Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Questionamentos na Ciência...

Fonte: Ganso Bicudo

 Por: Carlos H. J. Silva*

A imagem acima é uma provocação à questão da verdade científica. Acreditar cegamente no que a ciência diz, pode nos levar a não acreditar no real. Na imagem acima, apesar de ser uma brincadeira, utiliza-se de duas teorias populares: a já mega conhecida e “comprovada” Lei de Murphy (cujo um dos princípios é de que o pão sempre caíra com a manteiga pra baixo ou suas variantes) e outra Lei, da qual não sei o nome, que diz que todo gato sempre cai em pé, assim vou chamá-la de Lei do Gato Em Pé. 

Partindo da idéia de que ambas as leis são verdadeiras, na teoria as duas unidas resultarão num gato flutuante, correto? Em teoria sim, mas a realidade é essa? Acredito que não, pois nunca tentei colocar um pão com a parte da manteiga voltada para cima nas costas de um gato e o soltei de altura considerável, mas creio que o máximo que acontecerá é o gato cair em pé e o pão cair no chão... 

Mas o que quero dizer com isso? Quero dizer que a ciência deve ser refletida, pois ela não porta uma verdade absoluta e, sim, uma verdade momentânea, mesmo que meus exemplos não sejam “científicos”, servem perfeitamente de parâmetro para o que quero dizer. Assim, o questionar faz parte da ciência, pois é o colocar em xeque que faz a ciência caminhar. Refletir na ciência sobre a ciência é parte da construção do conhecimento humano. 

Nesse contexto, pensar sobre o que lemos e escrevemos (sim, afinal devemos estar atentos ao que produzimos também!), fazer críticas, tecer comentários, estudar mais profundamente um assunto, dar um feedback ao pesquisador etc, faz com que a ciência evolua. Pensar o trabalho alheio faz com que novas pesquisas surjam, que novos rumos sejam traçados dentro de outras pesquisas. Assim, o criticar, no sentido de contribuir, pode ser mais útil à ciência do que um trabalho que não passa pelo crivo crítico. 

Para o pesquisador, dessa forma, o comentário de seus pares é um dos aspectos mais importantes da construção e desenvolvimento da pesquisa científica, pois tais comentários podem servir de parâmetro para que ele verifique se está ou não no rumo certo em suas pesquisas ou até mesmo um teste para saber como seu trabalho será recebido na comunidade científica. Aliás, tal “sociedade invisível” (ou colégio invisível, como queiram) de pesquisadores é um dos meios mais importantes tanto na avaliação como na divulgação científica, pois é ela quem julgará ou não a validade do seu trabalho, proporá mudanças, enfim, a comunidade científica são os pares dos quais falamos anteriormente e são eles os responsáveis por mover a ciência rumo à novas pesquisas, novas vertentes, novas ciências, novos conhecimentos. 

Referência:
MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. O crescimento da ciência, o comportamento científico e a comunicação científica: algumas reflexões. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 24, n. 1, p. 63-84, jan./jun. 1995.

* Carlos é aluno especial do PPGCINF-UnB e autor do blog Relatos de Memória.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ciência da Informação e documentação...

Copiado de I Satagered
O mestrando Fernandez Kenji elaborou um pequeno post sobre o tema. Como a reflexão poderia ser interessante para os alunos de arquivologia optei por publicá-la no blog de Diplomática e Tipologia Documental, para que os alunos tecessem comentários críticos sobre o tema. Em que pese as limitações inerentes ao fato de as opiniões virem de alunos de graduação, o resultado é bastante interessante para melhor compreender algumas diferenças básicas existentes entre um viés mais biblioteconômico da Ciência da Informação e as especificidades da Arquivologia.  

Copiado de Insuprint
O primeiro comentário, do aluno Márcio Lima, é particularmente interessante e pontua alguns itens definidores do que é a Arquivologia, os quais muitas vezes não são considerados (ou conhecidos) e posturas "unificadoras" das disciplinas supostamente agregadas pela Ciência da Informação, que se fazem presentes não apenas em posicionamentos teóricos, porém em atitudes mais práticas como, por exemplo, propostas curriculares ditas "integradoras", que muitas vezes generalizam princípios biblioteconômicos como se fossem universalmente válidos.

