Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Esclarecimento sobre as eleições da ADUNB


O objetivo deste blog é ser um instrumento de apoio pedagógico, que fomente à discussão sobre metodologia em ciência. As questões institucionais são entendidas aqui como indissociadas do processo de produção de conhecimento científico. Uma das falsas polêmicas discutidas por todas as "facções" da greve é sobre a questão ser política ou jurídica. Na minha opinião, ambas e nenhuma, porque o ponto mais importante têm sido relegado que é o aspecto CIENTÍFICO. 
Fiquei positivamente surpreso com o link do blog estar presente em uma das chapas, a despeito de eu não haver manifestado publicamente meu apoio a nenhuma delas. Espero que algumas das questões que coloco aqui sejam, de fato, discutidas no âmbito da Associação de Docentes da UnB, que não pode ser apenas um movimento sindical, desvinculado das questões científicas. Tomara que esse tipo de atitude seja replicado e que, independentemente de qual venha a ser o resultado do pleito, a ADUNB passe a se preocupar também com as questões de fundo relacionadas à produção do conhecimento científico, que é a nossa principal expertise e obrigação como docentes de universidades publicas. A dedicação integral é pensada justamente para que possamos nos dedicar à pesquisa. Por essa razão, omito-me de declarar publicamente minha preferência por esta ou aquela chapa e, ao invés disso, busco fomentar o debate científico a partir das propostas de cada uma delas.

Sugestão de atividade:
Acesse as páginas de ambas as chapas e:
a) analise o espaço dado às questões científicas;
b) acesse os Lattes dos componentes e verifique se a vivência científica dos docentes-candidatos é condizente com as propostas científicas;
c) analise a existência de links extra-página que remetam para urls dedicadas à ciência e à pesquisa.

Eis os links de cada chapa:

terça-feira, 4 de maio de 2010

Qual é a universidade que temos e qual a universidade que queremos?

