Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

McTese Feliz! (Supersizing)

Fonte: http://ragamuffinsoul.com/
Recebi um excelente artigo do amigo Fernando Franca publicado na revista Pragmatismo Político (AQUI). Em julho deste ano a revista em questão discutiu um tema relevante, abordado vários momentos aqui neste blog: a doença da normalidade que assola a produção de conhecimentos acadêmicos. 

Podemos imaginar Peter Higgs, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2013, num mundo acadêmico envolto pelo fantasma do "produza ou pereça"? Onde estão as ideias originais que necessitam de tempo de maturação para aprimoramento? Com sistemas de avaliação cada vez mais focados em produtividade a "normose" acadêmica faz como vítima o próprio conhecimento. Randy Schekman, Prêmio Nobel de Medicina deste ano, argumenta que a pressa intensifica a improbabilidade de opção por trabalhos mais relevantes em detrimento da perseguição aos campos científicos da moda. Schekman vai além ao afirmar que devemos evitar de avaliar o mérito acadêmico pela produção de artigos.

Os ex-ganhadores de Nobel Prizes destacam que a qualidade das pesquisas são influenciadas diretamente pela meritocracia produtivista dos sistemas de avaliação de pesquisadores e pelos professores dos programas de pós-graduação que impedem os discentes de percorrer caminhos mais incômodos. Esse sistema os transforma em meros burocratas da produção de replicações científicas. A exigência de produção é um estímulo retroalimentador do status quo, reforçando a mensagem subliminar de que fugir ao normal é perigoso. Em outras palavras, os pesquisadores não devem trocar o certo pelo duvidoso, não sendo incentivados a tomar caminhos mais arriscados.

Ao que parece, a meritocracia produtivista traz as ilusões de progresso e eficiência que não podem nunca se realizar. Isso porque a própria burocracia se tornou uma força modeladora inescapável, orientando as ações dos acadêmicos. Os meios se tornaram fins. E agora somos burocratas avessos aos riscos e às mudanças.

Isso me faz lembrar as palavras do pensador Milton Santos, também utilizado por este blog: até quando escolheremos o produtivismo estéril por simples legitimação profissional?

Vale a pena a leitura do texto e também uma boa dose de discussão.

Rodrigo Ávila

sábado, 22 de novembro de 2014

A ciência da cIÊNCIA

Dizem que em 2666, durante a realização da Copa do Mundo de futebol nas Ilhas do Caribe, a cIÊNCIA foi de fato encontrada. 

Contrastando ao ambiente intensamente florescente dos trajes usuais das festas populares daquela região, a cIÊNCIA se vestia com um terno carvão de beleza estonteante, realçado pelo azul esmeralda reluzente de uma gravata clássica, comprada na movimentada Rua Cler, próxima à Torre Eiffel. Ao adentrar o ambiente pulsante, envolvido pela musicalidade dos corpos suados pelos movimentos da salsa, a cIÊNCIA chamou atenção: utilizava um IPhone 6, conectado a uma rádio de músicas clássicas que entoava a quinta sinfonia de Beethoven.

No instante em que todos os presentes voltaram-se para observar aquela figura memorável, a cIÊNCIA se sentou numa mesa isolada ao canto do recinto. Pediu um café preto, forte e sem açucar. Algumas crianças se aproximaram. A tal cIÊNCIA fazia várias tentativas de se comunicar, mesmo sem a correspondência dos nativos e turistas que visitavam o local. Tentava dizer entusiasmadamente que participara de todos os congressos científicos de sua área, mantendo impecavelmente o seu currículo Lattes de produção semanalmente atualizado. Arrotava números, afirmando que até aquele momento do ano já tinha participado de 70 encontros nacionais, 35 simpósios, 45 mesas redondas, 98 congressos, 52 defesas de teses e 23 eventos internacionais.

A mesma cIÊNCIA vociferava as razões em crer que no futuro o mundo não enfrentaria mais o problema da fome. Com a alarmante possibilidade tecnológica de incrementar a produção de bens e produtos de consumo, afirmava que todos os seres humanos teriam condições suficientementes seguras para realizar ao menos três refeições diariamente. Esbraveja adjetivos difamadores à falácia da teoria populacional malthusiana.

A inteligente cIÊNCIA tentava explicar a todos que a razão para os enormes contigentes populacionais das prisões do mundo inteiro estava diretamente relacionada à cor da pele dos homicidas. Afirmava categoricamente que os negros e pardos tinham maior propensão a participar mais ativamente do mundo do crime. Relatava que a venda de drogas, o aborto e a deliquência juvenil tinham como única correspondência a cor da pele dos indivíduos que compartilhavam essas experiências.

A sapiente cIÊNCIA chegou ao desvario de confrontar qualquer um presente que duvidasse da possibilidade dos grandes navegadores em alcançar as Índias, mesmo que para isso tivessem que fingir que descobririam uma outra terra que poderia se chamar Brazil. Para ela, não havia dúvida alguma de que todos os instrumentos desenvolvidos até então propiciariam a descoberta de novas terras por mares nunca d'antes navegados. E que batizaríamos os habitantes dessas terras de Índios, mesmo se também pudessem se chamar brasileiros.

A mesma cIÊNCIA tentava se fazer entender e dizer que esses "Índios" deveriam ser civilizados por brancos e europeus escolarizados. Que a civilização europeia traria todas as condições possíveis para dizimar as mazelas e as doenças daquela gente inocente; daqueles povos que não tinham condições razoáveis de utilizar o intelecto para realizar simples operações matemáticas. 

A cIÊNCIA se levantou e foi ao banheiro, gritando em alto e bom som: cogito ergo sum! cogito ergo sum! cogito ergo sum! Todos se entreolhavam e batiam palmas admirados.

No banheiro, a cIÊNCIA começou a esbravejar em voz alta aos presentes que já tínhamos todas as razões suficientes para entender que a menor partícula da matéria era indubitavelmente o átomo. E que o homem estaria muito próximo de descobrir a vida em outros planetas, porque assim poderíamos expandir os lucros cada vez mais volumosos das industrias de fast-food e mandar para espaços distantes os participantes de movimentos sociais que participassem das manifestações de rua contra a corrupção de governos cada vez mais transparentes. Adicionava ainda que as tecnologias verdes desenvolveriam a capacidade de compactuar intenso desenvolvimento econômico com ambientes de produção sustentáveis, respeitando o ritmo de funcionamento do meio ambiente.

Voltou do banheiro gargalhando pelo simples fato de que teríamos condições claras de prever todas as crises econômicas. Aliás, retificou o seu comentário escrevendo com um giz negro no quadro branco do bar o teorema que acabara de ganhar o Prêmio Nobel de Economia por demonstrar claramente o fato de que não teríamos mais crises econômicas no mundo, pois a inflação e a taxa de câmbio seriam fenômenos completamente controláveis por mercados livres dos países em desenvolvimento.

Diante de todos os aplausos por suas palavras incompreensíveis, a cIÊNCIA pediu a conta fazendo um gesto universal. Pagou o seu café enquanto todos a observavam estupefatos. Limpou o suor com um lenço branco importado que trazia no bolso de sua calça. Com todos de pé, aplaudindo, cantando e dançando a salsa que voltava a tocar após o silêncio ensurdecedor daquelas palavras inaudíveis, a cIÊNCIA correu pela porta dos fundos. Todos os presentes se espremeram à minúscula porta de saída. Algumas pessoas choravam emocionadas, machucando-se na tentativa de seguir a tal cIÊNCIA. 

Quando enfim conseguiram sair do ambiente, não conseguiram entender o que aconteceu...

P.S: A nossa personagem foi encontrada depois de algumas décadas numa manifestação de rua num país distante chamado Brasil. Naquele momento tão singular da história daquele país, milhares de cidadãos foram às ruas na esperança de conseguir melhores condições para lidar com as suas batalhas diárias. A famigerada cIÊNCIA foi flagrada comendo um sanduíche de presunto, sentada numa calçada, de bermuda, sem camisa e descalça. Segurava um cartaz com letras grandes e coloridas, recortadas do último jornal de domingo, formando a palavra ÉTICA!

