Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Formar ou deformar?

Márcio Zardo. "Formar é formar?"Instalação (2007).
Ao ver a imagem acima no Facebook de minha amiga (e mais nova integrante do GPAF) Isabela Frade, não pude deixar de pensar na árdua tarefa que vem sendo buscada neste blog há mais de 4 anos e meio: desenformar a cabeça de novos pesquisadores, de cientistas em construção; desenformar para que possam ousar pensar sem as tão típicas viseiras dos "manuais" """científicos""" (com aspas triplas); desenformar a postura corporal (que faz com que os glúteos fiquem quase sempre molecularmente imbricados a uma carteira discente) e ter o atrevimento de ousar. Ousar escrever, ousar publicar textos inciais (mesmo que em um blog), ousar apresentar-se publicamente (mesmo que no pátio da faculdade com um banner), ousar comentar ideias já consolidadas ao invés de apenas reproduzi-las etc. Enfim: ousar pensar. 

Do pouco que conheço em ciência sei que quanto mais assertivas são as afirmações, mais vulneráveis elas serão no futuro. Mesmo assim, de momento, há algumas "verdades" que parecem ser bastante razoáveis, como, por exemplo: (a) compreender que para haver inovação em ciência é necessário uma boa dose de imaginação; (b) saber que sem imaginação e criatividade não pode haver inovação científica; e, mais ainda (para completar o relação de afirmações com a mágica quantidade de três) (c): ter a certeza de que tais qualidades não podem ser "treinadas", "ensinadas" e/ou estandardizadas 

O problema é que nós, pesquisadores mais antigos (ainda em constante construção, espera-se), temos uma tendência ao comodismo intelectual que nos faz, cada vez mais, buscar repetir soluções criativas anteriores (se faz necessário um parêntesis aqui para diferenciar o amadurecimento da criatividade da repetição de fórmulas que, um dia, foram criativas). O ideal seria que nossa capacidade de imaginar, de ousar, de desenformar, nunca se perdesse e fosse, com o tempo, sempre mais criativa, porém, em geral, isso não se verifica. De qualquer modo, estamos todos fadados ao inexorável destino de ter que um dia (por opção, por comodismo, ou por fatalidade) deixar de ser criativos e parar de contribuir com a inovação científica (o que não significa, em hipótese alguma, parar de sermos "produtivos", e/ou de publicar e cada vez mais solidificar nossos currículos, ou nosso legado, no caso de fatalidades).

O mais assustador da instalação de Márcio Zardo é o nível de correspondência que ela tem com a realidade (se não fosse pelas fôrmas nas bases das carteiras não haveria qualquer metáfora na obra). O assustador não é testemunhar gente de mente velha defendendo que a "formação" científica se dá, justamente, pelo sentido literal do termo (com fôrmas); o que aterroriza não é ter um grupo de gente de mente velha agrupado em comitês e associações dedicando-se a estabelecer parâmetros milimétricos para cada fôrma mental; o que apavora não é ter que se defrontar com gente de mente velha gastando a parcela final de sua lucidez mental para fiscalizar o cumprimento das "diretrizes" estipuladas, como guardiães da "integridade" e "qualidade" científicas; o que realmente amedronta é ver gente jovem, de mente velha, negando a própria juventude, convertendo-se, sem nenhum questionamento, em fiéis escudeiros da ordem e da fôrma, reproduzindo fórmulas arcaicas e negando-se, veementemente, a sair da casca.