Acesse aqui o post de Kenji e os respectivos comentários dos alunos de Arquivologia. 

domingo, 29 de maio de 2011

Leituras iniciais sobre ciência

Copiado de Bichos Brasil
Fernandez Kenji Inazawa
(Bibliotecário, especialista em Gestão do 
Conhecimento e mestrando no PPGCINF-UnB)

O texto de Newton Maia é uma leitura bem humorada e leve sobre ciência, que foi indicada pelo professor de metodologia. 

O texto fala que nem tudo precisa ser científico para ser verdadeiro, ou até mesmo válido, pois a ciência se ocupa com teorias, e verossimilhanças, e não com verdades. Existem coisas que são verdadeiras, mas que não são consideradas, necessariamente, científicas.

O que distingue a ciência de outros saberes é o método. O importante é ter método para se observar e expressar de uma forma clara o que foi observado. E não podemos esquecer do objetivo, é claro, pois qualquer um, a priori, pode estudar qualquer coisa, mas focar é muito necessário. Einstein observou e expressou a teoria da relatividade pela formulação matemática, método próprio das ciências naturais. As ciências sociais tem outras formas, tão válidas quanto, de observação e apresentação de suas conclusões através de métodos próprios.

Há uma parte interessante sobre a questão controversa entre ciência e religião. Eu lembrei do livro "Vírus da mente", cujo autor diz que as idéias da religião são vírus, por que não podem ser comprovadas pela ciência, que não é beeem assim. O texto de metolodologia toca no assunto de misturar saberes e opiniões diferentes, e propõe um jeito bem legal de olhar para esse problema.

Não é um texto acadêmico, mas uma opinião muito particular de um cientista, com uma linguagem bem descompromissada. Mas é legal.

O texto de Tomanik também é muito bom de ler. E a primeira afirmação que ressalta aos olhos é a explicação do porquê do título "Olhar no espelho", que está relacionado ao preponderante papel do observador nas ciências sociais. O que esse consegue ver é apenas um imagem de si mesmo, uma interpretação da realidade, que por vezes poderá até ser fiel, mas nunca será a própria realidade.

Maia e Tomanik expressam a dificuldade de definir ciência. Contudo, Maia está bem humorado, não se esqueça disso, e propõe uma definição de "terceira categoria". Eu ri muito da gracinha.

Gracinhas à parte, vamos ao que interessa. Tomanik fala que a ciência não é um agrupamento imóvel de teorias e leis; por que ela estudar a realidade, a qual é mutável; por que a tecnologia auxiliar amplia a dinâmica de observar a realidade e de produzir conhecimento; o fato de o que é afirmado hoje, muitas vezes, pode ser desdito amanhã; e por fim, a ciência surge das necessidades flutuantes do homem, e na medida em que estas se alteram, os objetivos da ciência também se alteram.

Tomanik me incomodou um pouco quando abordou sobre a ciência precisar ter aplicação prática, ele diz assim "[...] descobrir soluções de problemas é a função da ciência". Maia e Santos também parecem que sentem o mesmo incômodo que eu. Não concordam com essa visão utilitarista. Mas, Tomanik se contradiz quando fala que o conhecimento da teoria e das formas de investigação próprias da área de formação acadêmica dos futuros profissionais de curso superior é indispensável, ou seja, ele não pode ser somente um técnico com um diploma na mão, pois os desafios do mercado pedem pessoas que saibam "adaptar soluções" de acordo com "cada problema". 

Com relação às ciências humanas, Santos não se esquiva de se posicionar contra o utilitarismo implantado na mente da sociedade quanto à ciência, que pensa que é necessário apenas olhar o presente, mas a tarefa da universidade é conquistar o futuro, é olhar para a frente.
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OBS
  • Uma versão menos coloquial do texto de Kenji pode ser baixada aqui
  • Outro comentário sobre os mesmos textos, por outro autor, pode ser visto aqui.

REFERÊNCIAS: 
  • TOMANIK, Eduardo Augusto. Algumas noções preliminares sobre a ciência: por que pesquisar? In: ____. O olhar no espelho: conversas sobre a pesquisa em ciências sociais. 2. ed. rev. Maringá: Eduem, 2004. p. 13-29. 
  • SANTOS, Mílton Almeida dos. As humanidades, o Brasil, hoje: dez pontos para um debate. In: HUMANIDADES, pesquisa, universidade. São Paulo: Comissão de Pesquisa/FFLCH-USP, 1996. p.9-13. 
  • FREIRE-MAIA, Nilton. O que é ciênciaCadernos do IFAN. Bragança Paulista: USF, nº 16, 1997. p. 51-87.
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Como modo de ampliar a discussão tão bem iniciada pelo Kenji, sugiro que cada um que cada pesquisador reflita sobre os tópicos abaixo, extraídos do livro do Tomanik, tendo como contraponto de discussão o próprio projeto:

