Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

domingo, 24 de março de 2013

Nova turma de metodologia


Começará, na 5ªf, dia 04/abr a nova turma da disciplina Metodologia da Pesquisa em Ciência da Informação (cód. 382035), do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UnB. A disciplina será divida pelos professores Sofia Galvão e André Lopez e terá este blog como um de seus elementos de apoio. Confira o programa completo aqui.

A disciplina é obrigatória para os alunos de mestrado e visa auxiliar no aprimoramento dos projetos de pesquisa já aprovados. Equivocadamente há alunos especiais que entendem que a disciplina visa ajudar a montar um projeto; não é esse o foco. Um aluno sem projeto somente prejudica a turma (já que compromete o avanço de algumas questões) e a si mesmo (já que não consegue desenvolver diversas atividades). O eventual aceite de alunos especiais estará, portanto condicionado a existência prévia de um projeto com nível suficiente (no mínimo similar ao de quem passou no exame de seleção)  a ser desenvolvido pelo candidato.  Eventuais interessados devem utilizar o campo comment, abaixo, até as 23:59hs do dia 2/04/2013, e apor:
a) nome;
b) e-mail para contato;
c) url do currículo Lattes atualizado;
d) resumo do projeto que tenha até 250 palavras, apresente o problema (ou objetivo geral) da pesquisa, indique a base teórica pretendida, aponte para o universo empírico a ser pesquisado e sinalize como se dará a execução (metodologia); o texto deve primar pela precisão e clareza.
ATENÇÃO: tais procedimentos não excluem os exigidos pela secretaria do curso para inscrição como aluno especial: http://www.ppgcinf.fci.unb.br/index.php/menu-aluno-especial
Os eventuais interessados em cursar essa disciplina como alunos especiais, devem, apresentarem-se aos professores às 13:30 hs no dia 04/abr, trazendo consigo:
a) cópia impressa do Lattes;
b) cópia impressa do projeto de pesquisa, com no máximo 5 páginas no total (sem anexos ou apêndices) contemplando, minimamente o seguinte:
  • identificação do candidato
  • exposição de motivos para ser aluno especial
  • título do projeto
  • resumo (idêntico ao postado neste blog)
  • objetivo geral
  • objetivos específicos
  • panorama de autores, conceitos e a contribuição acadêmica e científica que fundamentam a pesquisa no âmbito da Ciência da Informação e do Grupo de Pesquisa pretendido
  • metodologia;
  • breve caracterização da base empírica pretendida para o desenvolvimento da pesquisa
  • cronograma
  • bibliografia preliminar
A seleção dos alunos especias será feita pelos professores da disciplina, que além dos critérios referentes ao mérito dos interessados, poderão balizar sua decisão em outros elementos como solicitação de outras disciplinas, quantidade de alunos na classe, real necessidade de o interessado cursar metodologia, capacidade dos candidatos para contribuir com as aulas, adequação às exigências aqui indicadas etc. A decisão é irrecorrível. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

PG&C é B1 no Sistema Qualis

Cabeçalho da página

O sistema Qualis, recentemente promoveu uma reavaliação dos periódicos cadastrados em sua base. No âmbito da Ciência da Informação houve mudanças consideráveis, com a ampliação dos títulos da categoria "A" de veículos nacionais, específicos de Ciência da Informação (pelos critérios da CAPES, nossa área é classificada conjuntamente com a Comunicação). O periódico em tela, Perspectivas em Gestão & Conhecimento é um interessante exemplo da modernização que a produção de conhecimentos científicos vem passando nos últimos anos, por conta, em parte, das TIC. Trata-se de uma revista científica nova, com apenas 6 números publicados em apenas 2 anos, realizada dentro das rígidas práticas avaliação às cegas, por pares, o que tem garantido um excelente nível de qualidade, angariando o interesse de importantes autores, com artigos atuais. 