Em recente divulgação via blog o renomado professor Simon Schwartzman esboçou uma proposta para modificação da pós-graduação brasileira, com severas críticas ao sistema atual, baseado na extrema centralização pela CAPES. (acesse aqui o post no Simon's Blog; acesse aqui o texto integral). Tive contato coma a proposta dois dias após ter a ingrata surpresa de ver que meu contracheque deste mês não contemplaria o prometido pagamento das gratificações atrasadas, anunciado pela autoridade máxima da UnB (acesse aqui uma análise sobre a incongruência das informações oficiais e reais). O clima de ceticismo me acompanhou na leitura do documento do Prof. Simon. Na oportunidade fiz alguns comentários mais genéricos sobre as linhas mestras da proposta, mais voltados para problemas de implementação (acesse aqui os comentários, com a resposta do prof. Simon). 
Alguma horas depois o TRF deu perda de causa ao SINTUB, com decisão de corte de 26,05% dos vencimentos dos funcionários da UnB, com indicativo de ainda terem que ressarcir ao erário retroativamente os valores já recebidos. Isso equivale, grosso modo, que cada funcionário deve ao erário 1 ano de trabalho para cada 4 anos trabalhados. Como a ação dos professores ainda não foi julgada, nada impede que o mesmo tipo de olhar seja aplicado no nosso caso. A despeito da nota oficial da reitoria sobre o pagamento integral dos atrasados ainda sou credor da UnB de um valor importante para minhas despesas mensais, que fará com que nesse mês eu tenha que usar minha poupança para poder pagar minhas contas. Sou professor concursado de universidade pública, em tempo integral, desde de 1994. Oriento, publico, produzo e colaboro na administração para não conseguir fechar meu mês e ter uma ameça real (apesar de improvável) de vir a ter que dever cerca de um ano de salário pelo simples fato de ter trabalhado com dedicação??? Hoje de tarde, em conversa promovida pela ADUNB com os advogados que nos representam fiquei mais tranqüilo em saber que essa possibilidade é real, porém improvável. Por ela, eu teria acumulado em cinco anos e pouco de docência da UnB uma dívida de cerca de R$ 72.000,00 !!! Pode ser que o valor não esteja correto, mas dever por ter trabalhado é algo passível de denúncia sobre trabalho escravo às autoridades competentes. 
O que isso tem haver com a proposta do Prof. Simon? Tudo e nada ao mesmo tempo. Por um lado não dá para direcionar a vivência e as atividades científicas da universidade para as demandas economicistas e trabalhistas, sob o risco de cair no aparelhamento ideológico, que em nada contribui para o desenvolvimento da ciência. Por outro lado sem professores e funcionários ganhando dignamente (ou pelo menos não vindo a perder o não tão digno salário) não dá para ter condições mínimas de se produzir ciência. Durante a greve tenho tentado trabalhar nos blogs, na orientação de alunos e em pesquisa. No final de semana fechei um artigo que submeti hoje. O artigo foi finalizado tendo como pano de fundo boletins de greve, notícias confusas sobre o pagamento ou não de salários e, por fim, uma consulta bancária para ver de onde vou tirar o dinheiro para o mês. Será que outros professores universitários de países sérios têm esse tipo de preocupação? Será que é possível melhorar realidade brasileira de produção de conhecimento científico sem mexer na falida  infraestrutura universitária? Todo começo de ano recebo vários e-mails de ex-alunos de graduação que buscam conselhos para  desenvolver uma carreira acadêmica e serem professores universitários. Esse número cai a cada ano. Em 2010 uma ex-aluna, ao se inteirar da atual situação da UnB, simplesmente desistiu, me avisando que acha mais interessante estudar para algum concurso público, de carreira técnica. Hoje os alunos entram e saem do mestrado com um nível de leitura muito baixo, com poucas incursões à obras internacionais. A proposta do prof. Simon, mesmo que feita para começar no ano que vem, não terá efeitos imediatos. No período de 10 anos previstos muitos professores sairão da universidade sem serem substituídos à altura. Engana-se quem pensa que para fazer pesquisa e manter a pós funcionando bastam ter doutores. Doutores o Brasil tem produzido em uma quantidade acelerada, mas, como bem mostra o prof. Simon, sem um reflexo equivalente nos indicadores (sempre discutíveis, mas são um parâmetro) de produção científica.
O dito popular sobre o marido bêbado -- que afirma que é ruim com ele, mas pior sem ele -- se aplica bem à situação atual da UnB: se mantivermos a greve, lutamos por nossa dignidade, contra o sucateamento da universidade (e dos profissionais que nela trabalham), mas continuaremos a paralisar dois terços de suas atividades-fim (o ensino e a extensão) e a improvisar (mais ainda) com a pesquisa. Se voltamos, retomamos as atividades "normais", podendo até sonhar com melhores dias para a pós-graduação, porém assinando em baixo do achacamento sofrido pelos funcionários, que, se voltarem às atividades, estarão 35% menos motivados para desempenhar as atividades-meio, fundamentais para o bom (?) funcionamento da instituição. Por outro, lado, a persistência da greve, que começa a perder fôlego, parece ser incapaz de alterar esse quadro de coisas...
SUGESTÃO DE ATIVIDADE:
a) ler e comentar o artigo do prof. Simon;
b) indicar seu posicionamento quanto à pertinência ou não da continuidade da greve, seguido de justificativa. Aqueles que são favoráveis ao fim da greve podem assinar o abaixo-assinado blogal do Marcelo Hermes Lima clicando aqui.

domingo, 11 de abril de 2010

O que é ciência e o que é experimentação em ciência?