* Rodrigo Ávila

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Formação de pesquisadores e responsabilidade social do conhecimento


Uma das preocupações que sempre esteve presente neste blog, nas aulas que ministrei e no livro do Tomanik é a necessidade de refletir sobre as possíveis consequências sociais e históricas da pesquisa científica. Não fazemos ciência, no nível da pós-graduação, para mudar o mundo e nem devemos atrelar os objetivos do projeto aos impactos transformadores que desejamos.  Há que se tomar cuidado para não cair no obscurantismos de somente permitir a realização de projetos "socialmente válidos", não apenas porque tal definição sempre será controversa, mas também porque há muitas coisas importantes para se pesquisar que podem não ser enquadradas nessa qualificação. A UnB tentou, sem sucesso, espero, colocar esse tipo de questionamento de mérito na aprovação de projetos e foi criticada neste blog (veja post aqui). O ponto crucial é que não se pode confundir ciência com programa social.

Por outro lado, em um pais tão desigual como o Brasil, fazer ciência em universidade pública, com financiamento público (salários docentes, estrutura, ausência de taxas, liberação de serviço de alunos servidores etc.) impõe uma necessária reflexão sobre o tema. Afinal, na palavras de Tomanik "A realidade é sempre mais complexa do que podemos perceber; por isso pesquisamos. Ela é sempre diferente do que gostaríamos que fosse; por isso tentamos modificá-la.” (2004, p. 219). A questão parece ter relação com um certo equilíbrio, sem relegar nem o compromisso social, nem a ciência pela ciência. O debate é necessário e permanece aberto.

Um espaço acadêmico que pode ser interessante para os interessados em participar dessa discussão é o congresso Universidad 2014, previsto para ocorrer em Cuba, em fevereiro de 2014 (acesse a página aqui).

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Gestão e democratização da informação científica

Nos filmes estadunidenses o conhecimento científico de ponta sempre aparece gerido/disputado por dois setores: militares e/ou grandes indústrias de tecnologia. O conhecimento científico brasileiro é produzido, em sua esmagadora maioria, no seio de instituições públicas (em grande parte nas universidades) com dinheiro público. É de se imaginar, portanto, que é parte das obrigações do poder público democratizar ao máximo não só o acesso a tais informações, como também os meios (muitas vezes representados por tal acesso) que permitam avançar na construção de novos conhecimentos científicos e assim por diante.

Há cerca de 50 dias presenciei uma excelente atividade de vulgarização de conhecimento para o cidadão não especializado, conforme relatei em post no blog de Diplomática e Tipologia aqui.


Recentemente, ao abrir o e-mail fui, surpreendido com uma mensagem de meu colega Emir Suaiden, diretor do Ibict, repassando uma nota muito forte, na qual se reafirmava a importância da instituição para, entre outras coisas, justamente, ajudar na democratização e deselitização do saber no Brasil. Depois vim a entender que o texto fora feito em defesa a uma "petição" altamente difamatória, apenas com acusações não embasadas. É muito fácil criticar sem fundamentar. A "petição" que inciou a querela beira a covardia ao se utilizar das mídias sociais sem nenhuma argumentação às acusações. São duas afirmações secas seguidas por 5 questões não respondidas, em pouco mais do que 10 linhas:
Ao longo dos últimos 10 anos o IBICT vem perdedo a sua representatividade junto à comunidade científica brasileira e internacional, por conta da sua expressiva falta de atuação nas iniciativas mais importantes objetos de sua missão institucional. Essa fraca participação institucional provocou o seu enfraquecimento como instituição importante na condução de projetos da área. Como resultado, o que representa hoje o IBICT no seio da comunidade científica brasileira? O que faz hoje o IBICT em prol da informação científica e tecnológica? Quem conduz hoje as principais iniciativas em prol dos pesquisadores brasileiros? Por que o CCN parou no tempo? Existe alguma liderança, no Brasil, preocupada com a informação científica? Enfim, há diversas questões no ar sem respostas.
(Helio K - "Salvem o Ibict" em http://www.avaaz.org/po/)
O texto de defesa repassado por Emir Suaiden foi escrito por Anaiza Gaspar e ajuda a ampliar a reflexão sobre o que se quer quanto à institucionalização da ciência no Brasil:
Cuidado com as petições do Avaaz!! Saiu por ai uma petição para salvar o IBICT que não está ameaçado de nada, muito menos do desvirtuamento de sua missão, a não ser na cabeça do sr. Hélio Kuramoto, que reproduz o modelo concentrador do mundo real onde acredita que a informação cientifica e tecnológica é privilégio da comunidade acadêmica, circulando apenas entre seus pares. O IBICT na última década adotou programas de inclusão social e digital e dissemina informações científicas em linguagem popular em muitos desses projetos - o Canal Ciência é um exemplo. Do que se queixa o Dr. Hélio Kuramoto? Por acaso a informação científica deixa de ser científica quando colocada em linguagem acessível a população? O sr. Hélio Kuramoto foi um funcionário do IBICT com bons serviços prestados, mas hoje está aposentado e parece que guarda muita amargura no coração. Foi candidato a diretor do IBICT e não foi escolhido. Quantos de nós não tivemos sonhos que não se realizaram? Nós os funcionários do IBICT fomos surpreendidos com esta petição estapafúrdia de "Salvem o IBICT" pois estamos trabalhando todos os dias com muita dedicação e convicção e merecemos respeito pois tudo que almejamos é estar prestando nossos serviços à sociedade com dignidade e seriedade. O que sabem do IBICT as pessoas que assinam esta petição? O cumprimento da missão do IBICT pode ser avaliado unicamente pela opinião do Dr. Kuramoto? e isto lhe dá ensejo para criação de uma petição popular? Um novo edital sairá em breve para a escolha do diretor do IBICT que é colocada de forma democrática pelo MCTI para que os interessados apresentem suas candidaturas, então o Sr. Kuramoto poderá se candidatar outra vez. Que o faça, portanto, e exponha suas ideias nessa oportunidade e não venha a utilizar um instrumento de reivindicações sociais com fins eleitoreiros. Assim fazendo acaba de desacreditar o Avaaz como instrumento social que não deveria se prestar a esses fins. Na verdade, devo confessar que apesar de ter sido uma apoiadora do Avaaz a partir de agora olharei com bastante cautela e desconfiança suas petições. Se alguém liderar uma campanha para queimar minha casa ou denegrir minha reputação vou me defender como dos apoiadores de causas sociais que surgem do nada? Fico pensando em como isso reproduz as piores práticas do autoritarismo posto que as pessoas não têm informações suficientes para assinar petições desse tipo. É triste, porque a Internet devolve às pessoas o mundo onde que estas se espelham em relações momentâneas, e lhe devolvem o que elas esperam ver sem que alguém tenha que provar nada. É informação demais e as pessoas não têm tempo para tanto, estão cansadas. Quem fica imerso e conectado precisa de informações com um mínimo de possibilidade dessas informações serem validadas pois o que restará a quem é citada e não está nesta rede? Pensando assim vejo que a promessa original do Avaaz de dar voz as causas sociais não se concretizará, ao contrário, mergulhará as pessoas em uma bolha que se auto replica e aumenta o radicalismo. O diagnóstico então é sombrio, porque existe uma concentração nessas ferramentas que determinam o que será a sua oportunidade de escolha. O que acham?
(Anaiza Gaspar por e-mail)
Não tenho nenhuma certeza sobre o quanto daquilo que Anaiza indica estar sendo realmente efetivado, mas sei que (apenas para citar duas realidades inquestionáveis) o banco nacional de teses e a popularização das plataformas SEER para gestão de periódicos científicos de qualidade e não elitizados revelam um importante avanço na direção da democratização do conhecimento em um país tão desigual e tão restritivo em termos dos saberes. 

O objetivo deste post é fomentar a reflexão sobre a institucionalização da ciência no Brasil e a necessária ampliação do acesso a seus resultados e insumos. Porém a tentativa de desmoralização sensacionalista sofrida por uma instituição que têm trabalhado muito seriamente me levou também a assinar manifesto de defesa feito por Anaíza Gaspar (acesso aqui).