CAP 1 - O que é ciência?
1.1. Ciência: Constantes transformações - identificar na proposta:
a) possibilidades de mudança da realidade;
b) possibilidades de novos campos em relação ao avanço científico da área;    
c) possibilidades de críticas;
d) pertinência da proposta em relação às modificações da sociedade.
1.2. Objeto: necessidade de definição - identificar na proposta: 
a) qual é o objeto (tema) principal e quais áreas do saber estão relacionadas? 
b) idem objetos derivados.
1.3. Método: importância a do método para elaboração de novos conhecimentos e vice-versa - identificar na proposta::
a) possibilidades de elaboração de novos conhecimentos.
1.4. Objetivos/Razões: foco nos objetivos gerais, os motivos para se realizar tal pesquisa - identificar na proposta:   
a) grandes objetivos que pretende atingir;    
b) principais motivos para realizar a pesquisa;
c) limites entre o que se quer e o que será feito.
1.5. Dificuldades: nem tudo são rosas, trabalho árduo, com mais fracassos que sucessos - identificar na proposta:   
a) principais entraves;
b) possibilidades de fracasso;
c) competências a serem adquiridas.

A lista acima não é um questionário. Representa apenas um rol de possíveis pontos de reflexão a serem, eventualmente, desenvolvidos (ou não) pelos interessados, sob as mais diversas formas: comentário neste post, elaboração de paper, elaboração de postagem para blog, excerto da reflexão teórica da própria pesquisa, início de artigo etc.

terça-feira, 22 de março de 2011

Trocando os pés pelas mãos - o fim do PROF


Conforme já anunciado antes por esse blog, em primeira mão (ver aqui), a informação de que a CAPES extinguirá o programa que sustenta a pós-graduação na UnB, o PROF, está confirmada. Na tarde de hoje, por convocação do Decanato de Pesquisa e Pós-graduação, estiveram reunidos os coordenadores dos quase 60 programas de pós-graduação da UnB, para começar a pensar em novas estratégias de sobrevivência para a pesquisa e formação em ciência e inovação em uma das mais importantes instituição federal de ensino superior. Pela extinção do PROF, o corte ao custeio de pesquisa será da ordem de 40%, mesmo para aqueles programas que nos últimos 3 anos tiveram uma avaliação de excelência e passaram a integrar o restrito grupo da nota 5. Os programas mais seletos ainda, nota 6 e 7, têm uma linha de financiamento específica. Tampouco houve incremento nas quantidades de bolsas, apesar do crescimento da pós-graduação no Brasil e apesar do exitoso "pibão". 

O impacto geral dos recentes cortes das contas públicas junto ao MEC foi da ordem de 10%, porém, no financiamento da pós-graduação a facada foi bem maior: 15%. Na UnB, algumas medidas drásticas já estão sendo tomadas, como, por exemplo, a não composição de bancas de mestrado com pesquisadores que requeiram gastos de deslocamento e diárias. Com isso a instituição vê-se obrigada a fechar-se para contatos  importantes e frutíferos intercâmbios de idéias e pesquisas com renomadas instituições, como, por exemplo, as universidades paulistas, no nível do mestrado. O esforço de alguns programas na consolidação de grupos de pesquisa (reconhecidos pelo CNPq) também dá um passo atrás, na medida que com possibilidades de intercâmbio mais restritas, a aceitação, a inclusão e, sobretudo, o trabalho colaborativo de pesquisadores de outras instituições em nossos grupos será, no mínimo, mais difícil. Em heróicos esforços de manutenção da qualidade, sei de  alguns desprendidos colegas que estão pagando do próprio bolso as despesas referentes a efetivação de arguidores externos. Sei de alunos que fizeram financiamento para poder participar, como expositores de trabalhos, em congressos internacionais, relevantes, levando o nome da UnB (e aumentando a produção de indicativos do CT&I do nosso amado governo). 