Para completar a provocação, tão bem iniciada por Márcio Zardo, sugiro que cada leitor responda "sim" ou "não" para as questões abaixo:
  1. Você ousaria colocar uma ilustração na capa de sua tese/dissertação?
  2. Você se atreveria a escrever sua tese/dissertação em fonte que não fosse recomendada pela a ABNT (por exemplo em "Bookman old stlye")?
  3. Você arriscaria entregar uma tese/dissertação sem um capítulo de "conclusão"?
  4. Você entregaria um artigo para publicação sem usar a ABNT para fazer as referência bibliográficas?
  5. Você acha possível que uma tese de doutorado não tenha um capítulo específico para a metodologia?
  6. Você acha que uma pesquisa científica pode não almejar a comprovação de hipóteses?
  7. Aliás, será que é possível ter uma pesquisa sem hipóteses?
  8. É possível fazer ciência sem prospecção sistemática de dados quantificáveis?
  9. É possível fazer ciência com fatos únicos, impossíveis de serem reproduzidos (e/ou simulados parcialmente) em laboratório?
  10. É cientificamente válido que um pesquisador seja absolutamente subjetivo na escolha de sua problemática de pesquisa, na eleição de sua base empírica e no tratamento desta, desde que os dados coletados sejam fieis a tais opções?
  • Se você respondeu apenas dois "sins", talvez seja o caso de se preparar para se aposentar por idade ou nem começar a carreira de pesquisador, apenas se afiliando à ABNT como sócio benemérito.
  • Se você se considera um pesquisador experiente e respondeu entre e dois e cinco "sins", talvez seja o caso de rever seus paradigmas científicos e tentar oxigenar suas ideias conversando com pesquisadores de outros ambientes institucionais e de outras áreas (sobretudo das Humanidades).
  • Se você se é um jovem pesquisador e respondeu entre e dois e cinco "sins", tome cuidado com suas companhias de mentes mais velhas; elas podem estar minando a sua juventude irremediavelmente.
  • Se você respondeu entre dois e quatro "nãos", não se desespere, ainda pode haver salvação, porém o esforço e a vontade de sair da zona de conforto são de sua exclusiva responsabilidade.
  • Se você respondeu menos do que dois "nãos", é somente uma questão de estar sempre atento, tomando cuidado onde pisa (e onde senta), já que há outras armadilhas muito mais perigosas dos que as "quase inocentes" fôrmas de bolo de Márcio Zardo, como poderia ser uma fôrma cheia de concreto de secagem rápida (que o deixaria eternamente refém da ABNT) ou mesmo uma armadilha de caçar ursos (que minaria, definitivamente, a sua capacidade de buscar novos horizontes, o condenando a escrever inúmeros artigos sobre a mesma coisa até o final dos tempos).
  • Lembre-se que quanto mais "sins" maior será a pena estabelecida pelo Supremo Tribunal da Inquisição e da Integridade da Ciência.
EM TEMPO: o blog recebeu um boa sugestão de Eduardo Tomanik e acrescenta uma nova questão:
"Você entende como válido um projeto científico que possa abrir possibilidades de que a teoria básica e a(s) hipótese(s) não seja(m) (re)confirmada(s)?"Obs: para não quebrar os cabalísticos números da pesquisa tradicional (1, 3, 5, 10, 50 ou 100) fica permitido ao leitor que escolher responder a questão extra se eximir de responder uma das 10 questões elencadas anteriormente, sem prejuízo da análise quantitativa do score de "sins". 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Estândares para publicação de textos acadêmicos


Tomanik, um dos mais ilustres colaboradores deste blog, comentou uma vez ("O Olhar no Espelho", cap 2) que, muitas vezes se confunde erroneamente metodologia com um conjunto de regras de apresentação. Infelizmente, essa parece ser a regra vigente no Brasil, na absoluta maioria das monografias universitárias, cuja análise pela banca costuma se deter apenas nos elementos formais. Os elementos formais, sem dúvida, são importantes (como já indicamos em alguns posts anteriores), mas somente se o conteúdo for bom. Seguir bem as normas da ABNT não dá nenhuma garantia da qualidade do trabalho.