Se você quiser participar mais ativamente da questão pode assinar também a petição aqui, mas não se esqueça, ainda, de exprimir sua opinião nesse blog; ela será muito benvinda.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Novas atividades

Cumprindo fielmente com o cronograma, a próxima aula estará dedicada à discussão sobre o papel social do conhecimento científico. O texto-base é o capítulo 3, do livro de Eduardo Tomanik, intitulado "O que é ciência? A ciência no discurso dos cientistas". Como atividade preparatória cada aluno deverá realizar aqui, no espaço dos comments (abaixo), um pequeno comentário que indique o papel social e científico de seu próprio projeto de pesquisa.

Relembrando a tod@s, nossas aulas, quando sob minha responsabilidade, iniciam-se, pontualmente, às 14:15hs e terminam às 17:45hs.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Próximas atividades


Agora que a turma parou de engatinhar sobre o que fazer e saiu da inércia inicial, podemos avançar em mais algumas leituras, já para a aula que vem, na qual pretende-se avançar na discussão sobre ciência e sociedade, além de pontuar melhor as diferenças entre problema, método e teoria.

O material mínimo de leitura é o seguinte:

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Como dizem por aí: "Homem e aluno é tudo igual; só muda o endereço... "


Na semana passada foi dada a largada para o turma 1/2013 de Metodologia do PPGCINF-UnB, com alguma procura por vagas de aluno especial e por inúmeras "juras de amor" por parte dos alunos quanto ao empenho e dedicação. O balanço inicial efetivo, mostra, à primeira vista, uma preocupante falta de comprometimento de parte significativa da turma. Vamos aos dados quantitativos:
  • Da lista inicial de 19 inscritos inicialmente, deve-se computar mais duas alunas, que estão em processo de regularização da matrícula e mais três alunos especiais selecionados (entre cinco candidatos), deixando a turma com 24 alunos.
  • Tod@s foram relembrados e avisados que deveriam ter feito a atividade inicial da disciplina, postada no dia anterior ao início (ver aqui). Na aula foi dado espaço para a execução da análise dos textos. Até o momento apenas 8 alunos colocaram comentários no post em questão, com uma taxa de eficiência de apenas 33%
  • Tod@s foram instruídos para mandar um e-mail ao professor o quanto antes, para poder ter acesso ao material de aula que, por questões de direitos de divulgação, não será publicizado no blog; foi solicitado o envio do nome completo e número de matrícula (para quem já tivesse um):
    > 3 alunos (13%)  fizeram isso no mesmo dia, sendo que em um caso o número de matrícula teve que ser pedido novamente;
    > 8 alunos (33%) fizeram isso no segundo dia, sendo que em um caso faltava o número de matrícula e em outro o nome completo e o número de matrícula;
    > no final de semana mais 3 alunos se inscreveram, perfazendo um total, nos primeiros 4 dias, de 14 alunos ( 58%); ou seja, mais do que 40% da turma optou por não aproveitar o final de semana para preparar os textos da aula seguinte;
    > até o momento, isto é, 16hs antes da aula, ainda há 6 alunos (25%) que não irão receber o material antes da aula, sendo que um dos inscritos após o final de semana, ainda não retornou informação para complementação de dados;
    > dos 18 convites enviados para compartilhamento dos textos na Dropbox há dois alunos que ainda não acessaram a pasta para leitura do material; tais dados, somados aos 6 alunos da informação anterior perfazem um preocupante indicador de 33% de alunos que, passada uma semana de curso ainda não tiveram contato com o material de leitura da segunda aula!
  • Sendo este blog o principal veículo de contato com os alunos, tod@s foram instruídos para se inscreverem no feedburner e receberem automaticamente informações sobre novas postagens:
    > apenas 7 alunos (29%) aparecem na minha listagem-feed, sendo que um deles não chegou a enviar e-mail para cadastro com o professor.
Três atividades extremamente simples (mandar e-mail, comentar um texto leve de divulgação científica e se inscrever para receber atualizações das tarefas) tiveram um nível de ineficiência assustador para alunos que pretendem desenvolver pesquisa e estar na ponta do desenvolvimento acadêmico do país. Os alunos de pós  stricto sensu de universidades públicas devem representar menos de 1% da população brasileira e têm sua formação e capacitação bancados pela sociedade. Deveriam, no mínimo, agir de modo mais responsável. São problemas de cultura educacional (ou da falta dela) que faz com que pessoas que se esforçaram bravamente para conseguir um espaço em um dos três melhores cursos de pós em CI do Brasil (de acordo com a CAPES, no momento) tenham atitudes altamente questionáveis quanto à maturidade.

Visando aprimorar a discussão sobre dados quantitativos e análise qualitativa, recomenda-se que tod@s (inclusive os leitores não-alunos da disciplina atual) façam uma análise sobre o potencial de contribuição científica da UnB à Ciência da Informação (como um todo), tendo como base a amostra não probabilística e os dados quantitativos elencados neste post. Favor usar o campo "comment" abaixo para tal finalidade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Como é difícil ser pesquisador no Brasil


Recebi, no dia 26/09 mensagem eletrônica de uma colega pesquisadora colombiana sobre um edital de cooperação internacional da CAPES para projetos comuns. A parte colombiana do edital já está on-line e traz todos os anexos necessários à compreensão do projeto, bem como o detalhamento necessário, conforme pode ser visto aqui. O prazo final para o envio de propostas se encerra no dia 31 de outubro e, até onde entendi, permite que a aplicação seja solicitada por pesquisadores de qualquer um dos países participantes. 

Clique para ampliar -
Print Screen realizado em  01/10/2012
1ª tentativa: o portal
Ao tentar fazer a minha parte da "lição de casa", ou seja, buscar informações locais sobre as exigências para que um pesquisador brasileiro possa apresentar o pedido, fui surpreendido pela ausência de informação no portal da CAPES, que  apenas exibia uma placa dizendo "Em negociação", como pode ser visto no print screen ao lado.
Como é possível que um programa de cooperação já esteja vigente e publicamente divulgado por um dos parceiros e "em negociação" com o outro? Na vã esperança de ser somente um problema de atualização da informação no portal, busquei mais informações. 

2ª tentativa: contatos de outros setores da CAPES
Primeiro tentei ver se a coordenação de área do Comitê de Ciências Sociais Aplicadas 1 (comitê no qual se encontram os programas de Ciência da Informação) sabia de algo, mesmo não se tratando de algo diretamente relacionado à sua esfera de atuação. Nada feito a informação não fora compartilhada com os comitês.

3ª tentativa: contato telefônico frustrado com a coordenação internacional
O passo seguinte, por sugestão do próprio comitê de área, foi tentar um contato telefônico com a coordenação internacional da CAPES. A tarefa foi mais árdua do que parecia, já que não há link específico para o contactar o setor na página (como é que fica a questão do acesso à informação?). Resolvi telefonar para o número indicado no "fale conosco". Depois de ouvir um extensa gravação sobre as opções que eu deveria teclar para seguir adiante, consegui ser atendido. Para que eu simplesmente pudesse perguntar qual era o número telefônico da área internacional tive que dar nome completo e CPF. Após conseguir que o atendente compreendesse a solicitação fui informado que o assunto era de competência da CAPES e não do INEP! Isso mesmo: a partir no número disponibilizado no portal da CAPES para atendimento, fui parar em outro órgão do MEC. 

4ª tentativa: contato telefônico com a coordenação internacional - parte 1
Ao menos consegui ser redirecionado para a CAPES, sem ter que realizar outro telefonema. Novamente fui atendido por uma pessoa que não tinha muita ideia sobre minha solicitação, mas que para poder ouvi-la teve que, antes, anotar, novamente, todos meus dados; desta vez com indicação de minha data de nascimento. 

5ª tentativa: contato telefônico com a coordenação internacional - parte 2
Aquele primeiro atendimento na CAPES (o segundo do dia) subitamente foi transferido para outra pessoa, a quem tive que, novamente, explicar que eu apenas queria informações sobre o programa de cooperação com a Colômbia, o Colciências. Desta vez meus dados requiridos foram profissão e número de telefone. Ao menos consegui obter o número do setor de cooperação internacional

6ª tentativa: contato telefônico com a coordenação internacional - finalmente!
Nessa nova ligação consegui ser atendido, finalmente, na área internacional, e sem ter que indicar nenhum dado pessoal. Após expor a questão e aguardar um pouco obtive a resposta de que a pessoa responsável pelo convênio estava de férias e que sua chefe estava inacessível em uma reunião. Mesmo assim a pessoa com que falei foi bastante solícita e me disse que até a próxima semana a informação estaria disponível e que eu "não deveria me preocupar". 