Paralelamente a esse movimento de interrupção da universidade, assistimos ao presidente Obama parabenizar ao Brasil pela Copa e pelas Olimpíadas de Verão (que deveremos!). No mesmo dia em que os coordenadores de programa foram obrigados a verem "cair a ficha" da extinção do PROF, a imprensa nacional, para arroubo de alguns auto-denominados "patriotas", noticiou que as bolsas da CAPES, criadas para sustentar a pesquisa em pós-graduação no Brasil, serão outorgadas a professores da educação básica (ver notícia aqui). Por essa mesma lógica, um pai de família que tivesse muitos filhos poderia comprar apenas roupa para um deles e ir fazendo rodízio. Assim, agora tiram-se as bolsas da universidade e passam-nas à educação básica... A matemágica tem ainda uma grande sacada embutida: o valor hoje da bolsa é insuficiente para viabilizar o papel científico previsto, porém bastante significativo para um professor da educação básica. Assim além de, pouco a pouco, ir calando os "chatos" da academia, caminha-se um pouco mais para a redução das desigualdades sociais sem, sequer ter que rever os valores das bolsas e sem mexer no salário da educação básica. Nem David Copperfield seria tão picareta.

Elocubrando a partir de algumas idéias do colega Flávio Sombra, que defende a tese de que o Brasil tem uma perna manca que atravanca o crescimento (ver aqui), fica a impressão de que, com as recentes medidas, o que nossos governantes ilustrados estão tentando fazer é fortalecer a perna manca à custa da amputação da perna boa. Será que não dava para fortalecer a perna manca à custa do aumento de 26,5% dos nossos representantes legislativos? Delfim falava em fazer crescer o bolo para depois dividir. O que vimos agora foi o sumiço do bolo e o sucateamento da capacidade de fazer mais bolos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Citar e referenciar para não cometer plágio

Copiado de Cartoon Stock
O cartoon acima, amplamente reproduzido pela Internet, bem ilustra um problema comum: o Ctrl+C Ctrl+V; o popular recorta e cola. A prática apresenta dois problemas principais: um de direitos autorais, outro de direitos comerciais, ou de divulgação. Quem infringir o primeiro estará, certamente, infringindo o segundo, porém a recíproca não é verdadeira. Por exemplo, mesmo sem ter os direitos de divulgação da imagem acima, como são feitas todas as referências autorais, não se pode acusar este blog de violar os direitos de autor e, portanto, de cometer plágio. Em defesa do segundo ponto, pode-se alegar, que apenas está reproduzida uma imagem de divulgação (uma amostra disponibilizada pelo site) de baixa resolução, para usos não comerciais.

O ponto principal, afeto a este blog, é o cuidado que a redação científica deve ter com relação ao uso das idéias e formatos de exposição das mesmas feitas por outrem. A frase "To be or not to be, that is the question" foi formulada por Shakespeare. A reprodução de tal frase, mesmo que traduzida, sem referência ao seu autor, pode ser encarada como plágio, porque reproduz, sem indicar a autoria (portanto atribuindo-a implicitamente ao seu plagiador) a idéia e formato de exposição da mesma. Caso a frase fosse apresentada assim "A principal questão reside no dilema ser/não-ser" não haveria plágio de forma, porém a idéia continuaria a ser apropriada indevidamente por alguém que não foi o responsável por sua elaboração.

Copiado de Klat Talk
No Brasil, infelizmente, dado o sistemático condicionamento ao qual os jovens são submetidos na elaboração das mal-fadadas "pesquisas escolares", os estudantes universitários inciantes, em boa fé e inocência, tendem a achar que copiar é pesquisar e que copiar bastante é fazer trabalhos universitários pré-científicos. O recurso dos textos eletrônicos e do copy & paste, neste aspecto, só piora a situação. Muitas vezes é muito difícil definir o que é plágio e o que não é, em função de definições legais, muitas vezes relacionadas à obtenção de vantagens pecuniárias e à má-fé na realização da cópia. Muitos são os colegas docentes que se vêem em saias-justas quando se deparam com trabalhos copiados da Internet, de colegas docentes ou até mesmo de colegas discentes. A primeira atitude educativa geralmente é explicar e ensinar para aquele aluno que isso não se faz, que além das implicações éticas existem problemas legais mais sérios etc. etc. etc. Em outras situações, mesmo quando não mais é possível presumir a boa-fé do plagiador, a cultura acadêmica nacional dificulta a aplicação de sanções disciplinares (também educativas) mais severas. No final da escala há os plágiadores profissionais (não os semi-profissionais, que vendem trabalhos pela Internet) que se aproveitam de dados e informações alheias para alavancar carreiras intelectuais, conseguir patrocínios, verbas de pesquisa, patentes etc., como foi o exemplo da USP que veio à tona (um em um milhão) recentemente (ver post do CB aqui).
Na tentativa de começar a coibir a prática antes que ela possa atingir degraus mais elevados, o Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UnB, em sua recente reformulação do regulamento (disponível aqui), tornou explícito que a realização de cópias de textos indevidamente referenciadas é passíveis de desligamento: "Artigo 20. Entende-se como uma infração disciplinar, passível de desligamento do programa, (...) o ato do aluno, comprovadamente, apresentar textos em cumprimento de exigências do programa e/ou disciplinas que contenham cópias de textos de  outrem sem o devido estabelecimento de autoria, feitas deliberadamente  com o intuito de apropriar-se do trabalho intelectual de outra pessoa.". Em outras realidades esse tipo de regulamentação é padrão, porém no Brasil não é usual.
Existem diferentes tipos de plágio, porém o pesquisador iniciante deve tomar sempre muito cuidado em referenciar suas fontes (preferencialmente citando-as em conformidade com as normas da ABNT - ver post sobre isso aqui). O artigo de Loveleena Rajeev, que além de trazer a ótima imagem da esquerda, publicado no portal Buzzle.com traz uma listagem resumida da diversidade de possibilidades (acesse o artigo aqui). Há ainda muito material disponível na Internet que pode orientar sobre o assunto, como por exemplo o site Plagiarism dot Org, que é bastante explicativo e didático. Outra referência interessante, e bem divertida, é um vídeo feito na Universidade de Bergen, na Noruega, que pode somar no processo educativo dos novos pesquisadores, quanto à referenciação correta da autoria de frases e idéias:

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tudo o que você queria saber sobre redes sociais e sempre teve vergonha de perguntar


As redes sociais estão em toda as partes, até neste blog. Outro dia me deparei com a falta de referências básicas para quem quer sair da superfície e começar a ter uma compreensão um pouco mais séria sobre o tema. Maíra Murrieta Costa, colaboradora deste blog, passou-me uma série de referência bem interessantes para quem quer se iniciar. O primeiro texto que ela recomendou para leitura é uma manual bem didático, publicado pela WWF (baixe aqui), ideal para conhecer melhor o tema com uma pouquinho mais de seriedade. Na sequência fui direcionado para o texto "Uma introdução às Redes Sociais ", de Augusto de Franco (baixe aqui), um pequeno artigo que insere a questão no âmbito do debate político atual; muito interessante para refletir sobre os desdobramentos possíveis das novas formas de comunicação nos movimentos políticos e sociais do século XXI. O artigo me instigou a pensar sobre a influência das novas formas de comunicação na reviravolta política recente do mundo árabe. Do mesmo autor há ainda a indicação de uma reflexão sobre o poder das redes sociais (disponível aqui). Essa última referência, aliás, para quem está com pouco tempo, pode ser um bom começo.

Na área específica da Ciência da Informação a prestativa colaboradora indicou dois artigos: "Das redes sociais à inovação", da colega Inês Tomael, de Londrina (acesse aqui) e outro sobre fundamentos e transversalidades, de Regina Marteleto (disponível aqui). Indo por um caminho um pouco mais, diríamos transcendental, nossa guia indica ter adorado a obra "A teia da vida", de Fritjof Capra (acessível aqui, até quando?). Propondo um pouco mais de solidez conceitual e histórica, Maíra me indica um texto clássico de 1973 sobre a força das relações supostamente frágeis (baixe aqui o trabalho de Mark Granovetter). 

É licito supor que uma prospecção à bibliografia até aqui apresentada permitirá um considerável avanço propedêutico, impulsionando o estudo para subtópicos mais específicos, como por exemplo, a questão da produção colaborativa e a descentralização da produção do saber. A obra indicada, Wikinomics, de Don Tapscott, infelizmente não está descentralizada quanto ao acesso pleno (aberto ou pirata) via web. Há uma série de referências (como esse blog aqui), resenhas e amostras da obra (algumas boas aqui, até quando?), todas com remissão a algum site para compra do livro :(  Ainda sobre o tema das redes sociais e a Internet, há a indicação do livro de Raquel Ricupero (pdf disponível aqui), com a ressalva de que a edição on-line apresenta problemas de revisão, sendo preferível adquirir a cópia impressa.

Quem quiser conhecer melhor a responsável pelas informações sintetizadas neste post pode acessar seu blog de pesquisa aqui.