O que muita gente sequer suspeita é que a ABNT tampouco é um padrão universal, mesmo sendo utilizada pelas boas revistas científicas brasileiras; boas, de acordo com os nossos critérios nacionais, diga-se de passagem. No mundo acadêmico internacional, a ABNT não existe como padrão de qualidade; ou seja, as revistas científicas tidas como internacionalmente boas, pelo resto do mundo, não usam a ABNT. Isso é algo que pode representar um dilema para alguns editores brasileiros, pois, se quiserem elaborar um material nacionalmente aceito devem, quase como que uma obrigação religiosa, usar a ABNT. Por outro lado, se buscarem aceitação com pares internacionais, em relação de igualdade acadêmica, esse padrão não serve. Um dos estândares mais utilizados no mundo científico é a APA, sigla que se refere à Associação Americana de Psicologia, cujas regras de apresentação formal de textos estão presentes por toda parte; exceto no Brasil.

A ABNT é uma norma paga, restrita a quem compra o direito de acessá-la. O jeitinho brasileiro sempre providenciou cópias pirata dela, desde o tempos das fotocópias borradas, porém todas essas cópias, de saída, já nasceram fora das regras dos direitos de reprodução. Com base nessa restrição, proliferam no Brasil textos que ensinam a usar a norma, muitas vezes com a indevida roupagem de manual de metodologia, reforçando a impressão equivocada aludida por Tomanik.

 A APA, pelo contrário, é vendida somente para quem quer adquirir o manual completo. O próprio site disponibiliza tutoriais bastante completos e cheio de exemplos, tornando o "estilo" (o nome correto é APA Style, sem a carga impositiva do termo "norma") bastante acessível e, mais importante ainda, com contorle sobre o material de formação de novos usuários. Não há nenhum impedimento para que outros autores produzam seu próprios manuais, os quais terão, sem dúvida, uma ressonância muito limitada já que o existe material on-line "oficial" gratuito. É provável também que quem efetivamente queira comprar um manual opte por adquirir o produto "oficial". Supõe-se que com o estreitamento de um mercado editorial dedicado ao uso do estândar, os autores estadunidenses não produzam tantos textos disfarçados de metodológicos sem o serem de fato. 

No Brasil, a encruzilhada torna-se mais complicada no momento atual, no qual muitas revistas, de olho na expansão para/com a América Latina, não apenas estão aceitando textos em castelhano, como, em alguns casos, tentando publicar volumes inteiros no idioma de Cervantes. A questão é como "obrigar" que o autor hispano-americano use a ABNT. Nos outros países latino-americanos, cada vez mais a APA vem sendo adotada como o padrão de publicação local, mesmo com o risco de se tornar dependente de definições externas. Alguns críticos poderão argumentar, com alguma razão, que a adoção de um estândar estrangeiro (a APA representa uma associação profissional de um país, não sendo um estândar internacional) poderia nos colocar em uma situação análoga a alguns países, que por não terem uma economia sólida, se renderam a adoção do dólar como moeda local, ampliando os problemas de dependência econômica dos EUA.

Não se trata de defender este ou aquele estândar, porém de ter conhecimento da existência de outros -- e a APA é apenas mais um entre vários outros -- e saber que as normas nacionais são absolutamente limitadas ao território (conforme indica o adjetivo "brasileiro", da sigla ABNT). Na ausência de um estândar a ser criado, pela ainda inexistente associação latino-americana dedicada ao tema, essa opção permite uma melhor circulação científica, em nível mundial, daquilo que produzimos deste lado do atlântico e permite que a produção bibliográfica de nossos países possa estar mais integrada. A questão não é de dominação, porém de integração e circulação do conhecimento científico.

Para quem quiser melhor conhecer o recurso, a página da APA Style (aqui) é uma boa opção; lá é possível aceder a um tutorial gratuito (aqui) ou a um blog dedicado ao tema (aqui). Quem tiver dificuldades com o inglês pode se valer das boas opções existentes em castelhano. A comunidade RedDOLAC, dedicada à integração de experiencias e tecnologias didáticas, sediada no Peru, divulgou recentemente (ver aqui) apostila feita no Equador sobre como aplicar a APA em publicações acadêmicas (baixar do blog "Yo Profesor" aqui). As editoras científicas colombianas certificadas pelo governo de lá utilizam a APA. Um extrato de um curso feito na Colombia sobre a APA, publicado no México, está disponível em um site da Universidad Nacional Experimental del Táchira, Venezuela (aqui). Insistir em um modelo "normativo" nacional pode parecer teimosia, ou, até mesmo, piada:

Copiado de "Boa Dica"





quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A solução para a normalização de textos


 A redação científica, além de ter que seguir parâmetros de precisão, clareza e outras boas qualidades textuais, sempre é padronizada por normas estabelecidas pelos veículos (ou tipos de veículos) nos quais se difundirá o trabalho. Muitas revistas têm normas específicas enquanto que outras trabalham com definições mais genéricas. No Brasil, salvo exceções, o que vale são as normas da ABNT. O problema é que há muitas normas da ABNT que incidem sobre a redação científica, e que, frequentemente, são atualizadas. O resultado final é que a formatação final de um texto é sempre problemática para a maioria dos mortais. 

A melhor solução seria a existência de um software para edição de textos que viesse com os parâmetros da ABNT incorporados e que já fizesse os ajustes automaticamente. Seria, não. É! Acabei de receber um e-mail de Lauro César Araujo, pesquisador do CPAI/UnB, o maior fã que eu conheço do processador de textos LaTex, com o seguinte teor:
abnTeX2 está disponível na sua distribuição LaTeX! A partir de agora você pode escrever teses, dissertações e outros trabalhos acadêmicos em conformidade com as normas ABNT em LaTeX com abnTeX2. Se você utiliza uma distribuição TeX Live (TeXLive para Linux ou Windows ou MiKTeX para Mac), tudo o que você precisa já está disponível no seu computador.
Se não tiver ideia do que estou falando, consulte o site do projeto em http://code.google.com/p/abntex2/ e veja um modelo de trabalho produzido abnTeX2! 

Vale à pena conferir!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Artigo de divulgação científica


Um artigo de divulgação científica tem a complexa tarefa de conseguir escrever com precisão e clareza para um público semi-especializado. O desafio é grande, pois o formalismo da redação acadêmica, muitas vezes, torna a compreensão impeditiva para o leitor inciante. Por outro lado, os veículos de divulgação científica demandam estruturas mais ou menos rígidas para a apresentação dos textos, nem sempre adequadas ao que se quer divulgar e nem sempre compatíveis com o objetivo de vulgarização científica. Mesmo assim, a normalização e o estabelecimento de formatos estanques pelas boas revistas acaba funcionando como uma garantia de qualidade ao pré-definir os elementos mínimos e a estrutura do artigo. Isso é benéfico, pois define uma espécie de padrão da redação científica que além de educar o público leigo para a leitura acadêmica, ainda ajuda na formação de novos cientistas, que se vêm obrigados a aprender a apresentar suas ideias de acordo com um modelo amplamente aceito por seus pares comunitários. A divulgação e vulgarização da ciência, feita com critérios e solidez, é fundamental para a realimentação humana do ciclo de produção do conhecimento acadêmico. Colunas em jornais, blogs científicos, periódicos de difusão são apenas alguns exemplos de veículos que operam nessa atividade.

A estudante de mestrado em Ciência da Informação da Universidad de Antioquia, María Muriel Ríos Leirum Airam descobriu um excelente portal destinado a auxiliar nas diferentes atividades relacionadas à escrita acadêmica: o Centro de Recursos para la Escritura Académica, do Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Monterey, México (aceda ao CREA aqui). Uma das páginas destacadas por Maria Muriel é a que indica as diretrizes básicas para a criação de um artigo de divulgação científica. O texto é bastante interessante e se inicia com uma epígrafe de um diretor da NASA dizendo que é necessário falar com as pessoas em linguagem compreensível. Vale à pena conhecer.

Para aceder à página sobre construção de artigos de divulgação do CREA, clique aqui.

Para conhecer o blog de Maria Muriel, sobre Ciência da Informação, clique aqui (vale à pena, pela qualidade de suas reflexões).