Alguns manuais defendem que é necessário haver experimentação, concomitante a uma observação sistemática, para que a pesquisa seja considerada científica. Outros vão mais além e afirmam que a experimentação tem que, necessariamente, contemplar uma variável independente e variáveis dependentes. As conclusões científicas seriam resultado da comparação das variáveis dependentes, em função de múltiplas experimentações em relação à variável independente. Outros mais radicais vão mais além e afirmam que isso tudo apenas terá valor científico se for analisado através de métodos quantitativos. Esse é um modelo de ciência tradicional e muito calcado na perspectiva das ciências exatas, dentro de uma abordagem voltada para ciência enquanto prova. Qual é a sua opinião sobre isso? 

Recebi convite para participar de uma pesquisa on-line sobre café. Até tentei colaborar mas achei o questionário longo demais. Mesmo assim formei um opinião sobre uma série de "póréns" da pesquisa. 

A sugestão de atividade é entrar no site da pesquisa on-line e analisá-la sob a ótica de um pesquisador, não de um respondente. Mas para isso vai ser necessário responder, ainda de parcialmente, o questionário.

Acesse aqui o site da pesquisa do café e faça seus comentários abaixo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Redação de resumos de pesquisa


A finalização dos resumos de projetos de pesquisa apresenta, além da dificuldade inicial de definir a pergunta de partida, problemas quanto à redação do texto. Uma coisa é escrever, outra é entender o que foi escrito. Uma terceira coisa é o que os leitores entendem do que você escreveu. A redação científica, por esses motivos, deve primar por duas características principais:
  • precisão
  • clareza
A proposta do exercício é a seguinte: cada comentarista faz a análise do resumo que já se encontra postado e, na seqüência adiciona um novo resumo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Categorização e representação da Ciência no Brasil



A representação da ciência é dividida em um esquema hierárquico de grandes áreas, áreas, subáreas etc. Outro dia, ao lançar em meu Lattes uma produção que não cabia em nenhuma das arbitrárias subdivisões, percebi a impossibilidade de referenciar uma discussão ligada à Ciência em si. O Lattes não contempla a possibilidade de uma produção que abranja a Ciência como um todo e que não seja focada em uma área específica. É como se cada pesquisa fosse voltada para o próprio umbigo. Como se um furacão só pudesse ser objeto da meteorologia e não da psicologia (o medo que ele pode causar), da agronomia (suas implicações para a colheita) etc. Esse exemplo é do Eduardo Tomanik e está no excelente livro sobre metodologia "O olhar no espelho". 

Hoje recebi uma piada boba que traduz bem esse tipo de representação do conhecimento norteador da plataforma Lattes:
CIÊNCIA MODERNA:  
1. Se mexer, pertence à Biologia.
2. Se feder, pertence à Química.
3. Se não funciona, pertence à Física.
4. Se ninguém entende, é Matemática.
5. Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
6. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é Informática.
As categorias são tão bem definidas que talvez fosse o caso de sugerir um novo campo para o Lattes, no qual, para cada produção, haveria um formulário para ser clicado com as alternativas "mexe", "fede", "ninguém entende" etc.  O sistema poderia ser aprimorado de tal modo que tais cliques já indicassem automaticamente as áreas e subáreas do conhecimento, poupando-nos dos 4 a 5 minutos que gastamos hoje para apontar tais dados em cada área arrolada. Isso projeta, para um pesquisador com 30 produtos anuais, uma média de 450 minutos por ano, gastos apenas para indicar as subáreas de sua produção científica. É muito tempo para nada.

Apesar da evidente (e tola) provocação que faço aos meus alunos oriundos da TI, a questão é bem mais aguda do pode imaginar um iniciante em pesquisa científica. As métricas de produtividade pelas quais a produção científica nacional é avaliada são totalmente baseadas em esquemas artificiais que, ao invés de tentar representar a realidade, tentam fazer, paradoxalmente, com que a realidade se adeqüe à sua própria representação. Isto é: os parâmetros que tentam representar o que nós cientistas fazemos não condizem com as nossas atividades. Ao contrário, nós cientistas é que temos que nos adequar àquilo que foi arbitrariamente pré-definido pelas métricas da CAPES, embasadas nas categorias do Lattes. 