EM TEMPO: hoje vi um e-mail, que me foi mandado há algum tempo pela minha amiga Carmem Barreira, que tem uma dimensão muito prática das redes sociais, como dirigente escoteira, que trazia um excelente vídeo introdutório de Augusto de Franco sobre o tema:


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A dúvida da dúvida

A ciência é feita por verdades absolutas ou a consciência de uma ciência falível se faz importante para o seu próprio aprimoramento ao longo de sua trajetória? Lembro que muitas questões desse gênero foram discutidas no decorrer da disciplina de Metodologia. Além do fato de que a ciência, como um saber que beira muitas vezes os ares da intensa presunção, se apresenta sob fórmulas eruditas de expressão, escondendo erros e equívocos pela dificuldade de entendimento de um público mais amplo. Falar difícil, nesse caso específico, é esconder passos escorregadios. É pensar que se caminha sobre o cimento duro, quando se mergulha em areia movediça.

Pensando nesses pontos, a revista eletrônica Edge, que faz todos os anos uma pergunta aos cientistas com o objeto de destacar tendências nos rumos do pensamento científico, publicou as respostas do seguinte questionamento: "Qual conceito científico poderia aprimorar a ferramenta cognitiva de uma pessoa?" E nos parece que a dúvida foi o conceito mais citado dentre os pesquisados. Confira AQUI e tire suas próprias conclusões... ou suas próprias dúvidas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Evolução da Ciência


A EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA

Rodrigo Fortes *

Como se faz ciência? pensar em termos de orientação científica e dos tipos de pensamento que estão envolvidos na difícil tarefa de responder a esta questão sempre nos remete a uma postura historiográfica.

Basicamente a lógica de conduta da ciência caminha por dois trilhos opostos. De um lado o ponto de vista de que a ciência é experimentalista e lógica, com o objetivo de criação de conhecimentos universais. De outro a possibilidade de observação de uma ciência falível, enveredando para uma perspectiva condicionada a um sistema histórico e sociológico. No entremeio desses dois olhares há uma mudança de foco na conduta do próprio desenvolvimento científico.

A ideia que sustenta o primeiro caminho apontado é a de que há uma lógica inerente a feitura da ciência. Abordagem que tem como maior expoente a figura de Karl Popper. Parte-se do pensamento de que dificilmente se pode confirmar ou infirmar uma dada hipótese pela experimentação (o sol nascer todos os dias não é suficiente para afirmar que nascerá daqui a 50 anos). Por isso ganha relevo o teste de falsificabilidade do autor. Jamais um cientista pode afirmar o que é verdadeiro por intermédio da lógica, mas sim apontar o que é falso por aplicação da experimentação. Assim, só o que é verificável pode ser considerado científico.

Será?

Historicamente há exemplos de que a verificação de falsificabilidade de uma hipótese não é suficiente para refutá-la em termos científicos. Havia uma anomalia na órbita do planeta mercúrio que impedia que tal fenômeno fosse explicado pela lógica da teoria de Newton. E dai, refutou-se a teoria? Claro que não.

Nos anos 60 do século passado, uma única experiência anunciou a descoberta da partícula Omega. Como assim, aceita com um único teste? Por que então tais teorias são aceitas na história da ciência? Pelo simples motivo de que são o elo que falta para fechar harmoniosamente alguma teoria. Por isso, a história da ciência não dá apoio à teoria popperiana da racionalidade científica.

A razão por que é assim que funcionam os paradigmas da ciência tem uma só explicação: a de que ela é feita por seres humanos. Não são deuses que fazem experimentos em tubos de ensaios isolados do momento histórico de feitura de sua aplicabilidade (ideia bem apresentada por Tomanik). São homens em sociedade, vivendo e sofrendo as realidades sociais a que estão integrados.

Esse seria o recheio que faz com que a ciência passe de uma tentativa lógica-experimental de explicação dos fatos para uma perspectiva condicionada ao fator histórico-social. Kuhn (1962) , no clássico A Estrutura das Revoluções Científicas, acentua a crítica e engrossa o caldo da discussão. Segundo o autor, um paradigma é aceito não porque ele resiste ao teste de falsificabilidade, mas sim porque uma comunidade X o aceita temporariamente. "Preconceito e resistência parecem ser mais a regra do que a exceção no desenvolvimento científico avançado (Kuhn, 1962)".

Ao que parece, o cientista está o tempo todo sendo aterrorizado pelo fantasma do sonho, da fantasia do perfeito possível. Mas ao acordar, banhado de água fria, fica querendo que os sonhos possam ser traduzidos pela insuficiência da linguagem humana. Assim o sonho vai sendo manchado pela vivência do real; pelos problemas que o cientista carrega consigo. E que seja assim. É a impossibilidade do sonho que transforma o real. E a noção do falível que nos traz a vontade de tentar.