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Elaboração de poster científico

A divulgação de trabalhos científicos por meio de banner é sempre um tema interessante, pois permite trabalhar com novas formas de divulgação e popularização de conhecimento científico, mas também facilita a apresentação sumária de trabalhos para o público altamente especializado, que passa a ter uma ideia mais precisa da pesquisa divulgada, sem ter que se debruçar sobre, às vezes, enfadonhas páginas escritas. Com elementos de comunicação visual mais direta o poster pode auxiliar na difusão dos trabalhos científicos permitindo que o especialista possa rapidamente decidir se aquela pesquisa é de seu interesse e, por isso, merece ter suas informações melhor analisadas. Por isso um bom poster científico necessita sempre apresentar indicações e referências para o aprofundamento das questões ali esquematizadas. Muitas vezes os autores (até mesmo por imposições de modelos de congressos) acabam por transformar o banner em uma cópia ampliada de uma página impressa, o que é um notório desperdício das potencialidades comunicativas do veículo, bem como provável receio de exercitar a criatividade. 

Na semana  quem vem a UnB sediará o 18º Congresso de Iniciação Científica do Distrito Federal (ver aqui)  e elaborou um manual de orientação à confecção de posteres muito interessante, reproduzido parcialmente abaixo:
O pôster é um meio de comunicação visual. É uma fonte de informação do trabalho realizado, complementada por sua apresentação oral. A rigor, um pôster é um sumário e uma divulgação daquilo que foi pesquisado.

Dicas de como preparar um pôster
· Tente ser efetivo na disposição visual dos dados. O pôster é um resumo ilustrado.
· Mostre o que mais importa de sua pesquisa - o que foi realizado, como foi realizado e o que se recomenda ou se conclui. Evite enfocar os métodos. Os resultados e implicações são mais relevantes.
· Utilize gráficos, figuras e textos, preferencialmente coloridos, bem distribuídos aolongo do pôster (evite número excessivo de cores).
· Utilize títulos para destacar objetivos, resultados, conclusões, etc. Organize em colunas as sessões para melhor visualização e leitura.
· Minimize texto, use gráficos, figuras etc. Blocos de textos devem conter aproximadamente 50 palavras.
· O texto deve ser visível a uma distância de um metro, aproximadamente.

Planejamento e preparação do pôster
Planeje seu pôster com antecedência, escreva imediatamente a introdução e a metodologia, e lembre-se de rever o texto e suas idéias com o orientador e colaboradores.

Texto
Utilize para o título fonte 90 pts, negrito. Para os subtítulos utilize fonte 72 pts . Nesta área coloque: Título do plano de trabalho, Autores, e Departamento. O restante do pôster deve conter: Introdução, Metodologia, Resultados, Conclusões e, se necessário, Agradecimentos. As Referências bibliográficas podem estar numa folha à parte, disponível para a audiência e/ou como forma de lembrança. Textos auxiliares podem ser em fonte 18 ou 20 pts. Não esqueça de verificar ortografia antes da impressão final. 
Disposição Visual
Tamanho recomendado para o pôster: Largura – 90 cm,  Altura – 100 a 120 cmCuidado para não inverter essas medidas uma vez que os painéis possuem altura maior que a largura.
Elaboração
De posse dos textos, fotos, gráficos e figuras faça um rascunho, em escala, para auxiliar na estruturação visual do pôster bem como na avaliação do espaço disponível. Nesta etapa, planeje como as informações irão fluir ao longo do pôster. Diminua número de textos, gráficos, figuras etc., se o pôster parecer congestionado. Evite diminuir o tamanho da fonte como solução para congestionamento.Use uma cor para título, introdução e conclusões, e uma segunda cor para o restante. Utilize uma terceira cor para destacar alguns resultados.
A perspectiva apresentada pela UnB é bastante interessante por não estabelecer normas ou modelos inflexíveis, e, em seu lugar, dar diretrizes básicas além de uma extensa relação de links das mais renomadas universidades do mundo relacionados ao tema. Veja aqui o documento do PROIC-UnB na íntegra

As ilustrações utilizadas neste post são parte de uma exposição maior (ver nota aqui), feita exclusivamente com banners, e mostram mais uma possibilidade de tentar mesclar a precisão da linguagem científica com elementos da comunicação visual. 

domingo, 8 de janeiro de 2012

Quais são as partes de uma tese?