O episódio é bem preocupante sim !
Ora se um edital tem cerca de 36 dias de prazo (de 25/09 a 31/10, segundo o portal colombiano) e apenas disponibiliza sua informação básica por um tempo menor (ainda não sabemos quanto), obviamente que o tempo de preparação do projeto e da documentação fica bastante comprometido, principalmente porque sequer há sinalização de quais serão as possibilidades e requisitos para fazer a submissão pelo lado brasileiro. Em se tratando de um projeto internacional de cooperação o prazo é algo bastante crítico já que envolve tomada de decisões e ajustes institucionais que não competem apenas aos pesquisadores interessados. O passo inicial seria poder ter pleno conhecimento do que é o edital, quais projetos pode abarcar, quais não pode, quais os requisitos dos participantes, dos coordenadores e qual é a documentação necessária. Para o momento, no caso em questão, os pesquisadores (de dois países, de três diferentes instituições) estão em stand by, extremamente preocupados com os prazos e o acesso à informação. 

O pesquisador que assina esta nota está, ainda, muito preocupado com a maneira com a qual o acesso às informações é trabalhado em nosso país, comprometendo o avanço da ciência brasileira. Acesso à informação, no âmbito do portal da CAPES, não deveria se resumir a uma logomarca com link à página da CGU referente à nova lei e à divulgação (ou não) de salários de funcionários. O acesso à informaçãoem questão relaciona-se principalmente à divulgação clara e precisa de informações relativas às atividades-fim da agência a qualquer pesquisador interessado, independente de CPF, confirmação de nome, endereço etc. Deveria ainda propiciar um contato direto com o setor responsável sem ter que obrigar o interessado a passar por uma bateria de guichês telefônicos. Custa muito colocar no portal TODOS os ramais e telefones da agência? Isso não seria também uma política de acesso à informação? Por que consigo ter acesso aos dados salariais de funcionários, mas não consigo localizar os telefones dos diferentes setores de um órgão público? Por que consigo ter acesso ao portal brasileiro da transparência mas só consigo ter informações precisas sobre um projeto CAPES em um portal estrangeiro? 

Em tempo: na bateria de guichês telefônicos pela qual passei, meus dados pessoais foram anotados diversas vezes, sem que eu fosse informado sobre qual seria o uso e o porquê da exigência. Em nenhum momento fiquei sabendo mais do que o prenome de quem me atendeu. Será que, por uma questão de reciprocidade e de compreensão da dimensão do que é prestar um serviço público, eu não deveria ter sido também informado do nome completo e matrícula das pessoas com as quais falei?

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Ciencia e sociedade - novo livro


Não conheço a obra, ainda, mas conheço ao autor, com quem trabalhei algum tempo na Câmara de Pesquisa e Pós-graduação, da UnB, onde conheci alguns de seus bons posicionamentos sobre ciência, universidade e sociedade. Uma rápida leitura na apresentação da obra, me faz acreditar que seja um material bastante interessante para aprofundar muitas das discussões que são levadas nas disciplinas da pós, estimuladas pelo livro de Eduardo Tomanik, e pelos textos de Newton Freire Maia, Milton Santos, entre outros. O texto da 4º capa anota o seguinte:
"Um diálogo entre a Sociologia e a Filosofia da Ciência: é o envolvente convite que este livro faz. Com linguagem clara e coesa, o tema vibrante – a relação entre Ciência, Verdade e Sociedade − torna-se acessível a público bem amplo, incluindo não especialistas. A reflexão vai além do pensamento acadêmico, especialmente na segunda parte do livro, quando examina o que se considera ser, em sociedades democráticas, a “Ciência bem-articulada” no contexto atual do desenvolvimento científico-tecnológico. Pontua-se, então, a realidade brasileira, mediada pela credencial da sólida experiência do autor em sua profícua dedicação ao tema. O texto propõe o imperativo de se avançar para além da marcação de posições ideológicas, atitude característica do momento que ficou conhecido como a “Guerra das Ciências”. Entende que a ideia da Ciência com “conteúdo social” não suprime seu caráter objetivo, para o que se apoia em substanciais contribuições identificadas no confronto entre “realistas” e “não ealistas”, na Filosofia da Ciência. Ainda mais, insiste na vitalidade de se discutirem as novas responsabilidades que pesam sobre a Ciência e a Tecnologia contemporâneas, neste mundo crescentemente inquieto e muito promissor. Com o propósito de colaborar com a inclusão, no debate, desta outra perspectiva, a Fabrefactum apresenta, aos leitores, Ciência, Verdade e Sociedade: contribuições para um diálogo entre a sociologia e a filosofia da ciência, em sua série “Ciência, Tecnologia e Sociedade”.
Pedidos físicos e/ou downloads virtuais podem ser feitos aqui ou aqui.
TRIGUEIRO, Michelangelo Giotto Santoro. Ciência, verdade e sociedade. Belo Horizonte: Fabrefactum, 2012. (Coleção Ciência Tecnologia e Sociedade).

domingo, 22 de julho de 2012

Contra a má vontade não há argumentos
A greve na universidade (ainda)...

Copiado de Rabix
Até quando se continuará a tentar tapar o Sol com a peneira? Lembro-me de, quando eu era pequeno, acompanhar minha mãe, professora da USP a uma manifestação (uma das primeiras do período de distensão da ditadura) de docentes da USP. Depois, como aluno daquela universidade, recordo-me de vários semestres alterados por conta de greves. Em 1994 comecei a lecionar no ensino superior e devo ter passado, desde então, mais de um ano (se formos somar os dias de paralisação) em greve. O triste é que, apesar da greve geralmente ter uma coloração avermelhada, os governos e gestores que insistem em nunca apontar para uma saída estrutural definitiva são de todas as cores e tendências. Hoje, quando a greve completou 62 dias, por acaso comentei, via G-talk, o fato com uma amiga minha, que é professora na Romênia. Ante a resposta dela ("- Again?") comecei a duvidar que algum dia o Brasil realmente tratará a Universidade pública com respeito e atitudes efetivas para sua inserção como protagonista em um projeto nacional. Ao que tudo indica o improvável estádio do Corinthians (com o qual eu sonhava, ouvindo as vãs promessas de sua edificação próxima, desde os idos de 1978, quando comecei a acompanhar minha mãe em manifestações na USP) será uma realidade bem antes da solução para o eterno problema da universidade pública brasileira.

Promessas não faltam, boas promessas midiáticas e falaciosas menos ainda. Recentemente, logo após o anúncio da proposta do governo (feita somente após 53 dias de greve) uma aluna minha me mandou uma mensagem pelo celular: "- Parabéns professor, o sr. irá ganhar 17 mil por mês e a greve vai acabar" (até parece! - educadamente respondi que só acreditava vendo). Entre a tola manipulação da opinião pública e a efetividade das propostas existe um abismo gigantesco. Recentes estudos da PROIFES mostram que a proposta do governo representa uma perda real de salário para a maioria dos níveis da carreira docente se for computada a inflação prevista até a conclusão do ajuste proposto.

Copiado de Jornalismo Ciência Ambiente
Não cabe aqui demonstrar por "A+B" o absurdo da proposta do governo, já que a razoabilidade esperada há muito tornou-se inexistente. Mentir e manipular para obter interesses específicos, infelizmente, faz parte do atual jogo político. A coisa é bem mais grave se aquele que mente e tenta manipular acredita que ao repetir ad nauseam a mesma ladainha ela se tornará realidade; deveria ser tratada como patologia a partir do momento em que o mitômano começa a realmente crer na sua própria história, em seus próprios argumentos. E, a quem ousar desafiar tais verdades, anunciando que "- O Rei está nu!", recomenda-se, enfaticamente, o corte de ponto, por crime de lesa pátria.