Durante a última semana, um dos membros do Conselho Consultivo, Alan Curcino, com razão, cobrou publicamente que o portal que congrega os pesquisadores brasileiros de Ciência da Informação, ainda não fora atualizado e continuava apresentando uma relação restrita de periódicos da área, não incorporando a recente reavaliação do sistema Qualis. A relação completa dos periódicos da área-Capes Ciências Sociais Aplicadas 1, está composto por cerca de 1.300 títulos, porém a maioria é voltada para Comunicação e muitos são internacionais.  Há ainda que considerar que outros veículos, que congregam importante produção de nossa área, estão elencados em outras áreas como é, por exemplo, o caso da revista Acervo, publicada pelo Arquivo Nacional, adscrita na listagem de História na CAPES. 

Apesar da impossibilidade de resumir com qualidade e justeza quais são os periódicos específicos e mais significativos da Ciência da Informação (até porque se trata, por definição, de campo inter/multi/pluridisciplinar), sem nenhuma dúvida a lista nacional deveria ser bem mais ampla do que os atuais 15 títulos listados no portal da ANCIB (em e-mail recebido há menos de duas horas, aparentemente, a solução não demorará, de modo que, brevemente, espera-se que o link citado tenha mais títulos indicados). Reproduzo abaixo trecho do mencionado e-mail do professor Alan Curcino, no qual anota algumas das ausências importantes identificadas em 18/02/2013, na relação da ANCIB:
"(...) Inclusão Social; Revista ACB; Comunicação & Informação; Em Questão; Perspectivas em Gestão & Conhecimento; Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação; Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde; Museologia & Patrimônio; Revista de Gestão da Tecnologia e Sistemas de Informação; Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro; Revista Biblos; Revista Informação & Universidade; Arquitextos; Arquivística.net; Bibliotecas Universitárias: pesquisas, experiências e perspectivas; Cenário Arquivístico; Páginas A & B - Arquivos & Bibliotecas; dentre muitos outros títulos não menos importantes porém não citados."
Obviamente que estar bem colocado no sistema Qualis é um importante elemento para qualquer periódico, já que auxilia no acesso a verbas, demanda qualificada de autores de alto nível, captação de bons referees etc. Sem dúvida que a disputa por espaço de poderes também se faz presente em tal âmbito. Mais do que ter uma listagem em algum portal (por exemplo, recentemente, foi divulgado no grupo de discussão dedicado aos arquivos a nova classificação da CAPES, porém com periódicos diversos dos elencados pela ANCIB ou pelo Prof. Curcino), que sempre será parcial e pautada pelo interesses institucionais (espera-se), é fundamental que os pesquisadores, leitores, estudiosos de Ciência da Informação habituem-se a utilizar o sistema WebQualis, no portal da CAPES; mais ainda, é fundamental que se tenha o hábito de ler os bons artigos (estejam eles na área-Capes que for, com o ranking que tiverem).

Sobre o sistema Qualis veja ainda outros posts publicados aqui:

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A solução para a normalização de textos


 A redação científica, além de ter que seguir parâmetros de precisão, clareza e outras boas qualidades textuais, sempre é padronizada por normas estabelecidas pelos veículos (ou tipos de veículos) nos quais se difundirá o trabalho. Muitas revistas têm normas específicas enquanto que outras trabalham com definições mais genéricas. No Brasil, salvo exceções, o que vale são as normas da ABNT. O problema é que há muitas normas da ABNT que incidem sobre a redação científica, e que, frequentemente, são atualizadas. O resultado final é que a formatação final de um texto é sempre problemática para a maioria dos mortais. 

A melhor solução seria a existência de um software para edição de textos que viesse com os parâmetros da ABNT incorporados e que já fizesse os ajustes automaticamente. Seria, não. É! Acabei de receber um e-mail de Lauro César Araujo, pesquisador do CPAI/UnB, o maior fã que eu conheço do processador de textos LaTex, com o seguinte teor:
abnTeX2 está disponível na sua distribuição LaTeX! A partir de agora você pode escrever teses, dissertações e outros trabalhos acadêmicos em conformidade com as normas ABNT em LaTeX com abnTeX2. Se você utiliza uma distribuição TeX Live (TeXLive para Linux ou Windows ou MiKTeX para Mac), tudo o que você precisa já está disponível no seu computador.
Se não tiver ideia do que estou falando, consulte o site do projeto em http://code.google.com/p/abntex2/ e veja um modelo de trabalho produzido abnTeX2! 