Copiado de Portal Virtual de Barcelona
Os iniciantes em pesquisa científica sempre tendem a achar que a formatação do trabalho é mais importante que seu conteúdo. Pululam na Internet modelos, templates, apresentações etc. sobre como apresentar e estruturar um trabalho acadêmico. A padronização, sem dúvida, é para lá de benéfica, porém ela não pode ser sobreposta ao mérito do trabalho acadêmico, que é, em última análise, o que garante a qualidade. Mas para que o mérito possa ser julgado é necessário que a pesquisa se, de algum modo, apresentada. A referência básica (notem bem, "referência", não camisa-de-força) é a norma ABNT NBR 14724 (disponível aqui em um domínio USP).

Em paralelo ao esquema bovino acima a referida norma apresenta os seguintes "cortes", que, juntos, compõem a totalidade do trabalho acadêmico. 
:
É importante destacar que, como o próprio cabeçalho diz, isso é um esquema. Um trabalho acadêmico não é como um mecanismo para qual basta juntar e montar corretamente uma série de componentes (parts, em inglês). A ideia da totalidade, do conjunto, do trabalho não pode se perder em função da adaptação a este ou aquele esquema, que prevê a divisão do trabalho em partes e sub-partes. Tais esquemas servem mais para representar a realidade do que para moldá-la. Tais partes são, então, representação de um ideal de trabalho. Recordo-me de uma palestra na qual Eduardo Tomanik provocou a audiência perguntando quais eram as partes que dividiam o Homem. Enquanto a platéia se dividia em palpites do tipo "cabeça, tronco e membros" e "corpo, mente e alma" ele interrompeu o zum-zum-zum dizendo que ele preferia permanecer íntegro, sem ser dividido em nenhuma parte...

A norma NBR 14724 propõe-se como modelo a ser seguido, como uma referência. Porém, do mesmo modo que existem outras possibilidades de cortes bovinos (ver, por exemplo, a deliciosa parrilla argentina) algumas variações podem ser encontradas. Na maioria das vezes representam apenas desconhecimento (ou descaso) com a ABNT, o que é grave; porém, outras vezes, constituem-se como opções deliberadas. Muitas revistas acadêmicas optam por criar normas próprias, derivadas da ABNT em maior ou menor escala. Outros periódicos científicos, por estarem interconectados em uma rede internacional, passam a seguir outros padrões, que podem ter âmbitos distintos, ligados, ou não a alguma normatização de cunho nacional. É muito comum que alguns periódicos hispânicos das Ciências Sociais Aplicadas pautem-se, por exemplo, nas nornas da APA (American Psychological Association). Muitas vezes a adoção ou modificação de normas relaciona-se com a utilização de softwares específicos que permitem de modo mais automático a inclusão de referências e a indexação do documento. 

A minha tese de doutoramento (USP, 2010 - baixe aqui) além de apresentar uma capa com imagem colorida, deliberadamente não trouxe capítulo de conclusão: 
Acreditamos ser desnecessária uma síntese final das idéias desenvolvidas ao longo do texto; deste modo, para evitar uma argumentação tautológica, optamos não apresentar um capítulo final, caracterizado como conclusão. (LOPEZ, 2010, p.6)
Recentemente vi na comunidade "Storytelling & Transmedia" do Facebook uma impressionante e divertida brincadeira com uma nota de rodapé em um capítulo introdutório:
Copiado de Trabalho Sujo
O mais importante não é criar as próprias normas ou, iconoclasticamente, desprezá-las. É fundamental bem conhecê-las e bem aplicá-las para, se necessário for, adaptá-las ou, mesmo, transformá-las. Do contrário, o pesquisador iniciante corre o risco de brincar de "aprendiz de feiticeiro" e colocar tudo a perder.