Frei Betto, homem que costumava ser visto pelos petistas como exemplo de ética e justeza, publicou na semana passada um diálogo imaginário (em minha opinião) que teve com um alto representante do governo atual, em um encontro fortuito no aeroporto, sobre a greve da universidades. A cada argumento esdrúxulo de seu colega o escritor rebatia com a lógica evidenciando os absurdos de posições falsamente justificadas em "contigência orçamentária", "necessidade de investimentos mais produtivos", "avanços na imagem do país" com a copa do mundo, "nível de remuneração do serviço público" etc. Ao se despedir, seu amigo reconhece a mais cruel das verdades: "- O problema, companheiro, é que, por estar no governo, não posso criticá-lo. Mas você tem boa dose de razão".
  • Não deixe de ler a íntegra do texto de Frei Betto aqui (não deixe de ler mesmo!)
  • Leia aqui post anterior sobre a greve atual
  • Veja aqui relação  de posts anteriores sobre a UnB e greves pregressas.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Por que fazemos ciência?

Copiado de Wikipedia
Para que serve a ciência, afinal? Muitas pessoas acham que é para melhorar a sociedade e o mundo. Outras argumentam que o juízo de valor sempre é questionável, pois o que é melhor para alguém pode não ser melhor para outrem. Há quem diga que serve para dominar o mundo e alterar a realidade... No universo acadêmico a abordagem de cunho empiricista muitas vezes apregoa que o limite da pesquisa científica, ao menos no âmbito de projetos de mestrado e doutorado, está relacionado à compreensão de um fenômeno. Os defensores do relativismo e da crítica humanizadora, por vezes admitem, e até assumidamente procuram, a transformação de uma dada realidade a partir da compreensão de um fenômeno, podendo, inclusive, buscar a modificação do próprio fenômeno, em algumas situações. 

Eduardo Tomanik tem uma frase bastante interessante sobre a postura transformadora que a pesquisa científica pode vir a ter: "a realidade é sempre mais complexa do que podemos perceber; por isso pesquisamos. Ela é sempre diferente do que gostaríamos que fosse; por isso tentamos modificá-la.”.  E você, jovem pesquisador de Ciência da Informação, como se posiciona a respeito dessa questão? Como essa preocupação está evidenciada (se é que está) no seu projeto ou na formalização de sua pesquisa? 

Utilize o campo comment, abaixo, para indicar a url do seu blog onde esse ponto é discutido. Caso você não possua um blog, opine diretamente nesse mesmo campo.

O prazo, para os alunos do DINTER encerra-se às 8hs:14min do dia 02/julho/2012, horário de Brasília.

Os alunos de mestrado da UnB têm até às 13hs:59min do dia 05/julho/2012, horário de Brasília para postarem a resposta.

Não esqueçam de se identificar (nome e código).!

terça-feira, 12 de junho de 2012

O que é Qualis?

Adaptado de Cinefalopatas
A pergunta parece tola para aqueles que respiram cotidianamente a pós-graduação brasileira, mas, em conversas, com muitos colegas, percebi que há muito desconhecimento no ar.

O Qualis é um sistema de rankeamento da publicação de artigos dos professores e alunos de pós-graduação brasileira e, supostamente, abrange TODAS as revistas onde publicamos, em qualquer área do conhecimento (coisa de louco...).

O sistema atual tem 7 estratos:
  • A1 - para periódicos de excelência internacional reconhecidos como relevantes no Brasil (pode haver periódicos nacionais na lista desde que tenham alcance internacional) 
  • A2- para periódicos de excelência reconhecidos como relevantes no Brasil (é um nível realmente muito bom para se publicar) 
  • B1 - B2 - B3 = em ordem decrescente de "qualidade" para o "resto" dos periódicos
  • B4 e B5 = periódicos bem mais inferiores no sistema de avaliação 
  • C = é periódico só na definição técnica, mas tem por atribuição avaliativa valor=zero 
O sistema é para avaliação de programas de pós e não de pessoas. Apesar dos elaboradores do serem contrários à utilização do para a análise currículos pessoais essa prática vem sendo cada vez mais utilizada. Por ser destinado a programas os Qualis de uma revista ou de outra podem variar entre as áreas. Por exemplo a revista História, Ciências, Saúde-Manguinhos é B1 em Saúde Coletiva, porém, na área do programa ao qual eu estou vinculado (Ciências Sociais Aplicadas 1) ela é apenas B2. Ou seja, se eu, por acaso, publicasse um artigo nela, ele teria muito menor pontuação (para meu programa) do que se eu publicasse na revista Ciência da Informação, que é A2 na minha área e apenas B5 na área de História. 

Há uma regra de proporção que limita a quantidade dos que podem ser A1, A2 e B1, para, teoricamente, evitar que uma área acabe por nivelar por baixo sua produção e considerar quase que a totalidade de seus veículos como superiores à media. A aplicação de tal regra, no sistema atual também é vista como formalisticamente estagnadora do desenvolvimento dos programas, conforme defende João Pereira Leite em editorial da Revista Brasileira de Psiquiatria (veja aqui). Pelas definições, a soma de A1+A2 não pode se maior do que 25% dos periódicos nos quais cada área publica. Isso significa que nunca uma área poderá estar majoritariamente publicando em revistas de excelência, o que é corroborado pela outras duas regras de "qualificação":
  • a quantidade de periódicos em A1 tem que ser inferior à quantidade de periódicos elencados em A2; 
  • a soma de A1+A2+B1 não pode ser superior a somatória de todos os outros periódicos das demais categorias; ou seja não é possível que nenhuma área publique mais do que metade de seus artigos em revistas muito boas e/ou excelentes.
Maiores detalhes estão na página da CAPES (ver aqui), na qual há o link para a consulta dos periódicos na base de dados Qualis (não roda no Chrome, apenas no Firefox e no Internet Explorer).

Leia aqui outro post publicado neste blog sobre o Qualis.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Compromisso Intelectual

A pergunta é muito simples: alguém tem dúvida de que o Brasil é candidatíssimo a ganhar a Copa do Mundo? Acredito que nem o mais fanático dos "hermanos" negará isso. Se perguntarmos quais as chances atuais de um Brasileiro ganhar um prêmio Nobel científico a resposta também será consensual, apesar de negativa. A questão de fundo não reside apenas nos "eternos" e "insolúveis" problemas estruturais da América Latina, mas também na ausência de uma mudança de postura intelectual, sobretudo na criação de amplas redes de produção científica compartilhada de qualidade, capazes de serem consolidadas aqui, na América Latina. Vivemos o "momento" do bicentenário da América, com as efemérides de 200 anos de independência mais ou menos próximas (Argentina e Chile em 2010, Paraguai e Uruguai em 2011, Brasil em 2022 etc.) e todos os países Latinoamericanos (uns mais do que os outros) apresentam problemas relacionados à pobreza, educação, segurança etc. Será que daqui a outros 200 continuaremos a nos preocupar com circo e pão, nos iludindo com os indicativos de produção científica, mas efetivamente, no geral, representando muito pouco na produção científica mundial? A mudança de atitude deveria já ter começado ontem, porém os resultados não serão imediatos. 

O investimento e o estímulo à formação de jovens como novos cientistas é cada vez mais crucial. Na última semana, o prestigiado intelectual chileno Eduardo Devés, que lidera o movimento Internacional del Conocimiento, teve uma conversa aberta com os estudantes de iniciação científica da UnB (ver chamada aqui), além de outros interessados presentes, sobre o manifesto "Compromiso Intelectual", que busca atingir a ambiciosa meta de 10.000 assinaturas (já são mais de 8.200) e sobre o 3º Congresso Internacional da Internacional do Conhecimento, o "III Congreso Ciencias, tecnologías y culturas: diálogo entre las disciplinas del conocimiento. Mirando al futuro de américa latina y el caribe: hacia una Internacional del Conocimiento", previsto para ocorrer em Santiago do Chile em janeiro de 2013. Nesse congresso há um espaço privilegiado para participação discente, além, de simpósios de altíssimo nível sobre os mais variados temas. (Veja aqui, à guisa de exemplo, nota sobre um dos simpósios do Congreso).

Foram mais de 60 pessoas que assinaram a lista de presença, a maioria estudantes bastante interessados em ter uma vivencia universitária que vá além da sala de aula e que ultrapasse os limites do campus da UnB e as fronteiras do Brasil. Veja aqui as fotos do evento.

Conheça melhor aqui o manifesto completo "Compromiso Intelectual" e aponha sua assinatura aqui.

