Reflexões sobre a prática docente na universidade, a partir do capítulo 2-3 do livro 'O Professor Universitário em aula: prática e princípios teóricos'. Os autores, Abreu e Masetto, demostram a importância do planejamento de aula, registro dos objetivos desse planejamento e sua relação com a qualidade empregada dentro do sistema educacional, relevando contextos e pontos de vistas dos alunos, do professor e dos programas onde estão inseridos.
Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento
Mostrando postagens com marcador Educação escolar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação escolar. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Reflexões Cap. 2-3: O professor Universitário em aula: Planejamento e objetivos do plano de aula
Marcadores:
ALENTEJO E,
Apresentação acadêmica,
Educação escolar,
Marcos Masetto
sexta-feira, 17 de junho de 2011
O professor, o Brasil, hoje (hoje?, desde de sempre e até quando?)
Professor grevista carrega policial ferido - copiado de O mundo bizarro de José Serra |
Meu aluno e professor Eduardo Alentejo, após assistir ao depoimento da professora Amanda Gurgel do Rio Grande do Norte denuncia:
"Professores de todos os níveis, em todo o país, vivem a situação descrita - e as vezes pior do que a descrita por esta professora. O ponto em comum no processo de deteriorização que a professora denuncia é o discurso político que consguiu, em parte, contaminar o pensamento popular sobre qualidade da educação, diz a professora Amanda: basta de números estatísticos ... é necessário parar de associar o discurso da qualidade da educação à situação de sala de aula, o professor como culpado pela falta ou responsável por gerá-la. Chega de iniquidade, chega de deteriorização do ensino, chega de desprezo. Não dá para ver deputados, secretários de Educação, Ministro e diretoria da Educação, viverem uma espécie de la vie en rose enquanto nós professores vivemos o inferno de Dante. Vamos modificar esse cenário: vamos exigir intensificadamente um sistema educacional com o comprometimento e responsabilidade de todos, isso requer quebrar o paradigma ditatorial da vergonha nacional: educação. Por favor, assistam o vídeo:
O cenário se repete parece que eternamente. A solução para o problema da educação sempre recai nos professores. Devem ficar mais tempo em sala, devem atualizarem-se em relação às novas TIC, devem preparar melhor as aulas, devem reservar um tempo para atendimento de alunos, devem participar de comissões e (no caso da universidade) participar ativamente da burocracia, porém devem fazer isso por meio de mágica, já que não são dadas as condições efetivas para tanto.
Os professores, para o poder público, são vistos, como bem evidenciou a professora potiguar, como redentores da pátria. Somos seres mágicos, como as mães: não temos necessidades, não nos cansamos (alguém se lembra quando cassaram 5 e depois outros 5 anos do tempo mínimo para a aposentadoria dos professores? Foi em uma das épocas em que se reformulou a previdência, com a promessa de mudar a aviltante aposentadoria parlamentar). O professor tudo faz e nada pode. Recentemente, o meu curso de graduação da UnB recebeu uma "demanda" para que aumentássemos a oferta do curso em "apenas" 8 vagas semestrais (16 anuais, ou 18% a mais). Afinal, devemos ser como coração de mãe: sempre cabe mais um. É por isso que quando o então governador paulista José Serra mandou a polícia bater nos professores, um dele teve a humanidade de socorrer o agressor ferido. Em mãe não se bate! Mesmo assim ela sempre perdoa.
Novamente "pesquisas" para lá de discutíveis tornam a "explicar" a realidade. Recentemente a revista Veja publicou uma reportagem (ou um libelo?) que mostrava (e quantificava) como somos incompetentes no aproveitamento do tempo. Lembrei do primeiro emprego de professor que tive, em um supletivo que pagava pior do que a rede estadual de ensino, com janelinhas nas portas (fora de nossa visão) nas quais a diretora vigiava os professores, o conteúdo "passado" e, talvez, o uso do tempo. Detalhe: não podíamos reprovar ninguém, pois, afinal, eles é que pagavam a escola e mantinham os nossos empregos, como fui "informado" ao divulgar minhas médias finais. Fui até advertido de que os alunos reprovados iriam se matricular no supletivo do outro lado da rua, o que forçaria a escola diminuir as turmas e ter que, infelizmente, dispor de alguns de seus profissionais... A reportagem da veja não ficou impune e Eduardo Alentejo fez questão de que os leitores deste blog tivessem acesso a ela, na íntegra:
Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador. Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.
Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.
Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos do quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?
E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência.
Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.
Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.
E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração; Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas.Plano de saúde? Muito precário.
Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que se esforcem em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos", “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.
Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite.
E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.
Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.
Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo. Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!! Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.
Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.
Sugestão de atividade: analise e compare o depoimento do vídeo, a carta da leitora e a situação atual da instituição universitária na qual você estuda e tenta produzir pesquisa. Se sua análise for bem honesta você verá que não tantas diferenças entre a UnB, cujos alunos promovem a "Festa da xoxota louca" (ver aqui e aqui também) e o ensino público médio e fundamental, afinal, eles estão entrelaçados "siamesticamente". Negar esse fato seria acreditar que na universidade somos mais puros e superiores por fazermos "pesquisas".
Post iniciado por Eduardo Alentejo, que me passou o interessante material das duas professoras.
Marcadores:
ALENTEJO E,
Educação escolar,
LOPEZ A P A,
UnB
quinta-feira, 16 de junho de 2011
O professor universitário em aula: prática e princípios teóricos
Reflexões sobre a prática docente na universidade, a partir do capítulo 1 do livro 'O Professor Universitário em aula: prática e princípios teóricos'. Os autores, Abreu e Masetto, desconstroem o mito do professor e do aluno perfeitos ao focarem o aprendizado como sendo o principal objetivo da relação ensino-aprendizagem no plano do sistema educacional. Obviamente, que a tríade: prática, ensino e aprendizagem são elementos que se conectam, mas a ênfase recairá na aprendizagem que se traduz em atitude capaz de desenvolver valores cognitivos sociais críticos e de disseminação, fazendo com que o aprendizado tenha significa para a vida do indivíduo e dele na sociedade. No link abaixo, as reflexões depositadas em slides, esperamos que possamos desenvolver um debate sobre o tema. Futuramente outras partes da obra terão as reflexões compartilhadas.
Marcadores:
ALENTEJO E,
Apresentação acadêmica,
Educação escolar,
Marcos Masetto
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Educação escolar no DF ou como andam (mal das pernas) as bases da universidade do futuro
André Porto Ancona Lopez*
Na noite de sexta feira fui surpreendido com uma correspondência eletrônica do colégio de meu filho de 13 anos que apenas comunicava que, para dar mais espaço ao ensino universitário, o colégio cessaria suas atividades no final deste ano. A nota buscava justificar o injustificável buscando a autoridade de, pasmem, Paulo Freire e convocava para uma reunião explicativa no "dia 29/09, 5ªf" (sic). Basta olhar o calendário para ver que dia 29 é 4ªf. Será que ao longo dos 33 anos de experiência da instituição além do respeito ético com os pais e os educandos ela perdeu também a noção do tempo?
Fechar (sem eufemismos hipócritas como "suspensão de atividades") o estabelecimento de ensino médio e fundamental em nome de ampliar o lucro do ensino universitário não tem nenhuma relação com Paulo Freire, apenas com Tio Patinhas. Por acreditar e confiar na proposta daquela instituição e por acreditar que ela era diferenciada das demais, com todos os onus advindos do processo, minha esposa e eu mudamos nosso filho de escola no começo de 2010. O motivo principal foi a escola anterior dele estar ampliando a infraestrutura do ensino superior e relegando o ensino médio e fundamental, o que nos desagradou a ponto de buscamos outra. Seria engraçado, se não fosse trágico, poder reproduzir o excelente discurso feito pelo novo colégio a respeito das diferenças entre projeto educacional e projeto empresarial! O que dizer sobre a formação integral pensada em educação e em valores. Confesso que fui ingênuo em acreditar que os valores aos quais aquela nova escola se referia não eram valores monetários.