Além da mencionada NBR 14724, é importante conhecer as demais que norteiam a produção acadêmica. Veja post sobre esse assunto aqui.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Algumas referências para elaboração de monografia

(coordenadora do curso de arquivologia da UnB)

Para compor o corpo da monografia, pode-se usar a estrutura do próprio projeto de pesquisa como uma referência inicial. Os elementos abaixo são apenas um exemplo, que pode ser adaptado segundo as necessidades do trabalho e as exigências e recomendações do curso ou do(a) orientador(a): 
  • INTRODUÇÃO: onde são apresentados, de maneira breve, a delimitação do tema, o(s) problema(s) de que trata o trabalho e o objetivo (geral) que se deseja atingir; pode trazer, ainda, uma indicação bem resumida (no máximo um parágrafo) do conteúdo que será encontrado nos outros capítulos do trabalho 
  • OBJETIVOS: exposição direta do objetivo geral e dos objetivos específicos 
  • JUSTIFICATIVA: onde é feita a argumentação acerca da importância do tema em geral e do aspecto específico escolhido para a pesquisa; aqui podem ser melhor explicados, se necessário, a delimitação do tema e o(s) problema(s) abordados 
  • REVISÃO DE LITERATURA: onde deve-se indicar o estágio atual das discussões sobre o tema e o problema na bibliografia disponível na área 
  • METODOLOGIA: onde são apresentados as análises do autor acerca do referencial teórico e a metodologia escolhida; as técnicas de coleta de dados, os instrumentos de análise, os materiais e equipamentos utilizados (se for o caso) etc. 
  • RESULTADOS: onde são apresentados os resultados da pesquisa, como os dados coletados, produtos realizados (por exemplo, criação de ferramentas ou instrumentos, manuais etc.) 
  • DISCUSSÃO: onde são comentados os resultados da pesquisa (pode ser incluída na conclusão) 
  • CONCLUSÃO(ÕES): onde são indicadas, de modo sintético, as descobertas do autor a partir dos dados apresentados anteriormente. 
Normas úteis para a elaboração da monografia (como são normas pagas, sem domínio público, elas não podem ser aqui disponibilizadas, mas com um pouco de paciência e Google consegue-se encontrá-las em vários locais virtuais).
  • ABNT NBR 14724:2005 - Informação e documentação — Trabalhos acadêmicos — Apresentação; 
  • ABNT NBR 10520:2002 - Informação e documentação - Apresentação de citações em documentos;
  • ABNT NBR 6023:2002 - Informação e documentação - Referências - Elaboração;
  • ABNT NBR 6027:2003 - Informação e documentação - Sumário – Apresentação;
  • ABNT NBR 6028:2003 - Informação e documentação - Resumo – Apresentação;
    ATENÇÃO: não faça o resumo em inglês com uso de tradutor automático, se necessário contrate alguém para fazer e/ou revisar a tradução;
  • ABNT NBR 6024:2003 - Informação e documentação - Numeração progressiva das seções de um documento escrito – Apresentação;
  • IBGE. Normas de apresentação tabular. 3ª ed. Rio de Janeiro, 1993. 
  • Obs.: cuidado com a revisão geral do trabalho; se necessário, contrate uma revisão profissional.

No caso da monografia encadernada em capa dura, ver também:
  • ABNT NBR 12225:2004 - Informação e documentação – Lombada – Apresentação. 
  • Obs.: para a elaboração da ficha catalográfica, recomendo solicitar a tarfea a um(a) bibliotecário(a).

Posteriormente, para transformar a monografia em artigo, consultar:
  • ABNT NBR 6022:2003 - Informação e documentação - Artigo em publicação periódica científica impressa - Apresentação.