Vale à pena conferir!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Artigo de divulgação científica


Um artigo de divulgação científica tem a complexa tarefa de conseguir escrever com precisão e clareza para um público semi-especializado. O desafio é grande, pois o formalismo da redação acadêmica, muitas vezes, torna a compreensão impeditiva para o leitor inciante. Por outro lado, os veículos de divulgação científica demandam estruturas mais ou menos rígidas para a apresentação dos textos, nem sempre adequadas ao que se quer divulgar e nem sempre compatíveis com o objetivo de vulgarização científica. Mesmo assim, a normalização e o estabelecimento de formatos estanques pelas boas revistas acaba funcionando como uma garantia de qualidade ao pré-definir os elementos mínimos e a estrutura do artigo. Isso é benéfico, pois define uma espécie de padrão da redação científica que além de educar o público leigo para a leitura acadêmica, ainda ajuda na formação de novos cientistas, que se vêm obrigados a aprender a apresentar suas ideias de acordo com um modelo amplamente aceito por seus pares comunitários. A divulgação e vulgarização da ciência, feita com critérios e solidez, é fundamental para a realimentação humana do ciclo de produção do conhecimento acadêmico. Colunas em jornais, blogs científicos, periódicos de difusão são apenas alguns exemplos de veículos que operam nessa atividade.

A estudante de mestrado em Ciência da Informação da Universidad de Antioquia, María Muriel Ríos Leirum Airam descobriu um excelente portal destinado a auxiliar nas diferentes atividades relacionadas à escrita acadêmica: o Centro de Recursos para la Escritura Académica, do Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Monterey, México (aceda ao CREA aqui). Uma das páginas destacadas por Maria Muriel é a que indica as diretrizes básicas para a criação de um artigo de divulgação científica. O texto é bastante interessante e se inicia com uma epígrafe de um diretor da NASA dizendo que é necessário falar com as pessoas em linguagem compreensível. Vale à pena conhecer.

Para aceder à página sobre construção de artigos de divulgação do CREA, clique aqui.

Para conhecer o blog de Maria Muriel, sobre Ciência da Informação, clique aqui (vale à pena, pela qualidade de suas reflexões).

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

NOVA DATA - ATENÇÃO
Palestra da Profa. Antonia Salvador (Universidad Complutense de Madrid)

Copiado de Reporter do Futuro
A professora Antonia Salvador está na UnB desde 29/setembro, desenvolvendo atividades junto ao GPAF (página aqui), dentre elas o compartilhamento de uma disciplina da pós (ver aqui) e a realização de palestras. Sua presença se deve a um convênio firmado entre a UnB e Universidad Complutense de Madrid (ver post aqui).Antonia é professora da Facultad de Ciencias de la Documentación da UCM. Especialista em documentação em meios de comunicação (imprensa, rádio e TV), tratamento e gestão de arquivos, patrimônio fotográfico e audiovisual e transparência e políticas de acesso à informação. 

Na próxima 3ªf, dia 6/nov, às 09:00hs elá exporá algumas considerações sobre a questão das redes sociais e o ativismo cidadão. O tema das redes sociais e o ativismo cidadão é de crucial importância para a pesquisa em Ciência da Informação, como pôde ser demonstrado no exemplo evocado pela imagem de chamada, criada anonimamente dentro da campanha cidadã coordenada pela colega Carolina Stanisci (ver texto "Descomplicar" aqui) contra a aprovação recente do novo código florestal brasileiro. 