Todos os pesquisadores do Brasil gastam horas e horas, que deveriam ser dedicadas à pesquisa, preenchendo a plataforma Lattes. Os problemas conceituais de representação mencionados, além de um sistema pouco amigável e muito lento, induziram à criação de um novo verbo, que (espero) deverá brevemente ser incorporado pelo Dicionário Houaiss: 
  • Lattesjar: palpitar sofrido, longo e agoniante, resultante do processo de preenchimento da plataforma Lattes.
 Conjugação:
  • Eu (cientista) lattesjo. 
  • Tu (estudante) tens que lattesjar; 
  • Ele  (gestor da CAPES) não sabe o que é lattesjar;
  • Nós (trouxas) lattesjamos;
  • Vós (candidatos a trouxas) tendes que lattesjar ainda mais;
  • Eles (definidores da políticas de C&T brasileira) defendem o lattesjar porque não sabem o que é Ciência.

Um interessante texto do editor da Clinics, um conceituado periódico nacional, disponível na Scielo, aprofunda a questão das métricas da CAPES (acesse o texto aqui). O blog Ciência Brasil fez irônico (e sério) post sobre a questão à época da publicação pela Clinics (acesse o post aqui).

Uma conceituada pesquisadora da USP, cujo nome é referência unânime na Arquivilogia tomou uma atitude inédita, corajosa e radical: apagou toda a sua produção científica do Lattes, mantendo apenas os dados mínimos de identificação e titulação (já que algumas universidades - como a UnB-  exigem uma cópia do Lattes para  atestar a titulação para que um eventual membro externo possa participar de bancas, ignorando que quem atesta a titulação é um diploma, não o banco de dados que tem a representação dele).  Acesse aqui esse CV e depois googleie o nome da professora (entre aspas) para ver os resultados.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Definição do problema de pesquisa


A pergunta de partida é essencial para a definição do problema de pesquisa. Sem saber o que se quer fazer não dá para iniciar a pesquisa. O tema é tão "cabeludo" que muitos, como o personagem da charge acima perdem os cabelos. Para facilitar a vida há uma série de materiais sobre isso na internet. Esse aqui é bem sintético e preciso.

Você já tem a sua pergunta?

Anote no campo comentário
  • nome e e-mail
  • curso (Pós em CI ou Especialização em GSI, ou outro)
  • tema da pesquisa
  • bibliografia relevante (só autores)
  • pergunta de partida
  • hipótese (se houver)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Perguntas e mais perguntas...

  1. Existe uma lógica no universo? 
  2. Será que existe uma lógica universal e a ciência é a grande responsável por desvendá-la? 
  3. É por isso que fazemos Ciência, para descobrir os mistérios do universo? 
  4. Será? 
  5. No que cada projeto de pesquisa dos iniciantes em ciência irá contribuir para preencher as lacunas do conhecimento sobre o o Homem, o Universo e tudo o mais? 
  6. Você que está começando um projeto de pesquisa já pensou nisso? 
  7. O que você responderá para o amigo curioso ao ser indagado porque o seu projeto é científico?
Uma pequena entrevista do famoso cientista brasileiro Marcelo Gleiser pode ajudar a você solucionar definitivamente todas essas questões.
Baixe-o aqui e depois utilize o campo comentário para responder as perguntas de 1 a 7, lembrando que não vale usar o sistema "V" ou "F".

quinta-feira, 25 de março de 2010

Falando sobre SEXO
(ou "Qualquer resultado científico é válido?")

Uma reportagem indica uma pesquisa que associa infidelidade masculina ao QI.
Ao ler a reportagem, de saída, vejo dois graves problemas:
  • um ligado aos pressupostos;
  • outro ligado ao dados.
Quais seriam esses problemas?
Quais outros problemas metodológicos você vê nessa pesquisa?
Acesse a nota de ciência para dumbies aqui e opine.