* Rodrigo está na ponta final da escala evolutiva representada abaixo, fazendo mestrado em Ciência da Informação na UnB; também é responsável pelo blog "Usuáriosemarquivos!" e co-resposável (ou cúmplice) pelo blog "Diplomática e tipologia documental (UnB) - De re-diplomatica: novos usos à antiga arte". Acesse aqui seu Lattes.

domingo, 4 de abril de 2010

Ciência e Ciência da Informação


CI-ÊN-CI-A
Thiago Gomes Eirão

Ciência palavra proparoxítona, substantivo feminino. Pronto! Assim pode ser definida ciência, talvez. Pode-se ir mais longe e encontrar a origem da palavra ciência, no latim, representado por scientia. Porém ainda é muito vago, ainda falta consistência para se entender o que realmente significa esta palavra. Certeza em ciência é algo relativo e totalmente provisório. No dicionário Houassis (2008) ciência é definida como
“Atividade humana baseada em conceitos e princípios desenvolvidos racionalmente e na utilização de um método definido, por meio do qual se produzem, se testam e se comprovam conhecimentos considerados objetivos e de validade geral: as novas descobertas da ciência”.
Agora sim ficou claro! Não? Talvez.
Ciência não se explica, ciência se experimenta, testa, comprova ou refuta, isto também é relativo. Nem toda ciência pode ser experimentada ou testada, qualquer generalização neste sentido corre o risco de cair em um erro. Ciência então pode ser entendida como o campo responsável pelo bem e desenvolvimento da raça humana? Será? Toda ciência é para o bem? Onde ficam os inúmeros artefatos de guerra desenvolvidos através das evoluções científicas? Bem de quem? Uma das definições mais comuns para caracterizar ciência é aquela que diz: para ser ciência é preciso um campo de estudo, um objeto, um método e objetivos. A busca por definições e explicações sobre o que seja realmente ciência, talvez não seja a melhor forma de entendê-la. O conhecimento científico está tão presente na vida das pessoas que seu entendimento talvez já seja tacitamente sabido. Então as pessoas fazem ciência em seu cotidiano? As pessoas “comuns” são cientistas? Sim e não.
Sim, pessoas comuns são cientistas. Não é preciso se enquadrar naquele rótulo dado pela arte do cinema que, cientista é aquela pessoa isolada do mundo, que se trancafia em um castelo, tem um monstrinho como ajudante e que numa noite chuvosa e de tempestade inventa algo que vai revolucionar o mundo. Qualquer pessoa pode ser um cientista e neste contexto talvez a experimentação possa ser um sinônimo de ciência. Já o não da afirmação anterior, diz respeito à indagação se as atividades das pessoas em seus cotidianos podem ser entendidas como ciência. Não se podem confundir problemas administrativos com problemas científicos, problemas de trabalho, geralmente, não costumam ser problemas do campo científico. Construir um robô capaz de imitar as expressões de uma pessoa, através de impulsos neurais transmitidos por ela mesma, necessariamente não configuram-se como ciência e neste caso, experimentação pode não ser sinônimo de ciência.
Outra coisa interessante neste rótulo de ciência são as grandes descobertas ocorridas em momentos de inspiração suprema dos cientistas. As invenções não surgem do nada, na realidade, elas surgem de um trabalho contínuo e árduo de pesquisa, teste, experimentação (de novo esta palavra!), erros e acertos. Cair uma maçã na cabeça de alguém ou alguém entrar numa banheira e descobrir leis da física é apenas um acontecimento pitoresco perto de toda pesquisa envolvida.
Uma das poucas certezas que se pode ter após esta reflexão é que não há consenso para o que seja ciência e aí ciência pode ser entendido por algo que se vive, convive e utiliza. O engraçado de buscar uma maneira simples, que explicite o que seja essa tal ciência e esse tal de conhecimento científico é que, cada vez mais se encontram dúvidas ao invés de ideias concretas. Alunos recém ingressados em cursos de pós-graduação ou até mesmos em programas de iniciação científica carregam consigo pelo menos duas certezas: uma definição construída na mente do que viria a ser ciência e que seu projeto de pesquisa é um item científico. A primeira certeza, no transcorrer da pesquisa aos poucos vai transformando-se em dúvida, para um pouco depois transformar-se em absurdo, algo fora da realidade. Para alguns ciência significa neutralidade, para outros o questionamento de questões físicas, por exemplo, a água que ferve, pode ser a maneira pela qual possa ser explicada a ciência. Até mesmo arremessar um giz na testa de uma japonesa qualquer, pode ser uma maneira de tentar mostrar a falibilidade da ciência. A desconstrução de tais ideias, geralmente, é acompanhada por uma tempestade de dúvidas e incertezas diárias, que para o bem ou mal, serve para mostrar que pesquisa, pesquisador são coisas e seres permeados de questionamentos, carências e de necessidade de respostas.
Já a segunda certeza, o projeto de pesquisa, esta sim é uma certeza que de chega a amedrontar seus criadores. Um projeto, geralmente, não chega inalterado no final do processo de pesquisa. Muitos ganham algumas dezenas de versões, outros são rasgados em milhões de pedacinhos, alguns morrem e renascem como outro projeto e outros, bem os outros estão completamente perdidos em alguma gaveta ou em uma pastinha bem escondida em algum notebook. O processo de pesquisa tende a sacudir a cabeça dos pesquisadores e o talvez e o relativo, talvez, sejam palavras que sempre martelam a mente dos mesmos.
Então qual a conclusão que se chega sobre ciência? Nenhuma! Conclusões são definitivas e restritivas, dois conceitos que, dificilmente, podem ser entendidos como sinônimos de ciência. Questionamento, dúvida e curiosidade, talvez, sejam palavras mais próximas do que vem a ser ciência e o saber científico. Talvez um dia, possa ser encontrado o denominador comum que defina ciência, mas, talvez, a dúvida é a que permitiu e continua permitindo que a ciência exista e se desenvolva. Mais isso também é outro talvez .