Anote em sua agenda:
PalestraRedes sociales y activismo ciudadano
Expositora: Antonia Salvador Benítez
Data: 06/11/2012 ADIADO PARA 20/nov/2012, 3ªf
Horário: 09:00hs  ANTECIPADO PARA AS 08:30hs
Local: Auditório da FCI-UnB
Resumo: El uso de las tecnologías de la información y de los ‘social media’ han contribuido a la propagación y a la multiplicación de movimientos sociales de protesta a través de la Red contra el sistema político y financiero. Se analiza esta demanda de transparencia y acceso a la información de los movimientos sociales de protesta en España, el papel multiplicador de los ‘social media’ y se valora en qué medida el activismo 2.0 está contribuyendo o no al arraigo de una auténtica cultura cívica en los ciudadanos y en los distintos sectores y grupos de la sociedad.
ENTRADA LIVRE, sem necessidade de pré-inscrição.

EM TEMPO: Fomos surpreendidos, na noite do dia 4/11, por um convite de aula magna do curso de biblioteconomia prevista para o mesmo local e horário. Agradecemos à profa. Monica Peres que se prontificou a incluir a palestra aberta ao público em geral no âmbito das atividades da disciplina Bibliotecononia e Sociedade Brasileira.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Elaboração de poster científico

A divulgação de trabalhos científicos por meio de banner é sempre um tema interessante, pois permite trabalhar com novas formas de divulgação e popularização de conhecimento científico, mas também facilita a apresentação sumária de trabalhos para o público altamente especializado, que passa a ter uma ideia mais precisa da pesquisa divulgada, sem ter que se debruçar sobre, às vezes, enfadonhas páginas escritas. Com elementos de comunicação visual mais direta o poster pode auxiliar na difusão dos trabalhos científicos permitindo que o especialista possa rapidamente decidir se aquela pesquisa é de seu interesse e, por isso, merece ter suas informações melhor analisadas. Por isso um bom poster científico necessita sempre apresentar indicações e referências para o aprofundamento das questões ali esquematizadas. Muitas vezes os autores (até mesmo por imposições de modelos de congressos) acabam por transformar o banner em uma cópia ampliada de uma página impressa, o que é um notório desperdício das potencialidades comunicativas do veículo, bem como provável receio de exercitar a criatividade. 

Na semana  quem vem a UnB sediará o 18º Congresso de Iniciação Científica do Distrito Federal (ver aqui)  e elaborou um manual de orientação à confecção de posteres muito interessante, reproduzido parcialmente abaixo:
O pôster é um meio de comunicação visual. É uma fonte de informação do trabalho realizado, complementada por sua apresentação oral. A rigor, um pôster é um sumário e uma divulgação daquilo que foi pesquisado.

Dicas de como preparar um pôster
· Tente ser efetivo na disposição visual dos dados. O pôster é um resumo ilustrado.
· Mostre o que mais importa de sua pesquisa - o que foi realizado, como foi realizado e o que se recomenda ou se conclui. Evite enfocar os métodos. Os resultados e implicações são mais relevantes.
· Utilize gráficos, figuras e textos, preferencialmente coloridos, bem distribuídos aolongo do pôster (evite número excessivo de cores).
· Utilize títulos para destacar objetivos, resultados, conclusões, etc. Organize em colunas as sessões para melhor visualização e leitura.
· Minimize texto, use gráficos, figuras etc. Blocos de textos devem conter aproximadamente 50 palavras.
· O texto deve ser visível a uma distância de um metro, aproximadamente.

Planejamento e preparação do pôster
Planeje seu pôster com antecedência, escreva imediatamente a introdução e a metodologia, e lembre-se de rever o texto e suas idéias com o orientador e colaboradores.