EM TEMPO: Assista aos vídeos da palestra, gentilmente gravados e disponibilizados pelo Centro de Referência Memória Viva, no Fórum EJA, aqui.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Oportunidade para participação de alunos em Congresso no Chile


O Programa de Iniciação Cientifica do DPP/UnB promove nessa 5ªf, dia 22 de março, às 10h:00min, no auditório da Reitoria palestra com o professor Eduardo Devés, da Universidade de Santiago de Chile e coordenador do "III Congreso Ciencias, tecnologías y culturas: diálogo entre las disciplinas del conocimiento. Mirando al futuro de américa latina y el caribe: hacia una Internacional del Conocimiento"

Os congressos da Internacional del Conocimiento buscam abranger temas mais relevantes (e diversos) ligados à problemática de seu subtítulo (acesse aqui a convocatória geral do III congresso). O congresso faz parte do movimento Internacional do Conhecimento. cujos objetivos gerais são assim definidos:
  1. Contribuir com o diálogo e intercâmbio entre diversas disciplinas.
  2. Fomentar a discussão sobre a tarefa intelectual em uma Amárica Latina atrasa, no marco do Bicentenario.
  3. Gerar um grande movimento de coordenação que agregue pessoas e instituições que produzem e difundem o conhecimento para desenvolver as forças produtivas intelectuais
O movimento Internacional del Conocimento propõe, entre outras coisas articular uma rede de profissionais do conhecimento e da informação, transcendendo partidos, nações, associações, disciplinas e instituições. Uma grande rede que, acima das crenças e ideologias, se compromete com a qualidade do conhecimento e honestidade intelectual, convicta que estas são as chaves para o bem estar da humanidade, particularmente para a América Latina e o Caribe (acesse aqui o portal do movimento). Tais ideais foram melhor expressas em 2010 em um manifesto que pontuou 10 itens básicos para viabilizar a proposta (acesse aqui a página do compromisso intelectual 2010). 

No âmbito do Mercosur o movimento da Internacional del Conocimiento tem se proliferado em congressos mais localizados de grande porte, como é o caso, por exemplo, do ECHT (ver post aqui) através do movimento "Diálogos en Mercosur" (ver portal aqui).

Os congressos da Internacional do Conhecimento são multi e pluridisciplionares e representam uma excelente oportunidade para intercâmbio acadêmico e científico entre pesquisadores e alunos de diversas partes do mundo. O congresso atual conta com 60 simpósios que abrangem os mais variados temas (ver relação aqui), para os quais ainda é tempo de submeter resumos para participação. 

As datas-limite são as seguintes: 
    30/junho/2012: prazo para submissão de resumos; 
    31/agosto/2012: prazo para envio do texto final
    07 a 10/janeiro 2013: realização do evento em Santiago de Chile.

O congresso contará ainda com uma sistemática própria para a apresentação de trabalhos de alunos de graduação (ver página aqui), que terão direito a alojamento gratuito na Universidade de Santiago de Chile (devem trazer saco de dormir e material de higiene pessoal). A alimentação poderá ser feita no restaurante universitário com preços bastante atrativos.O prazo para envio de propostas de apresentação de alunos de graduação é 31/agosto. 

O evento internacional (no verdadeiro sentido da palavra) é uma excelente oportunidade para que os alunos do PROIC apresentem seus trabalho, em um país estrangeiro, com uma condição de custos bastante favorável , dando visibilidade aos seus trabalhos e, mais importante, compartilhando suas pesquisas com interlocutores. 

Não deixe de comparecer a palestra com o coordenador do III Congresso da Internacional do Conhecimento, Eduardo Devés, um dos mais prestigiado e produtivo intelectual latinoamericano da atualidade (baixar currículo aqui).

Data: 5ªf 22/03/2012
Horário: 10:00
Local: Auditório da Reitoria / UnB

sábado, 28 de janeiro de 2012

A volta da caça às bruxas ameaça o desenvolvimento científico

Copiado de "Megaupload"
Em 1940 os Estados Unidos iniciaram uma "cruzada" anti-comunista, encabeçada pelo senador McCarthy, que transformou-se em uma verdadeira caça às bruxas, com episódios lamentáveis de delação, perseguição e danos irreparáveis à produção artística, intelectual e científica. Hoje unanimidades mundiais, Chaplin e Orson Welles foram colocado em listas negras. Não se trata de defender este ou aquele projeto político, porém de analisar criticamente como a legitimação de procedimentos de exceção generalizados e aplicados indiscriminadamente acaba por ser muito mais danoso do que os efeitos do que se tentava combater.

Marx, no 18 Brumário, já alertava que a história acontece como tragédia e depois se repete como farsa. Hoje um conjunto de instrumentos legais, cujo acrônimo é SOPA, recentemente aprovados permitem que o governo estadunidense feche os sites que desejar com base em denuncias hospedagem de material "pirateado". Notem bem a semelhança assustadora que continua haver em episódios distantes no tempo mais de 70 anos: a denúncia é suficiente para desencadear ações punitivas. Em mais de 70 anos, não! Em mais de 300 anos se formos considerar que na época da inquisição algum "denunciado" dificilmente escapava da punição, não importando quais fossem os fatos. 

Copiado de "Log (WTF?)"
O fechamento recente do site do Megaupload é, infelizmente, o prenúncio de ações mais drásticas e danosas que irão comprometer seriamente a liberdade de expressão e o desenvolvimento de pesquisas ao redor do mundo. A questão principal é a responsabilização do site por ações consideradas ilegais por qualquer um dos seus participantes. Por exemplo, por conta do fechamento do Megaupload, trabalhos finais de curso de meus alunos de graduação não mais estão disponíveis ao público. Não apenas a liberdade de expressão foi vilipendiada, mas a ampla circulação de ideias foi totalmente comprometida. A lógica da SOPA é mais ou menos a seguinte: se o seu vizinho é suspeito de ser criminoso, você e todos os demais moradores do seu prédio ficarão em prisão domiciliar por tempo indeterminado, sem comunicação com o resto do mundo. A grande questão é que apesar da SOPA ter vigência somente nos EUA é lá que estão hospedados a maioria do arquivos.

A simplicidade do cartunista argentino Quino com sua personagem Mafalda bem ilustra a irônica e trágica situação atual.
Copiado de "Factoría Olaf"