OBS: O uso de tantos “talvez” é proposital e pelo menos isto é definitivo

quinta-feira, 25 de março de 2010

Falando sobre SEXO
(ou "Qualquer resultado científico é válido?")

Uma reportagem indica uma pesquisa que associa infidelidade masculina ao QI.
Ao ler a reportagem, de saída, vejo dois graves problemas:
  • um ligado aos pressupostos;
  • outro ligado ao dados.
Quais seriam esses problemas?
Quais outros problemas metodológicos você vê nessa pesquisa?
Acesse a nota de ciência para dumbies aqui e opine.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Início da disciplina

Ontem, com uma grande procura de vagas pelos alunos especiais, a disciplina de metodologia, voltada para o mestrado em Ciência da Informação foi iniciada. O material utilizado em aula, para apimentar a discussão já está disponível:
  • Ciência descomprometida, por Lázaro Guimarães
    ===> (download)

  • Sistema Lattes, por Vanessa Bárbára
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  • Recita afrodisíaca (excerto):
    Robert é cientista. Não Me permitiu truques de romancista, exigiu precisão. Tive que lhe mostrar a montanha de livros usados para a pesquisa e mensurar a potência afrodisíaca das receitas de Panchita com base em um método inventado por ele. Recorremos a voluntários de ambos os sexos e diversas raças, maiores de quarenta anos, pois até uma infusão de camomila estimula os mais jovens, o que confundiria nossas estatísticas. Depois de convida-los para jantar e observar sua conduta, medimos e anotamos os resultados. Foram semelhantes aos obtidos há alguns anos , quando trabalhava como jornalista e tive que escrever uma reportagem sobre eficácia da magia negra na Venezuela. Os sujeitos que sabiam que eram alvos de rituais de vodu começaram a desvairar e a eliminar humores demoníacos, ficaram com espinhas na garganta e o cabelo caiu; em contrapartida, os que permaneceram na feliz ignorância continuaram tão prósperos como antes. No caso deste livro, os amigos que desfrutaram dos afrodisíacos informados do seu poder revelaram pensamentos deliciosos, impulsos velozes, arroubos de imaginação perversa e conduta sigilosa, mas os que nunca souberam do experimento devoravam os alimentos sem mudanças aparentes. Em uma ou outra ocasião bastou deixar o manuscrito em cima da mesa, com o título bem visível, para seu poder afrodisíaco surtir efeito: os comensais começaram a mordiscar as orelhas uns dos outros mesmo antes de o jantar ser servido. Deduzo, portanto, que, como no caso da magia negra, é conveniente advertir os participantes, pois assim se poupa tempo e trabalho.
(Isabel Allende,
Afrodite Contos, Receitas e outros afrodisíacos.
Pg 17)