Texto
Utilize para o título fonte 90 pts, negrito. Para os subtítulos utilize fonte 72 pts . Nesta área coloque: Título do plano de trabalho, Autores, e Departamento. O restante do pôster deve conter: Introdução, Metodologia, Resultados, Conclusões e, se necessário, Agradecimentos. As Referências bibliográficas podem estar numa folha à parte, disponível para a audiência e/ou como forma de lembrança. Textos auxiliares podem ser em fonte 18 ou 20 pts. Não esqueça de verificar ortografia antes da impressão final. 
Disposição Visual
Tamanho recomendado para o pôster: Largura – 90 cm,  Altura – 100 a 120 cmCuidado para não inverter essas medidas uma vez que os painéis possuem altura maior que a largura.
Elaboração
De posse dos textos, fotos, gráficos e figuras faça um rascunho, em escala, para auxiliar na estruturação visual do pôster bem como na avaliação do espaço disponível. Nesta etapa, planeje como as informações irão fluir ao longo do pôster. Diminua número de textos, gráficos, figuras etc., se o pôster parecer congestionado. Evite diminuir o tamanho da fonte como solução para congestionamento.Use uma cor para título, introdução e conclusões, e uma segunda cor para o restante. Utilize uma terceira cor para destacar alguns resultados.
A perspectiva apresentada pela UnB é bastante interessante por não estabelecer normas ou modelos inflexíveis, e, em seu lugar, dar diretrizes básicas além de uma extensa relação de links das mais renomadas universidades do mundo relacionados ao tema. Veja aqui o documento do PROIC-UnB na íntegra

As ilustrações utilizadas neste post são parte de uma exposição maior (ver nota aqui), feita exclusivamente com banners, e mostram mais uma possibilidade de tentar mesclar a precisão da linguagem científica com elementos da comunicação visual. 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Como é difícil ser pesquisador no Brasil


Recebi, no dia 26/09 mensagem eletrônica de uma colega pesquisadora colombiana sobre um edital de cooperação internacional da CAPES para projetos comuns. A parte colombiana do edital já está on-line e traz todos os anexos necessários à compreensão do projeto, bem como o detalhamento necessário, conforme pode ser visto aqui. O prazo final para o envio de propostas se encerra no dia 31 de outubro e, até onde entendi, permite que a aplicação seja solicitada por pesquisadores de qualquer um dos países participantes. 

Clique para ampliar -
Print Screen realizado em  01/10/2012
1ª tentativa: o portal
Ao tentar fazer a minha parte da "lição de casa", ou seja, buscar informações locais sobre as exigências para que um pesquisador brasileiro possa apresentar o pedido, fui surpreendido pela ausência de informação no portal da CAPES, que  apenas exibia uma placa dizendo "Em negociação", como pode ser visto no print screen ao lado.
Como é possível que um programa de cooperação já esteja vigente e publicamente divulgado por um dos parceiros e "em negociação" com o outro? Na vã esperança de ser somente um problema de atualização da informação no portal, busquei mais informações. 

2ª tentativa: contatos de outros setores da CAPES
Primeiro tentei ver se a coordenação de área do Comitê de Ciências Sociais Aplicadas 1 (comitê no qual se encontram os programas de Ciência da Informação) sabia de algo, mesmo não se tratando de algo diretamente relacionado à sua esfera de atuação. Nada feito a informação não fora compartilhada com os comitês.

3ª tentativa: contato telefônico frustrado com a coordenação internacional
O passo seguinte, por sugestão do próprio comitê de área, foi tentar um contato telefônico com a coordenação internacional da CAPES. A tarefa foi mais árdua do que parecia, já que não há link específico para o contactar o setor na página (como é que fica a questão do acesso à informação?). Resolvi telefonar para o número indicado no "fale conosco". Depois de ouvir um extensa gravação sobre as opções que eu deveria teclar para seguir adiante, consegui ser atendido. Para que eu simplesmente pudesse perguntar qual era o número telefônico da área internacional tive que dar nome completo e CPF. Após conseguir que o atendente compreendesse a solicitação fui informado que o assunto era de competência da CAPES e não do INEP! Isso mesmo: a partir no número disponibilizado no portal da CAPES para atendimento, fui parar em outro órgão do MEC. 