A comunidade 2.0 e 3.0 mundial tem convocado protestos virtuais e sinalizado com boicotes, porém a representatividade da hospedagem de arquivos em servidores estadunidenses é deveras significativa e já está comprometendo seriamente importantes redes científicas de intercambio e construção de informação, conforme denuncia o prof. Dr. Zapopan Martín da Universidade de Sheffield:
"Caros colegas,
O periódico internacional, de acesso aberto e revisado por pares, "Critica Bibliotecologica: Revista de las Ciencias de la Informacion Documental" manifesta apoio aos cidadãos estadunidenses e aos usuários da Internet ao redor do mundo para protestar contra os seguintes atos dos EUA: SOPA (Stop Online Piracy Act), PIPA, e o Research Works Act feitos para dificultar a liberdade de informação na Internet e para dificultar o acesso e uso de informação por instituições mantidas com financiamento público!
Não ao SOPA dos EUA!
Não ao PIPA dos EUA!
Não ao Research Works Act dos EUA!
Não ao ACTA dos EUA!
E NÃO A QUALQUER LEGISLAÇÃO DRACONIANA DOS EUA (OU DE QUALQUER OUTRO PAÍS) QUE UNILATERALMENTE PRETENDA SUBMETER OS CIDADÃOS DO PLANETA A SEREM ESCRAVOS E CONSUMIDORES DE INFORMAÇÃO!!!!!!
JÁ É TEMPO DE OS CIDADÃOS DO PLANETA DESTRAVAR E QUEBRAR, POR QUALQUER MEIO, AS BARREIRAS À INFORMAÇÃO, AO CONHECIMENTO E À SABEDORIA QUE SÃO IMPOSTAS DE MODO IRREAL POR UM PEQUENO GRUPO DE GRANDES LADRÕES CAPITALISTAS E BURGUESES E POR VERDADEIROS PIRATAS DOS EUA, REINO UNIDO, CANADÁ, ITÁLIA, FRANÇA, ALEMANHA, JAPÃO, RÚSSIA E PELA MAIORIA DE SEUS GOVERNOS-FANTOCHES AO REDOR DO MUNDO, QUE EFETIVAMENTE ROUBAM E PIRATEIAM OS RECURSOS NATURAIS  DO PLANETA E AS CRIAÇÕES INTELECTUAIS E CULTURAIS PARA DEPOIS REVENDÊ-LAS AOS CIDADÃOS DO PLANETA A PREÇOS ESTRATOSFÉRICOS!!!!!!!!!!!!!!! 
A TODOS OS SERES HUMANOS QUE TÊM CÉREBROS E REALMENTE QUEREM UTILIZÁ-LOS:  VAMOS NOS SUBLEVAR E PROTESTAR EM CADA CANTO, EM CADA TRINCHEIRA AO REDOR DO PLANETA CONTRA ESSES GRUPELHOS DE LARÁPIOS CÍNICOS, CAPITALISTAS E BURGUESES ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS E TENHAMOS QUE PAGAR PELOS SINAIS DE FUMAÇA QUE IREMOS UTILIZAR PARA NOS COMUNICAR DEPOIS QUE NOSSO PATRIMÔNIO CULTURAL, CIENTÍFICO, TECNOLÓGICO E HUMANISTA FOR CONDENADO ÀS CINZAS PELOS ATUAIS LADRÕES CÍNICOS, CAPITALISTAS E BURGUESES!!!!!!!!!!!!!!!"
O furor do prof. Zapopan talvez seja um pouco exagerado (porém necessário) e reflete bem um risco real e de um processo que já se iniciou e que, certamente, terá consequências bastante perversas para a sociedade da informação no que tange à democratização do saber, seu acesso e construção dinâmica. Aqueles que quiserem melhor acompanhar o debate sobre a liberdade de expressão na Internet podem acessar a página da Electronic Frontier Foundation (EFF) e, em especial o artigo intitulado "Temos todo o direito de estar furiosos o ACTA". Para aqueles que ingenuamente creem que as novas normas dos EUA não lhes dizem respeito fica o antigo (e sempre atual) alerta:
Copiado de "Diplomática e Tipologia Documental - UnB"

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O papel social da pesquisa científica

Copiado de De Rerum Natura

O papel social da pesquisa científica

Caroline Lopes Durce &  Caroline Maria Beasley
(mestrandas do PPGCINF-UnB)

Tomanik e Milton Santos trazem em suas obras, a preocupação a respeito do uso das Ciências como meio de controle social. Para eles, as Ciências Sociais deve se colocar em oposição a essa corrente, e sim permitir que a sociedade conheça e perceba a realidade em que está inserida. 

Milton Santos, em seu trabalho “As humanidades, o Brasil, hoje: dez pontos para um debate”, diz que o grande desafio das Humanidades é discernir a verdadeira estrutura do Mundo. Para o autor, o “problema crucial é que a ciência, tributária da técnica e do mercado, cada vez mais se submete a princípios perversos de organização”, o que empobrece a pesquisa. 

Esse uso da ciência, abordado pelo autor, de maneira a servir ao Poder (Estado e Mercado) desvirtua o sentido de se fazer ciência, tornando às Humanidades “tributárias e não propriamente críticas”. Para o autor, as Ciências Humanas, nesse contexto permanecem em um segundo plano, já que não conseguem ter a dinâmica de resultados imediatos das Ciências Exatas. Ele defende que as Humanidades devem, mais do que nunca, fazer cumprir o seu papel, para terminar com a lógica de dominação por interesses econômicos. 

Tomanik, por sua vez, aponta que, enquanto as Ciências Sociais se mantiverem a sombra do modelo empírico proposto pelas Ciências Naturais, aquelas serão simplistas em seus objetivos e métodos. O autor afirma que a visão empirista de ciência; que prega sua objetividade, naturalidade e neutralidade; deve dar lugar a uma humanização da ciência, onde a não-neutralidade e os aspectos ideológicos são considerados possíveis. Essa humanização abre a possibilidade que os objetivos das ciências evoluam da descrição e controle para a compreensão e a transformação. Para ele, “o conhecimento científico só terá sentido se puder, de alguma maneira, ser reapropriado pela comunidade ou indivíduo a que se refere, e checado por eles, em suas práticas”. 

A nosso ver, os dois autores chamam a atenção para o papel das Ciências Sociais como contraponto no uso das Ciências para a dominação de um pensamento das classes dominantes. O cientista não pode adotar uma postura ingênua em suas opções de pesquisa. Ele deve compreender seu papel na transformação da sociedade, embora esse não seja seu fim imediato, tal como colocado por Tomanik: “Não se propõem mais [as Ciências Sociais] a conhecer para controlar, mas compreender para participar.” 

Referências:
  • SANTOS, Milton. As Humanidades, o Brasil, hoje: dez pontos para um debate. In: HUMANIDADES, pesquisa, universidade. São Paulo: Comissão de Pesquisa/FFLCH-USP, 1996. p.9-13. 
  • TOMANIK, Eduardo Augusto. O que é ciência? : a ciência no discurso dos cientistas. In: ______. O olhar no espelho: “conversas” sobre a pesquisa em Ciências Sociais. 2. ed. rev. Maringá: Eduem, 2004. Cap. 3, p. 55-113.

domingo, 8 de maio de 2011

Administradores de Migalhas

Adaptado de imagem publicada em Migalhas

Administradores de Migalhas

José Flávio Sombra Saraiva

PhD, The University of Birmingham, Professor Titular da UnB, Coordenador
do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais /UnB (conceito 6 da
CAPES) e Presidente da Associação Brasileira de Relações Internacionais

O artigo As prioridades nacionais (ver aqui) é um bom depoimento ilustrativo. A avaliação sublinha o degradante do quadro.

Desconfio que estamos nos tornando, todos em nossas funções de gestores dos programas de pós-graduação, na nova e seguinte função: ADMINISTRADORES DE MIGALHAS. E ainda nos jogam uns contra os outros, como ratos à busca de queijos velhos espalhados no chão. Notei os olhares de desilusão e desespero naqueles pobres professores que estavam no Salão de Atos da Reitoria na mencionada reunião. Estão desesperados. Estão tristes.

Tiraram de nós, professores e cientistas, tanto a liderança científica quanto a soberania do saber em favor da burocracia tecnocrática. Eles ocupam cargos, gostam dos DASs e das diversões, viagens... Adoram procedimentos e matrizes desiguais apriorísticas, sem testes prévios nem razões plausíveis para suas planinhas e matrizes de cálculo. E já vem de antes isso...

E nós, na base, ficamos no seco e no esforço de produzir ciência em um país carente. A gente pode fazer tudo, menos POLÍTICA CIENTÍFICA, pois eles são os donos do pedaço e SABEM A VERDADE!!! Risos! Aprenderam nas cartilhas do Partido. Eles adoram eles mesmos seus cargos. Segue o retrocesso!

Insisto que está morrendo, gradualmente, a dimensão competitiva e contributiva dos cientistas brasileiros ao Brasil que imaginamos, com futuro altivo, premio Novel, em condições de estarmos no mundo, pelo menos ao lado de nossos competidores chineses, coreanos, alguns europeus, etc. Mas estamos perdendo campo diante do aparelhamento pouco meritorcrático dos cargos de gestão voltados para o fomento nacional para nossas áreas, inclusive no interior de nossas universidades públicas federais. Essas também se tornaram repartições públicas, sem criatividade, sem vontade de mover novas energias. São gestores sem coragem, olhanto o movimento da biruta política da Esplanada dos Ministérios.