Onde está a ética ao comunicar por e-mail, em uma noite de sexta feira que nosso filho, mais uma vez, pelo segundo ano consecutivo, irá mudar de escola, e refazer todo o processo de inclusão, socialização e adaptação em um ambiente no qual os colegas já terão os laços de amizade consolidados? Qual será o impacto disso para o desenvolvimento dele? Será que isso importa à mantenedora (mais um eufemismo), tão hábil em recortar e colar Paulo Freire, posto que o impacto com o qual ela se preocupa é o financeiro. Cadê o compromisso educacional com a formação deste jovem que foi confiado (mediante pagamento) ao colégio? Pelo visto os valores monetários dados para tal relação se estabelecesse eram insuficientes para que o colégio fosse recíproco em relação à confiança que lhe fora depositada. O depósito que interessa ao colégio não é bem a confiança.
A "reestruturação do campus universitário" indicada na carta é apenas mais um eufemismo para dizer que o espaço que hoje é ocupado pelo colégio será destinado à universidade. Exemplos como o do adulto maior tomando o doce da criança, do maior expulsando o menor, indicam os valores reais que regem as atitudes desta instituição e seu compromisso moral. A dúvida que fica em tal eufemismo é saber se as atuais salas de aula das crianças irão apenas ser ocupadas pelos estudantes adultos ou se um novo prédio será construído no local. Para essa última possibilidade talvez fosse o caso de o colégio pensar em construir uma caixa forte, assim Tio Patinhas não teria, nunca mais, que passar a vergonha de expulsar crianças não tão rentáveis de seus domínios. Talvez fosse até o caso de repensar a campanha publicitária da instituição com um novo slogan: "NÓS: FAZEMOS TUDO POR DINHEIRO", afinal as atitudes atuais não convergem com a "Visão" apregoada pelo colégio em seu site, ideal para dar uma pitada de ironia ao achincalhamento moral da instituição:
"O Colégio (...) busca formar uma sociedade mais justa, humana, fraterna e democrática, com seres humanos críticos, politizados, com ampla visão de mundo, capazes de superar os preconceitos sociais e usufruir de seus direitos e deveres.”
Claro, o colégio, Papai Noel e o Coelho da Páscoa...
O mais triste é que o colégio estava, de fato, fazendo um excelente trabalho e foi atropelado pelos interesses nada educacionais dos "empresários da educação", que apenas reflete a tendência atual da falta de rumos quanto ao pilar mais estruturante da sociedade A opção por fortalecer o ensino universitário, em detrimento de investir na qualidade do ensino médio e fundamental, além de ser lucrativa, dificulta a elevação do nível da universidade, porque cada vez mais nossos alunos chegam menos preparados -- e isso faz o negócio ser mais lucrativo ainda -- por quatro fatores: a) aumento de demanda, posto que o ensino médio é insuficiente para realizar formação técnica-profissional; b) barateamento do custeio, posto que alunos menos preparados não terão parâmetros para analisar o que lhes está sendo oferecido (e acharão que o guia Abril reflete parâmetros oficiais avaliação); c) redução de riscos com maior garantia de preenchimento de vagas, posto que o governo através de programas como o PRO-UNI reduz a inadinplência dos alunos; d) melhor relação custo-benefício por aluno, posto que as classes podem ser maiores, com necessidades de contratação de pessoal bem inferiores às exigidas na educação de menores de idade (auxiliares, psicológos, pessoal de apoio etc.).
Hoje, em Brasília, a maior rentabilidade do atendimento aos adultos em relação às crianças está levando o setor de pediatria à beira do colapso de atendimento. Depois da saúde parece que o processo começa a se repetir com a educação, com total omissão do estado. Não é por acaso que na mesma semana em que o GDF anuncia o fechamento de uma escola classe na Asa Norte inicia-se o processo de divulgação do projeto de uma universidade do GDF. Ao invés de se investir em educação básica de qualidade opta-se por investir no ensino de 3º grau sem considerar qual será o nível de formação inicial dos futuros universitários. Ao invés de ajudar a reduzir o processo de sucateamento da UnB como universidade pública de excelência, busca-se criar mais uma. No caso público, com um investimento menor têm-se mais Ibope; no caso particular com um investimento menor têm-se mais lucro.