4ª tentativa: contato telefônico com a coordenação internacional - parte 1
Ao menos consegui ser redirecionado para a CAPES, sem ter que realizar outro telefonema. Novamente fui atendido por uma pessoa que não tinha muita ideia sobre minha solicitação, mas que para poder ouvi-la teve que, antes, anotar, novamente, todos meus dados; desta vez com indicação de minha data de nascimento. 

5ª tentativa: contato telefônico com a coordenação internacional - parte 2
Aquele primeiro atendimento na CAPES (o segundo do dia) subitamente foi transferido para outra pessoa, a quem tive que, novamente, explicar que eu apenas queria informações sobre o programa de cooperação com a Colômbia, o Colciências. Desta vez meus dados requiridos foram profissão e número de telefone. Ao menos consegui obter o número do setor de cooperação internacional

6ª tentativa: contato telefônico com a coordenação internacional - finalmente!
Nessa nova ligação consegui ser atendido, finalmente, na área internacional, e sem ter que indicar nenhum dado pessoal. Após expor a questão e aguardar um pouco obtive a resposta de que a pessoa responsável pelo convênio estava de férias e que sua chefe estava inacessível em uma reunião. Mesmo assim a pessoa com que falei foi bastante solícita e me disse que até a próxima semana a informação estaria disponível e que eu "não deveria me preocupar". 

O episódio é bem preocupante sim !
Ora se um edital tem cerca de 36 dias de prazo (de 25/09 a 31/10, segundo o portal colombiano) e apenas disponibiliza sua informação básica por um tempo menor (ainda não sabemos quanto), obviamente que o tempo de preparação do projeto e da documentação fica bastante comprometido, principalmente porque sequer há sinalização de quais serão as possibilidades e requisitos para fazer a submissão pelo lado brasileiro. Em se tratando de um projeto internacional de cooperação o prazo é algo bastante crítico já que envolve tomada de decisões e ajustes institucionais que não competem apenas aos pesquisadores interessados. O passo inicial seria poder ter pleno conhecimento do que é o edital, quais projetos pode abarcar, quais não pode, quais os requisitos dos participantes, dos coordenadores e qual é a documentação necessária. Para o momento, no caso em questão, os pesquisadores (de dois países, de três diferentes instituições) estão em stand by, extremamente preocupados com os prazos e o acesso à informação. 

O pesquisador que assina esta nota está, ainda, muito preocupado com a maneira com a qual o acesso às informações é trabalhado em nosso país, comprometendo o avanço da ciência brasileira. Acesso à informação, no âmbito do portal da CAPES, não deveria se resumir a uma logomarca com link à página da CGU referente à nova lei e à divulgação (ou não) de salários de funcionários. O acesso à informaçãoem questão relaciona-se principalmente à divulgação clara e precisa de informações relativas às atividades-fim da agência a qualquer pesquisador interessado, independente de CPF, confirmação de nome, endereço etc. Deveria ainda propiciar um contato direto com o setor responsável sem ter que obrigar o interessado a passar por uma bateria de guichês telefônicos. Custa muito colocar no portal TODOS os ramais e telefones da agência? Isso não seria também uma política de acesso à informação? Por que consigo ter acesso aos dados salariais de funcionários, mas não consigo localizar os telefones dos diferentes setores de um órgão público? Por que consigo ter acesso ao portal brasileiro da transparência mas só consigo ter informações precisas sobre um projeto CAPES em um portal estrangeiro? 

Em tempo: na bateria de guichês telefônicos pela qual passei, meus dados pessoais foram anotados diversas vezes, sem que eu fosse informado sobre qual seria o uso e o porquê da exigência. Em nenhum momento fiquei sabendo mais do que o prenome de quem me atendeu. Será que, por uma questão de reciprocidade e de compreensão da dimensão do que é prestar um serviço público, eu não deveria ter sido também informado do nome completo e matrícula das pessoas com as quais falei?