Lamento, pessoalmente, o quadro e a fraqueza das almas pobres de idéias e forças de transformação.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

As prioridades nacionais

Copiado de Grand Strategy Brazil

Hoje, em reunião com os demais coordenadores de pós da UnB, para analisar o corte que a CAPES jura que não fez em nossos orçamentos, fiquei atônito ao descobrir que um dos critérios para a concessão de bolsas para a pós-graduação é uma lista de prioridades por área, inalterada desde os tempos do governo militar. Pelos critérios de tal lista, o Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação, que subiu da nota 4 para 5 na última avaliação trienal, tem um quinhão menor do que alguns programas de conceito 3 ou 4.  Vamos a ela:
  • Prioridade 1: Engenharias, Multidisciplinar, Ciências Biológicas, Ciências Exatas e da Terra (exceto Geociências e Matemática: Probabilidade e Estatística), Ciências Agrárias (exceto Medicina Veterinária), Ciências da Saúde (apenas Farmacologia e Saúde Coletiva).
  • Prioridade 2:  restante sub-áreas excluídas em 1.
  • Prioridade 3: Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Letras, Linguística e Artes.
Tal lista implica ainda em limites quanto à quantidade de bolsas por programas. No caso do PPGCINF-UnB, como somos 5 (o que é alto), nosso limite é de 20 bolsas, independentemente de nossa necessidade, de nosso desempenho com elas e de nosso tamanho. Na última estimativa feita, ainda esse mês, nossa demanda seria de 25 bolsas, algo que só poderia ocorrer se não fôssemos a última prioridade. Aliás, se estivéssemos listados na elite das engenharias ("engenharia da informação"?) poderíamos ter as 25 bolsas sendo apenas nota 4, permanecendo no patamar anterior. O único programa nota máxima da UnB, a Antropologia, para a CAPES é absolutamente não-prioritário. 

Essa lista, além de ser mais um dos entulhos tecnocráticos que emperram o desenvolvimento científico nacional, subverte o que deveria ser a máxima diretriz da universidade: o mérito. A desculpa atual é que determinadas áreas são mais cruciais para alavancar PD&I (o discurso da moda) do que outras. O paradoxal é que quando a moda era outra, tempos atrás, as prioridades eram as mesmas. A análise não pode ser generalizada por grandes áreas nacionais. Possivelmente o avanço da engenharia civil no Sudeste contribui mais para PD&I do que no Acre (tanto que lá os programas de pós são de outras áreas). De modo similar, pela proximidade com os órgãos governamentais, o potencial que o PPGCINF tem para contribuir com a gestão do estado Brasileiro não é a mesmo que terá um programa que tenha outras características. 

Se estamos falando de ciência, a lógica da bola de cristal deveria ser posta de lado. Achar que tais áreas darão melhor resultado e não outras é quiromancia. Como coordenador de programa de Ciência da Informação, posso elencar inúmeras contribuições que poderíamos dar à inovação, a começar por uma gestão mais eficiente e transparente de recursos informacionais, que possibilaria maior eficiência na gestão dos recursos público e, portanto maior capacidade de execução de avanço tecnológico (eficácia). Colegas, de outras áreas, também devem ter seus argumentos para se definirem como prioritários. O problema é que um debate nesse nível não resolveria o problema em seu âmago, apesar de ser sempre desejável sair do modelo autocrático - das coisas pré-definidas pelo poder (ou pelo oráculo que lê nas entranhas de animais) -, para um modelo sofista, no qual a melhor capacidade de argumentação e convencimento representaria maior proximidade com a verdade. Não se trata disso na academia. Quem provar que está avançando e contribuindo mais deverá ter mais espaços. Por que não estabelecer as prioridades a partir da análise de resultados? Afinal, dizem, o Brasil é campeão de avaliação científica e devotamos boa parte de nossa energia produtiva para sermos avaliados por nossos resultados. A lógica do mérito, no entanto, tem que tomar cuidado para não fazer o anti-mérito e punir quem não avança tão efetivamente.


Veja mais anotações sobre a política de fomento da CAPES e a extinção do Programa Prof aqui.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A perna manca do Brasil (só a perna?)

Clique na imagem para ler o texto do Prof. Saraiva

Em excelente artigo no Correio deste domingo, meu colega de Câmara de Pesquisa e Pós-graduação da UnB, o Prof. Ph.D. Flávio Sombra Saraiva, com a sua habitual perspicácia e precisão, retomou o tema da "perna-manca", utilizado na semana anterior para, metoforicamente explicar porque a atual onda de "crescimento" nacional está comprometida (acesse aqui a reportagem). No artigo de hoje o eminente professor detalha melhor alguns macro-problemas do modelo de desenvolvimento nacional, vigente há mais de um século. O paralelo com a UnB e o modelo de universidade perseguido (perseguido mesmo) não é diferente do que aquele que indiquei em comentário do post anterior, no qual fiz menção à Embrapa, como a exceção da pesquisa fora das universidades. Na tentativa de avançar a discussão sobre o desenvolvimento e seus entraves (representados pela perna-manca) teríamos que pensar, anatomicamente falando, ainda no cérebro, representado pela construção de conhecimento de ponta na universidades. 

Muitas vezes os "grandes" pensadores das grandes "soluções" para o Brasil se esquecem de pensar no dia-a-dia, como é o caso do salário dos professores (e não o dos juízes e deputados), a penúria dos bolsistas (alguns que ainda têm dívidas contraídas durante o Natal, quando houve um "apagão" em parte do sistema de pagamento de bolsas). É no dia-a-dia que se formam os pesquisadores de amanhã e que se produz, gota a gota, a inovação tecnológica. Sem ela, não há como produzir valor agregado comprometido com o desenvolvimento nacional. Os números que colocam o DF como um dos mais altos PIBs do país se esquecem de mostrar que tais índices vêm da circulação de dinheiros de impostos e de altos salários públicos (de impostos também, portanto) e não a produção de bens com valor agregado.

Hoje, fim de janeiro de 2011, a situação das IES federais é gravíssima. Os programas da UnB que acreditaram na possibilidade de transferir recursos não gastos em 2010 para 2011 se deram mal, posto que além de os orçamentos terem sido zerados eles ainda não foram abertos. Alguns programas pouparam recursos pensando em gastar melhor em 2011. O resultado foi uma perna mais do que manca com restrições em um ano e no outro. O pouco conhecimento de ponta que conseguimos, às duríssimas penas, produzir na pós-graduação depende, cada vez mais, de esforços abnegados de jovens pesquisadores. Uma das mais importantes conferências internacionais da área da Organização do Conhecimento aceitou a comunicação de um doutorando da UnB. Esse rapaz, por ter um projeto ligado à área da qualidade da informação em bibliotecas de saúde, pleiteou um auxílio ao Ministério da Sáude que foi negado. O tradicional apoio que o programa de pós ao qual ele se inscreve poderia dar obrigou-se a negar a solicitação de míseros 800 dolares para representar o programa e a UnB em uma conferência top na Índia, pela simples razão que o nosso orçamento ainda não foi liberado (e existem pressões para que a modalidade que hoje sustenta a pós na UnB, o programa PROF, seja extinta). Hoje não conseguimos montar bancas de mestrado com professores externos à Brasília, por conta de tais contingências. O prof Saraiva se pergunta (retoricamente) se algum dia termos um Nobel ministrando classes na UnB. Eu me pergunto quando é que vamos conseguir ter, de novo, um nome da USP, da UNICAMP, daqui do país mesmo, para compor um banca de mestrado e, eventualmente, dar uma palestra. 

O Brasil tem uma perna manca e um cérebro cada vez menos funcional. Os piratas, pelo contrário: tiram proveito da situação, mesmo com a perna manca. Os piratas, dos olhos de vidro (como alguns ufanistas da UnB, que só olham para um lado da questão), das pernas de pau, das caras de maus (e caras de pau mesmo), vão acumulando cada vez mais riquezas, entesourando-as, enquanto fazem a universidade pública andar na prancha, enquanto a galera vibra, entre um baseado e outro, porque as privadas nem na prancha estão.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A ciência do brasileiro


Nem só de futebol vive o Brasileiro. Pelo menos essa é a conclusão sinalizada pela pesquisa realizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O site da Folha de São Paulo apresentou ontem os resultados da pesquisa em questão (Acesse aqui). Apesar do avanço apresentado nos últimos quatro anos, a maioria dos entrevistados não soube citar sequer o nome de pelo menos um pesquisador brasileiro; muito menos alguma agência de fomento às pesquisas. 

As perguntas que não querem calar: é suficiente perguntar se o interesse por pesquisas aumentou? Você responderia que não diante de um pesquisador? Em que medida o interesse declarado pessoalmente pode realmente contribuir para a melhoria dos níveis de pesquisa do país? A pesquisa tinha por objetivo investigar as atitudes e percepções dos brasileiros no que diz respeito a ciência e tecnologia. Enquanto isso, todos sabem qual será o futuro de Ronaldinho Gaúcho...