


Aula 3: discussão de projetos de doutorado de André Lopez e Antonio Figueiredo (clique nos nomes para o download);

Aula 4: discussão sobre definição de escopo de pesquisa. Texto de Eduardo Tomanik sobre redação científica (a ser enviado por e-mail) e tese de Paulo Elian (clique aqui para baixá-la da base USP) a ser PROBLEMATIZADA pelo grupo 1 de seminário;

Aula 5: discussão sobre bases empíricas e conceituais a partir de PROBLEMATIZAÇÃO da tese de Roberto Miranda (clique aqui para baixá-la) a ser feita pelo grupo 2 de seminário.

OBS: as datas serão definidas em função da alteração do calendário após a greve.