Enquanto tudo isso acontece, a sociedade se cala, os economistas comemoram o sucesso da Bovespa e o Tiririca começa a escolher a mansão onde irá morar em Brasília. Será que eles pensam no sistema educacional no qual seus filhos, netos e bisnetos estudarão? O dinheiro , tanto das cuecas, como de nosso trabalho honesto e suado, não é mais capaz de comprar um atendimento particular pediátrico de qualidade por que o produto está em falta. O dinheiro não é mais capaz de comprar uma educação básica particular de qualidade porque o produto está ficando escasso. As consideradas boas escolas que ainda o oferecem, dada a demanda, o fazem de modo cada vez mais massificado e/ou -- como o recente caso de outra escola tradicional que não permitiu (de modo vexatório) que um aluno com botas ortopédicas participasse de um excursão porque elas não eram impecavelmente pretas -- confundem educação com treinamento disciplinar. Como diz a célebre frase dos índios norte-americanos, inúmeras vezes reproduzida por diversas entidades: "Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que o dinheiro não se come".
André Porto Ancona Lopez é Prof. Dr. da Universidade de Brasília, integrante, como escotista, do maior movimento educacional (reconhecido pela UNESCO) do planeta e pai de um futuro ex-aluno (forçado) do Colégio CEUB.
Eis aqui a íntegra da esclarecedora correspondência da "mantenedora":
>Em 24 de setembro de 2010 20:11, Mantenedora do Colégio CEUB <colegioceub@educacional.com. br> escreveu:
Brasília, 24 de setembro de 2010.Assunto: Suspensão das atividades do Colégio CEUB para o ano de 2011.
Sr. Pai ou Responsável,
O Colégio CEUB, em seus 33 anos de existência, tornou-se uma instituição reconhecida por trabalhar com a educação em várias dimensões que promove aos seus alunos reflexões constantes da realidade circundante e o entendimento de sua importância na formação de uma sociedade mais justa, fraterna e democrática, onde a sua missão é, também, ser feliz.
Conforme Paulo Freire, na medida em que o homem cria, recria e decide, as épocas históricas vão se formando. Diante desse processo, mudanças tornam-se inevitáveis e, quase sempre, decorrentes de tomadas de decisões difíceis.
Ciente do cumprimento do papel do Colégio CEUB na formação dos jovens durante todos estes anos, o Centro de Ensino Unificado de Brasília – CEUB, mantenedora do colégio, visando à reestruturação do campus universitário e à expansão do ensino superior com a implantação de novos cursos, resolveu suspender por 2(dois) anos as atividades de sua instituição mantida, a partir de 2011. Ao mesmo tempo, manifesta com orgulho, a sua gratidão ao seu corpo administrativo e docente que, com grande dedicação ao longo desses anos, se empenhou em fazer cumprir a nossa missão.
Agradecemos aos senhores a confiança que nos foi concedida e contamos com a compreensão de todos nesta difícil decisão. Assumimos o compromisso de proporcionar meios que possam minimizar as conseqüências desta ação que se faz necessária no presente momento.
Aproveitamos a oportunidade para convidá-los para reunião que ocorrerá no dia 29/09(quinta-feira), no auditório do bloco 1, nos seguintes horários:
- Ensino fundamental, às 17h30
- Ensino médio, às 19h30
Atenciosamente,
Getúlio Américo Moreira Lopes Lucia Maria Moreira Lopes de Oliveira
Diretor presidente do CEUBDiretora do Colégio CEUB
Marcadores:
CEUB,
Educação escolar,
LOPEZ A P A,
Universidade
Assinar:
Postagens (Atom)



